Trupicão e oração
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Trupicão e oração

Não há um grupo politico capaz de tirar Brasil da crise sozinho. Só será possível com aliança e harmonia.

José Nêumanne

08 de junho de 2016 | 20h07

A dupla Dilmula, desastre à vista Dida Sampaio/Estadão

A dupla Dilmula, desastre à vista Dida Sampaio/Estadão

Quarta-feira 8 de junho de 2016 – 20 horas

É, o mar não está pra peixe nem o céu é do condor. Não enxergo à frente nenhum grupo político capaz de assumir o controle da nave e guiá-la prum aeroporto ou algum planeta minimamente seguro. Eis a verdade.

O velho Estadão de guerra e paz publica hoje notícia de que os empregados da Caixa Econômica Federal que têm o plano Reg/Replan Saldado, um dos mais antigos da Funcef, pagarão ao longo dos próximos 17 anos o rombo de R$ 2,7 bilhões no orçamento do fundo de pensão da instituição em 2014, que passarão a ter acrescentados a seus descontos do salário 2,73% para poderem gozar dos privilégios de uma aposentadoria tranquila e integral. Há previsões de que o rombo de 2015 tenha sido de R$ 5 bilhões. Isso significa que no ano que vem esses mutuários da Funcef serão convocados para pagar um adicional de mais 5% a 6%. Com a agravante de que lhes serão também adicionados os que dispõem de outros planos previdenciários da CEF. Todos nós também participaremos do rateio desde já, pois a União participa do bolo que banca o fundo. Meu amigo Cláudio Humberto, que foi porta-voz de Fernando Carcará Sanguinolento Collor de Mello e hoje é um dos colunistas mais bem informados da imprensa pátria, noticia em seu Diário do Poder hoje, atribuindo a informação a “especialistas”, que ou o governo federal injeta R$ 21 bilhões naquele banco público até o ano que vem ou ele simplesmente quebra. Segundo Cláudio, “além de negócios suspeitos, corrupção e uso das suas reservas nas criminosas pedaladas, a Caixa padece de inchaço, com dirigentes dos quais se exigia, no currículo, ser petista de carteirinha”. Trata-se de uma metáfora perfeita para o senso de justiça e populismo da organização criminosa que o PT, o PMDB, o PP, o PR e outros tantos partidos aliados têm: a quadrilha roubou a instituição pública à sombra da impunidade garantida pelos chefões partidários, entre os quais madama “presidenta”, deixando-a à míngua, e agora a instituição se vê forçada a apresentar a conta aos beneficiários do fundo de pensão e à população. Sobre o caso é útil ainda lembrar que, além dos votos do PMDB que herdou de Michel Temer, seu vice, a nefasta afastada contou com a ingenuidade imprudente e pouco inteligente de funcionários dos bancos públicos, alertando para uma possível privatização deles caso Aécio, do PSDB, a derrotasse nas urnas. O que sobrou da Caixa, contudo, não é “prizativável” e a conta será paga por seu corpo funcional e por nós. No entanto, Cristovam Buarque foi queixar-se à padroeira do furto, na casa dela, onde comida e vinho francês custam-nos R$ 62 mil por mês, de que está sendo chantageado pelo Planalto (será que o senador não vai incluir o caso na “cultura do estupro”?) para manter seu voto pelo impeachment em agosto, mês que se pode recuperar da má fama que sofre pelos desgostos que nos tem propiciado ao longo da História. E Romário chegou ao desplante de dividir uma refeição com o aguerrido Sílvio Costa, aquele abjeto bajulador mal encarado que produziu a farsa trágica protagonizada por Waldir Maranhão tentando torpedear o impeachment no Senado com o auxílio luxuoso e vulgar de um gole de cachaça e uma taça de vinho obtido das melhores cepas e adquirido a preços proibitivos. Ambos acenam com a adesão à manutenção do desgoverno e a volta ao inferno de dantes neste país que já foi chamado de tropical e hoje não passa de um trupicão (corruptela sertaneja de tropeção, topada) pro abismo. E não se esqueça de que as cotas de patrocínio da mesma Caixa de Dilmora foram usadas como parte da chantagem para que eu fosse devidamente defenestrado do elenco do SBT, com a cumplicidade do mandatário do presidente “imexível” da TV Brasil, Ricardo Melo. Tutti buona gente. Ou. melhor, genta. Vôte. Vade retro! Neste ambiente, eu não quero ser a bala de prata pra matar o facínora, mas, sim, ter o dedo pra enfiar no buraco que a bala faz.

Só nos resta rezar para evitar que ela se espatife ao solo. Com as mãos postas, é o caso de rezar sem fé, mas com fervor e teimosia.

 

 

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