Sem paz nem sono
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Sem paz nem sono

Perspectiva de acusação de Janot passar na CCJ deixa Temer e governistas intranquilos

José Nêumanne

10 de julho de 2017 | 11h01

Zveiter, caras e bocas na condição de dono do destino da República. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Os jornais dão como certo em manchetes que Temer e sua base não acreditam mais na recusa da CCJ da Câmara da acusação por crime de corrupção do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vulgou Javou, contra o presidente. A verdade é que a acusação pode até ser frágil juridicamente, como dizem os juristas simpáticos à causa governista, mas a defesa, que contesta a gravação e a lógica dos fatos, é peça de ficção jurídica. O documento do PGR pode até mesmo ser contestado, mas não dá para contestar que, de fato, houve, a reunião com o bandoleiro do abate de bois Joesley nas circunstâncias em que ocorreu, violando o pudor e o resguardo de um chefe de Estado. Afinal, nem Temer o desmentiu.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 10 de julho de 2017, às 7h30m)

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Eldorado 10 de julho de 2017 Segunda-feira

Emanuel: A semana começa com a manchete do Estadão de hoje registrando que Temer já espera parecer a favor de denúncia na CCJ. O que aconteceu para reverter as expectativas do presidente?

Pois é. Parece que virá mesmo a aceitação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O voto do relator Sergio Zveiter (PMDB-RJ) será lido hoje, à tarde no colegiado. São necessários 34 votos para a aprovação do parecer – o colegiado é composto por 66 deputados.

Com a formação desse cenário, Temer, que antecipou em um dia a volta do G-20, realizado na Alemanha, reuniu ontem os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), no Palácio do Jaburu, para discutir a crise política. Ele ainda traçou estratégias com ministros e líderes governistas em encontro à noite no Palácio da Alvorada.

Acusação pode até ser frágil juridicamente, mas a defesa é peça de ficção jurídica. Janot, o Javou, pode ser contestado, mas não dá para contestar a reunião com o bandoleiro do abate de boi Joesley nas circunstâncias em que ocorreu, violando o pudor e o resguardo de um chefe de Estado.

Emanuel: A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, rejeitou ontem um mandado de segurança de deputados do PDT tentando suspender a tramitação da denúncia contra o presidente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Isso ajuda ou prejudica Temer?

O pedido foi protocolado no STF na quinta-feira, 6, e é assinado pelos deputados Afonso Antunes da Motta e André Figueiredo.

Para os deputados, era necessário suspender o andamento na CCJ até que o deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), presidente da comissão, pautasse para votação os pedidos protocolados sobre a convocação do procurador-geral da República Rodrigo Janot. A manobra dos pedetistas teve início após Pacheco se negar a ouvir Janot e afirmar que cabe à comissão apenas decidir de o STF pode ou não julgar a denúncia contra o presidente. Era uma manobra para a oposição ganhar tempo. Mas a estas alturas, pelo que conclui do noticiário do fim de semana, os dados já estão lançados. Principalmente depois das declarações dadas pelos tucanos paulistas.

Emanuel: Você se refere às declarações de Alckmin e Doria dadas na celebração da Revolução Constitucionalista de 9 de julho de 1932?

Após assistir ao desfile cívico em homenagem aos combatentes da Revolução Constitucionalista de 1932, na Capital, o governador adiantou que não vê motivo para o PSDB participar do governo depois da votação da reforma trabalhista, prevista para amanhã>

SONORA 1007 ALCKMIN

O prefeito de São Paulo, João Doria, também reiterou ontem que o PSDB, desembarque do governo do presidente Michel Temer, mas apoie as reformas em andamento no País.

SONORA 1007 DORIA

Tucanos querem dar impressão de que não se comprometeram com Temer, mas com as reformas. Mas a divisão entre os que estão no governo e os que não estão deixam claro que tudo não passa de cálculo para melhorar a posição crítica do partido em 2018. Para isso, o partido vai ter de providenciar o mais rápido possível o desembarque de Aécio, que espera sobreviver com acórdão com Temer, Lula, Dilma e outros alvos da Lava Jato. Gilmar deferiu pedido de Janot para prazo de mais 60 dias para inquérito contra Aécio, 8 processos no STF por interferência em investigações, lavagem de dinheiro, caixa dois e o suposto recebimento de propinas que Aécio é investigado. O tucano ainda tem contra si uma denúncia por corrupção passiva e obstrução de Justiça no caso JBS.

Emanuel: O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista a uma revista regional, que ainda não está claro o motivo pelo qual o empresário Joesley Batista, dono da JBS, fez a delação premiada à Procuradoria-Geral da República. Qual é a dele?

Em relação a Joesley, Lula está no lucro. O bambambã do corte de carne só denunciou Lula, Dilma, o PT e Guido Mantega sem apresentar provas. Apenas lorota. Agora que Palocci já entregou lacunas importantes na delação de Joesley, está na hora do MPF rever a premiação excessiva da patota da JBS.

“A palavra mágica agora é propina. Essa delação do Joesley… Ainda não está claro a serviço do que ele fez essa delação. A serviço do que? Só vai saber com o tempo”, afirmou o Lula à revista Nordeste  da edição do mês de julho.

Por que ele não conta quais as razões para dar dinheiro nosso a juros de pato pro bamba do abate virar o maior produtor e vendedor de proteína animal do planeta?

As declarações de Lula foram dadas no contexto em que o ex-presidente defendia o financiamento público para campanhas políticas. O petista criticou a influência do “poder econômico” nas eleições e chegou a dizer que nenhum candidato vendeu carro ou casa para disputar um pleito. “Todos pediam para empresário”, afirmou.

Tudo isso é secundário. Importa é acabar com essa farra do boi no financimento ilícito das campanhas.

Emanuel: Por que o Ministério Público Federal (MPF) partiu para o ataque à medida provisória 784, que cria a possibilidade de acordo de leniência entre instituições financeiras envolvidas em delitos e o Banco Central?

Para os coordenadores de três câmaras técnicas do MPF, a medida provisória é inconstitucional, foi editada sem amplo debate técnico e afasta a possibilidade de investigação criminal pelo Ministério Público. Publicada em 8 de junho no Diário Oficial, a MP já havia sido duramente criticada em um primeiro momento por procuradores da Operação Lava Jato, que viam na proposta brechas para que bancos eventualmente envolvidos em crimes escapassem de punição. Tecnicamente, a medida institui um novo marco punitivo aos bancos que cometerem delitos administrativos. Entre as novidades, porém, está o acordo de leniência, acessível inclusive por instituições que tenham cometido crimes no passado, no âmbito da Lava Jato. Ao responder às críticas, o Banco Central sempre defendeu que a nova legislação não prejudica a atuação do Ministério Público, nem recai sobre questões penais. Essa MP é um absurdo, pois permite o acordo de leniencia das instituições financeiras com o BC e de forma clandestina. O cidadão tem o direito de saber que instituições financeiras comenteram crime e escolher bancos honestos.
Esta história de crise de confiança não pode ser resolvida escondendo crimes. Isto é o que gera a desconfiança que aliás já está espalhada no Brasil. Acordo clandestino – Escondido – debaixo dos panos.
Ficar do lado do MInistério Publico e da transparência.
Sonia Racy publicou no fim de semana a nota Leniência em jogo A polêmica sobre acordos de leniência está longe de acabar. Coordenadores de três câmaras do MPF decidiram ontem ir à luta contra a MP – já editada – que autoriza BC e CVM a celebrarem esses acordos sem eles.
E soltaram nota ontem contestando
Estão todos no mesmo saco de farinha

Tesouro Nacional
Fazenda.
Receita Federal.
Cvm.
Anatel.
Bndes.
Petrobras.
Caixa Economica.
Banco do Brasil.
Fundos de pensão.
Na verdade querem escudar instituições finceiras corruptas do MP como quiseram escudar as empreiteiras.
O país roubado tem o direito de saber da roubalheira.
A estabilidade finannceira não pode ser obtida via esconder os crimes. E ocultar dos eleitores.

Emanuel: A morte de um torcedor do Vasco depois do clássico com o Flamengo em São Januário, o risco passado por crianças e famílias no velho estádio e a confusão de domingo antes do jogo do Botafogo contra o Atlético Mineiro no Engenhão domingo darão um basta na impunidade dos bandidos que se misturam às torcidas para bater e matar?

O procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Felipe Bevilacqua, informou que encaminhará a denúncia contra o Vasco da Gama ainda hoje, no mais tardar amanhã. Ele admite que, independentemente do julgamento, o estádio de São Januário poderá ser interditado a exemplo do que ocorreu em junho com o Serra Dourada, em Goiás. O Ministério Público do Rio de Janeiro também vai pedir, nesta segunda-feira, a interdição do estádio de São Januário. O promotor Rodrigo Terra ressaltou que o pedido do MP ocorre de forma distinta ao do STJD. De acordo com Terra, o objetivo do pedido de interdição é que sejam apresentados planos estratégicos de segurança para a realização de eventos no estádio. “É uma exigência do Estatuto do Torcedor que haja planos de ação para jogos e campeonatos. Vamos pedir a interdição até que estes documentos sejam apresentados, examinados e aprovados pela polícia militar” disse Terra, em entrevista ao Sportv.

Repórter da UOL Pedro Ivo Almeida, que socorreu uma criança passando mal com gás de pimenta, fez relato pungente e assustador. Falácia da torcida única. Tudo planejado antes.

No lado de fora do estádio, foi baleado e morto Davi Rocha, de 26 anos, que fazia parte da 9ª Família da Força Jovem do Vasco, da Zona Oeste do Rio. Morador de Santa Cruz, o ajudante de eletricista saiu de casa sozinho, mas teria integrado um comboio da torcida.

Antes do jogo entre Botafogo e Atlético-MG, no Estádio Nilton Santos, torcedores cariocas e mineiros entraram em confronto nos arredores do Engenhão, próximos à estação de Engenho de Dentro, da Supervia.

Eurico Miranda X PM estádio velho guerra política, impunidade absurda, já passou há muito da hora de agir.

SONORA Não se vá Jane e Herondy

https://www.youtube.com/watch?v=LqF-OhyaHVg Começar no 0:17

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