STJ premia Queiroz

De olho em uma vaga no STF, Noronha, do STJ, de quem Bolsonaro disse sentir amor à primeira vista, mandou ex-assessor do filho nota zero um para casa e ainda estendeu benefício para a mulher, foragida

José Nêumanne

11 de julho de 2020 | 20h25

Márcia Aguiar, mesmo foragida da Justiça desde prisão do marido, teve prisão domiciliar permitida pelo presidente do STJ para cuidar de Fabrício, que recebeu igual prebenda. Foto: Reprodução

Em março, o presidente Jair Bolsonaro disse, em entrevista à Rede TV, que é contra soltar presos para evitar que peguem covid-19, porque na cadeia estão mais protegidos. Em abril, na posse de André Mendonça no Ministério da Justiça, contou que ele e o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, vivem um caso de “amor à primeira vista”. Em julho, este, que pretende ser indicado pelo chefe do governo a vaga no STF (haverá duas já, prometidas a Mendonça e Jorginho), mandou Fabrício Queiroz, cuja prisão põe a famiglia Bolsonaro em polvorosa, para prisão domiciliar, sob a alegação da defesa de que, sendo cardíaco, corre o risco de pegar a “gripezinha” e morrer na prisão. Segundo o desembargador Maierovitch, trata-se de mera teratologia (monstruosidade). Mas na farra das concessões monocráticas, que o capitão condena no STF, de plantão de judiciário, concedeu o mesmo privilégio a mulher do guarda-livros da orcrim, Márcia Aguiar, alegando que o paciente precisará das atenções da esposa, mesmo tendo ela notoriamente fugido da Justiça. Vôte! Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

 

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