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Teich só fará o que Bolsonaro quer

O que vale agora não é o escrito pelo m ministro da Saúde elogiando a política de Mandetta, mas o lado oposto a ela que levou o presidente a retirá-lo do cargo, por causa de seu sucesso popular

José Nêumanne

19 de abril de 2020 | 18h28

Teich tem deixado claro a qualquer bom entendedor que não repetirá Mandetta desafiando o chefe Bolsonaro em absolutamente nada, pois, como dizem os bolsonaristas, manda quem pode. Foto: Joedson Alves/AFP

No dia em que o presidente Jair Bolsonaro anunciou estar nomeando o oncologista carioca Nelson Teich ministro da Saúde no lugar do ortopedista pediátrico matogrossense do sul Luiz Henrique Mandetta, foi reproduzida nas redes sociais uma frase dita pelo nomeado a respeito da opção a ser posta para intensivistas para ocupar um leito de UTI com respirador por um jovem com chance de viver muitos anos ou um velho desenganado. Em teoria, não é ético retirar qualquer frase de seu contexto. Mas basta ouvir o que ele disse para perceber o uso do verbo investir, que é mais próprio de atividades econômicas do que em salvação de vidas por médicos. A adaptação de “isolamento vertical”, expressão da preferência de seu chefe, para “inteligente” ou “estratégico” mostra claramente que a eugenia proposta pelo presidente (jovem sai de casa, pega a doença e, ao voltar para casa, a transmite ao parente idoso) foi revestida de eufemismos espertos para não chocar classe médica. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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