Sobra cloroquina, faltam sedativos

Com mais de 5 milhões de comprimidos da inócua dioxicloroquina estocados no laboratório do Exército, UTIs brasileiras não dispõem de medicamentos necessários para socorrer pacientes graves de covid-19

José Nêumanne

25 de julho de 2020 | 19h42

No papel favorito de garoto-propaganda da cloroquina, condenada por definitivo estudo recente de brasileiro, Bolsonaro estocou o remédio inócuo e deixa UTIs sem remédios que resolvem. Foto: Reprodução/Jair Bolsonaro/YouTube

De nada adiantaram todos os avisos que os técnicos do Ministério da Saúde deram ao general Eduardo Pazuello em relatório entregue em maio no qualo avisaram em vão que sem isolamento social a pandemia duraria 2 anos e a economia sofreria muito mais do que já sofrerá de qualquer forma. Um monte de dinheiro foi usado para pagar a compra de insumos e fabricação em massa da cloroquina, cujo efeito contra a covid-19 é nulo, conforme estudo publicado na quinta-feita 23 de julho no The New England Journal of Medicine. Milhões de caixas do remédio inútil estão acumuladas em depósitos, enquanto os estoques de farmacos necessários nas UTIs estão se esgotando nos hospitais. O intendente, que nornalmente se esconde, deu entrevista na sexta-feira 24 em Curitiba com respostas vagas e burocráticas, que deixam os profissionais de saúde e as vítimas da pandemia em pânico. Se Henfil estivesse vivo, ele e o chefe Bolsonaro estariam no cemitério dos mortos vivos. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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