Puxa-encolhe no populismo sem povo

Bolsonaro manteve decreto que permitirá parceria público-privada para concluir obras de UBS do SUS três dias depois de tê-lo editado e a 24 horas de ter recuado da decisão sob reprovação generalizada

José Nêumanne

30 de outubro de 2020 | 15h23

Com camisa do Sampaio Correa para tentar apagar agressão a homossexuais e maranhenses por causa de refrigerante Jesus, cor de rosa, popular no Estado Nordestina, Bolsonaro na live. Foto: Facebook

O presidente Jair Bolsonaro disse ontem, em live nas redes sociais, que deve reeditar o decreto para a inclusão de unidades básicas de saúde (UBSs) no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). O governo publicou o decreto com esse teor na segunda-feira, 26, mas recuou dois dias depois, após forte pressão da oposição e das redes sociais. A medida foi encarada pelos críticos como o início da privatização do Sistema Único de Saúde (SUS). No populismo sem povo do capitão puxa-encolhe ninguém é capaz de prever qual a decisão definitiva a ser tomada pelo chefão. O governo nega-se, por exemplo, a privatizar os Correios, cuja manutenção sob tutela estatal só tem função de cabide de emprego para os membros do Centrão, que são os verdadeiros donos do poder legitimados pelo voto que elegeu Bolsonaro contra eles.

 
Assuntos para comentário na sexta-feira 30 de outubro de 2020:

1 – Haisem – Bolsonaro diz que deve reeditar inclusão de UBS em privatizações – Este é o título de uma chamada na capa do Portal do Estadão. O que indica esse vaivém permanente do presidente da República em assuntos que dizem respeito ao cidadão mais desassistido e mais necessitado de atenção do Estado

2 – Carolina – Guedes fala no Congresso e ataca Marinho e Febraban – Este é o título de chamada no alto da primeira página da edição impressa do Estadão de hoje. A seu ver, o que explica essa permanente agressividade de muitos ministros tratando de assuntos que em qualquer outro país mereceriam mais cuidados

3 – Haisem – Tuíte de Salles sobre Maia expõe brigalhada política em Brasília – Este é o título de uma chamada no alto da primeira página da edição impressa do Estadão hoje. Por que, em sua opinião, o ministro do Meio Ambiente  usa seu tempo e a paciência do público para atacar um chefe de poder quando teria muito mais a fazer de prático e útil cuidando apenas da gestão da pasta

4 – Carolina – Paulinho da Força vira réu por suposta propina da J&F – Este é o título de uma chamada na capa do Portal do Estadão. Decisões desse gênero da Justiça representam um alento de que o conluio dos três Poderes ainda não conseguiu extinguir o legado da Operação Lava no combate à corrupção no Brasil

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.