STF alerta Bolsonaro

Decano do STF, Celso de Mello,usou texto de sua decisão de não apreender telefones de Jair e Carlos Bolsonaro para advertir o presidente sobre sua obrigação de acatar ordens do Judiciário

José Nêumanne

04 de junho de 2020 | 00h13

No despacho em que recusou o pedido de partidos de esquerda para apreender celulares de Jair e Carlos Bolsonaro, Celso de Mello passou um pito no presidente. Foto: Gabriela Biló/Estadão

O decano do STF, Celso de Mello, relator do inquérito que apura acusações de Sérgio Moro ao presidente da República, Jair Bolsonaro, mostrou na prática como o truculento general Augusto Heleno também é sôfrego, ao mandar arquivar ação de partidos de esquerda que pedia a apreensão dos celulares dos Bolsonaros, pai e filho 02, antes da decisão final do ministro. E aproveitou a oportunidade para dar um aviso de amigo ao referido dito cujo, lembrando que, se desobedecer a decisão do Judiciário, incorrerá em crime de responsabilidade, que pode levar a impeachment. Mas o “capitão cloroquina” não se emenda: ao ser vítima do hediondo crime dos hackers do grupo Anonymous, que devem mesmo ser processados e apenados, atribuiu a iniciativa aos democratas que criticam seu governo. Se fez tanta questão de intervir na PF e ainda dispõe da Abin, dos serviços de inteligência das Forças Armadas e de um bando de arapongas a seu dispor, primeiro devia informar-se bem sobre os criminosos e dar nomes aos bois de mandantes e executantes. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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