Propinas e prostitutas
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Propinas e prostitutas

Revista revela contabilidade paralela da propina da JBS para políticos do governo e da oposição

José Nêumanne

31 Julho 2017 | 12h18

Temer cochicha com pareceiro Aécio, para manter rabos de palha imunes Foto: Dida Sampaio/Estadão

A Revista Época desta semana publicou provas que os delatores da JBS entregarâo à Procuradoria-Geral da República, para comprovar, segundo eles, o pagamento de propina a políticos, de 2006 a 2017. Entre eles, o presidente Michel Temer, os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, e o candidato do PSDB à Presidência em 2010, José Serra. Estas revelações, é claro, têm grande impacto político sobre a imagem de Temer perante a população, mas esse impacto se anula no debate jurídico. Afinal, o presidente só pode ser incriminado por atos cometidos no exercício da Presidência e não é o caso. É o caso, sim, do encontro com Joesley no Jaburu, mas Temer, absolvido juntamente com Dilma no TSE por excesso de provas na campanha, não terá dificuldade jurídica para contestar a gravação dele baseando-se na fragilidade dessa prova.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 31 de agosto de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário

Eldorado 31 de julho de 2017 – Segunda-feira

A reportagem exclusiva de capa da revista Época, assinada por Diego Escosteguy, sob o título As Provas da JBS resolve definitivamente o impasse entre a delação premiada de Joesley Batista e a contestação feita a ela pela defesa do presidente da República?

A Revista Época desta semana publicou algumas das provas que os delatores da JBS vão entregar à Procuradoria-Geral da República, que comprovariam, segundo eles, o pagamento de propina a políticos de vários partidos, entre 2006 e 2017. Entre eles, o presidente Michel Temer, os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, e o então candidato do PSDB à presidência, em 2010, José Serra.

Segundo a revista, comprovantes bancários, notas fiscais frias, contratos fraudulentos e depósitos em contas secretas no exterior são as provas dos pagamentos ilícitos a políticos.

Época diz ainda que de 2006 a 2017, a contabilidade da propina paga pela JBS e outras empresas dos irmãos Batista a políticos ultrapassa o valor de R$ 1,1 bilhão.

Desse valor, segundo a reportagem, R$ 301 milhões foram repassados em dinheiro vivo, R$ 395 milhões por meio de empresas indicadas pelos políticos e R$ 427,4 milhões em doações oficiais de campanha.

A reportagem dividiu os pagamentos por núcleos: o núcleo Michel Temer, por exemplo, teria recebido ao todo: R$ 21,7 milhões. Dinheiro distribuído para aliados políticos e amigos em campanhas eleitorais ou fora delas, desse valor, R$ 1 milhão foi repassado em dinheiro vivo ao coronel João Batista Lima, amigo de Temer, a pedido do então vice-presidente, conforme relato do delator Ricardo Saud da JBS.

“O Temer me deu um papelzinho e falou: “olha Ricardo, tem 1 milhão que eu quero que você entregue em dinheiro nesse endereço aqui”. Me deu o endereço. Na porta do escritório dele, na calçada, só eu e ele na rua, na Praça Pan-Americana. Eu peguei e mandei o Florisvaldo lá, falei: “vai lá saber o que que é isso””, diz o delator.

É claro que estas revelações têm grande impacto político sobre a imagem de Temer perante a população, mas esse impacto é ilusório do ponto de vista jurídico. Afinal, o presidente só pode ser incriminado por atos cometidos no exercício da Presidência e não é o caso. É o caso sim o encontro com Joesley no Jaburu, mas Temer conseguiu ser absolvido junto com Dilma no TSE por excesso de provas na campanha não terá dificuldade jurídica para contestar a tal gravação baseando-se na fragilidade dessas provas

Mas o impacto político não é agravado com  a apresentação da documentação que incrimina gente importante, além do presidente, com gabinetes próximos ao dele no Palácio do Planalto?

De fato, cinco ministros do governo Temer receberam R$ 46,7 milhões, segundo a JBS. Para o núcleo do chamado Centrão, foram R$ 138 milhões, usados nas campanhas eleitorais de 2010 e 2014 para comprar partidos, que hoje defendem Temer no Congresso, segundo a JBS.

Para o PMDB do Senado, foram R$ 29,1 milhões, divididos por cinco senadores da cúpula do partido. Um deles seria o atual presidente do senado, Eunicio Oliveira. A reportagem mostra uma nota fiscal que seria fria de uma empresa de Salvador, que, segundo delatores, teria sido usada no repasse do dinheiro a Eunício.

Para o PMDB da Câmara, foram R$ 55,5 milhões. Para o núcleo do PT, de acordo com a contabilidade da JBS, foram repassados US$ 151 milhões no exterior e R$ 111,7 milhões no Brasil, esse dinheiro foi propina paga em troca de financiamentos à empresa, obtidos no BNDES.

Todas essas figuras estão protegidas pelo foro privilegiado, que é uma praga inaceitável na intolerância pela corrupção demonstrada pelo povo brasilieiro.

A reportagem traz trechos dos extratos de duas contas no exterior que teriam sido usadas, segundo a JBS, para depositar a propina do PT, durante os governos de Lula e de Dilma Rousseff. Esse dinheiro teria sido usado na campanha à reeleição de Dilma em 2014. Esses documentos resolvem as dúvidas sobre o favorecimento de Joesley ao padrinho na delação?

A revista também revela repasses feitos a pedido do ex-ministro petista Antonio Palocci. Na contabilidade da JBS, há registro de dez depósitos de US$ 100 mil, cada, na conta de um banco nos Estados Unidos, cujo beneficiário é o pastor Samuel Ferreira. De acordo com os registros da JBS, o dinheiro saia de uma conta da empresa a pedido de Palocci. A ligação entre Palocci e o pastor Samuel Ferreira ainda terá que ser investigada. O valor da prova depende da comprovação dessa relação na investigação ainda a ser feita

A documentação apresentada por Joesley ainda não traz provas incontestes contra os ex-presidentes petistas. E, sobretudo, sobre o uso indevido e criminoso de recursos do BNDES para favorecer os tais campeões mundiais, inclusive e principalmente os irmãos Batista.

E o que dizer das provas apresentadas contra o PSDB?

Para o PSDB, foram repassados R$ 42,2 milhões, nas campanhas de 2010 e 2014, de acordo com a planilha da JBS.

A reportagem mostra ainda um recibo da empresa LRC Eventos, indicada pela campanha de José Serra, que teria sido usado para dar fachada de legalidade à uma doação ao tucano em 2010, segundo delatores.

Como o presidente Temer está se preparando para enfrentar a batalha contra a acusação de Janot no plenário da Câmara dos Deputados, marcada inicialmente para depois de amanhã?

Na reta final para a votação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), por corrupção passiva, que pode afastá-lo do mandato, o presidente Michel Temer intensificou a ofensiva política e de imagem na tentativa de se manter no cargo. Depois de divulgar três vídeos nas redes sociais exaltando medidas do governo nos últimos dias, o presidente esteve ontem no Rio para capitalizar politicamente a ação das Forças Armadas no combate à violência na cidade e na Região Metropolitana.

SONORA 3107 TEMER

Temer interrompeu sua maratona em busca de votos na Câmara para reunir ministros e autoridades do Rio para dizer que a operação das tropas federais, iniciada na última sexta-feira, já “diminuiu enormemente o índice de criminalidade, especialmente no tópico do roubo de cargas”. O efeito pode ser mesmo tão rápido assim?

Temer não apresentou números na ocasião, mas um levantamento nos registros da Polícia Civil mostra que as ocorrências desse crime, embora ainda muito elevadas, caíram: houve 30 roubos de carga na sexta-feira e no sábado, contra 43 ocorrências nos mesmos dias da semana passada, uma redução de 30%. A operação de tropas federais no Rio começou na última sexta-feira por volta de 14h.

SONORA 3107 JUNGMANN

Temer está muito ansioso para divulgar dados favoráveis à sua administração. Por enquanto, ele tem sido muito enfático e pouco convincente.

Que história sórdida esta do uso de prostitutas como propina que o Fausto Macedo está revelando, hein?

A Justiça da Espanha negou o pedido do Brasil para extraditar o ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran. Ele havia sido detido em Madri em novembro do ano passado. Mas, por contar com dupla nacionalidade, recorreu para evitar ter de responder aos crimes no Brasil.

Numa entrevista publicada nesta semana pelo jornal El País, na Espanha, o suspeito conta como a Odebrecht lhe ofereceu 15 anos de salários se ele aceitasse delatar.

Ao diário espanhol, porém, ele revelou que a construtora brasileira distribuiu propinas para mais de mil pessoas em diversos países do mundo e descreveu os bastidores de prostituição para convencer políticos a dar contratos para a empresa brasileira.

Também é grave a revelação que Tacla fez de que rejeitou a oferta da Odebrecht para fechar um acordo de delação premiada. “Os promotores do Brasil querem que eu reconheça crimes que não cometi”, afirmou.

Segundo ele, porém, a empresa pagava propinas do funcionário mais baixo da administração até presidentes e chefes de governo. No caso do Brasil, ele garantiu que era a Odebrecht quem ‘sugeria as obras que seriam incluídas nos planos do governo’.

O acordo, segundo ele, passava por João Santana, marqueteiro das campanhas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014).

Sobre propinas no exterior, ele garante que a Odebrecht ‘também organizava festas’.
“Mandava mulheres do Brasil para festas com políticos. Mas isso também se tornou uma chantegm”, contou, revelando que sempre ‘havia alguém para fotografar cenas comprometedoras’.

O esquema de corrupção, incluindo lenocínio, um nojo só

A votação para a Assembleia Constituinte na Venezuela ontem foi marcada por uma elevada abstenção, protestos e ao menos dez mortes.

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE), controlado pelo chavismo, anunciou na madrugada de hoje que 8.089.320 pessoas participaram da votação, 41,53% dos 19,5 milhões de eleitores. Normalmente, as eleições venezuelanas registram uma média de 70% de participação. A oposição, que boicotou a votação, qualificou o processo de fraudulento e assegurou que houve apenas 12% de participação.

Pesquisas de opinião indicam que 70% dos venezuelanos são contra a Assembleia Constituinte, que a oposição considera uma manobra de Maduro para se perpetuar no poder. A baixa participação prejudicaria a legitimidade da Constituinte. Mais de 7 milhões de pessoas participaram do plebiscito não oficial organizado no início do mês pela oposição e rejeitaram de forma esmagadora a proposta do governo.

O governo brasileiro já avisou não vai reconhecer o resultado da votação para a Assembleia Constituinte na Venezuela. México, Colômbia, Panamá, Argentina, Costa Rica, Peru, Paraguai, Espanha e Estados Unidos anunciaram que não vão reconhecer a legitimidade dos resultados da votação da Assembleia Constituinte promovida pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

SONORA Caminhos do Brasil Chico Salles