Rastros de destruição
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Rastros de destruição

Após chantagem de caminhoneiros e transportadoras na estrada pôs governo débil de joelhos e deixou sociedade desamparada e depauperada, presidente do STF vem com lorota de defesa do Estado de Direito

José Nêumanne

31 Maio 2018 | 12h01

Imagem na primeira página do Estadão revela face cruel do desabastecimento após a pane seca. Foto/Andre Penner/AP

“E a conta chegou. Paralisação dos caminhoneiros agoniza, mas deixa rastro de perdas que devem chegar a 75 bilhões de reais, além de comprometer o PIB, estimular greves e gerar inflação”. Este resumo do fim da paralisação dos transportadores, que causou as maiores pane seca e crise de desabastecimento da História, no alto da primeira página do Estadão de hoje, que está primorosa, é, ao mesmo tempo, duro, pungente e preocupante. Para completar, a até então silente presidente do STF, Cármen Lúcia, abriu a boca para desferir contra a população indignada um monte de truísmos patéticos sobre a contribuição do Judiciário à higidez do Estado de Direito no dia em que seu colega Gilmar Mendes disparou mais um petardo a favor da impunidade.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 31 de maio de 2018, às 7h30m)

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Assuntos do comentário da quinta-feira 31 de maio de 2018

1 – “E a conta chegou. Paralisação dos caminhoneiros agoniza, mas deixa rastro de perdas que devem chegar a 75 bilhões de reais, além de comprometer o PIB, estimular greves e gerar inflação”. Este resumo do fim do movimento no alto da primeira página do Estadão de hoje é, ao mesmo tempo duro, pungente e preocupante. Do jeito como andam as coisas nessa agonia sem fim e sem razão, quando o Brasil chegará ao fundo do poço?
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2 – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que 96 empresas transportadores paguem em até 15 dias multas somadas em 141,4 milhões de reais por terem desrespeitado sua decisão da última sexta-feira de desfazerem os bloqueios nas estradas juntamente com caminhoneiros. O valor equivale à multa de 100 mil reais por hora às empresas que provocaram o caos dos últimos dias. Ele exagerou?

3 – O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, informou que a polícia prendeu o suspeito de matar um caminhoneiro com pedrada em Rondônia, mas a própria Polícia Federal desmentiu seu superior hierárquico. O que explica a violência deflagrada no momento em que o movimento de paralisação começou a definhar e o que leva o ministro a se precipitar a ponto de depois ser desmoralizado?

4 – Como os petroleiros em greve desde ontem desobedeceram a decisão do Tribunal Superior do Trabalho, que decretou que a greve deles é ilegal, seus ministros decidiram no primeiro dia do movimento paredista aumentar a multa contra petroleiros de 500 mil para 2 milhões de reais por dia. Quem garante que essa multa será cobrada e paga e que punições poderão advir da desobediência às novas determinações do órgão máximo da Justiça trabalhista?

5 – Em que as investigações da Operação Registro Espúrio, da Polícia Federal, iniciada ontem, poderão contribuir para o combate da corrupção sistêmica no Brasil?

6 – No mesmo dia em que a Justiça mandou prender novamente Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, por descumprimento das determinações judiciárias, o ministro do STF Gilmar Mendes mandou soltá-lo. O que ele pretende com essa insistência?

7 – Pela primeira vez, o ex-governador Sérgio Cabral, que já pode entrar no Livro Guiness dos Recordes como o maior ladrão de dinheiro público da História acaba de ser condenado em 2ª instância. Em que isso muda a situação dele perante a Justiça?

8 – No meio desse inferno astral que cerca o País, o cerco ao presidente Michel Temer no escândalo das concessões no porto de Santos engrossa: segundo a Folha de S.Paulo, a Polícia Federal encontrou o que considera ser o primeiro elo financeiro entre o amigo dele, coronel João Baptista Lima Filho e uma das empresas acusadas de terem sido beneficiadas no decreto dele a respeito. A que essa revelação pode chegar?

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