Por que generais se incomodaram

Moro disse em seu depoimento no inquérito de acusações contra Bolsonaro que três generais ministros testemunharam pressões para demitir diretor da PF e eles ficaram incomodados, então ex-juiz não mentiu

José Nêumanne

05 de maio de 2020 | 19h32

Moro foi grande trunfo de Bolsonaro para mostrar ao eleitorado que o apoiou pelo combate à corrupção seria cumprido no governo, mas logo se viu que era estelionato eleitoral. Foto: Adriano Machadoi/Reuters

Segundo Moro disse em depoimento, Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno Ribeiro (Gabinete de Segurança Institucional) e Walter Braga Neto (Casa Civil) estavam presentes quando o presidente ameaçou demiti-lo por resistir a uma troca no comando da PF. Ontem o procurdor-geral da República, Augusto Aras, pediu ao decano do STF, Celso de Mello, para ouvir os três, que, conforme Moro, presenciaram o encontro no dia 23 de abril. O trio tem manifestado revolta contra o ex-juiz da Lava Jato e a assessoria jurídica do Planalto aconselhou silêncio. Se a reunião está gravada e o vídeo for executado, os três generais não poderão mentir. Se isso os incomoda, a futrica vazada na sede do poder da República pegou mal. Mas já deixa claro que Moro disse a verdade. Se tivesse mentido, eles não se incomodariam.

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Assuntos do comentário da terça-feira 5 de maio de 2020:

1 – Haisem – PGR quer ouvir três ministros militares citados por Moro – Esta é a manchete da edição do Estadão hoje – Você já tem algo a dizer sobre as prioridades do procurador-geral da República, Augusto Aras, em que o acusado, o presidente da República, Jair Bolsonaro, não é sequer cogitado para dar seu depoimento

2 – Carolina – Como você interpreta o pedido da defesa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro para quebrar o sigilo do depoimento que o acusador deu sábado na Polícia Federal de Curitiba

3 – Haisem – Agressão à imprensa é intolerável, diz Defesa – Que comentário você tem a fazer a respeito da nota oficial distribuída ontem pelo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, sobre a atitude rancorosa e estúpida dos participantes da carreata da morte pró-ditadura e a favor de Bolsonaro

4 – Carolina – Qual é o tom do principal editorial do Estadão hoje, intitulado Selvagens simplesmente, a respeito da agressão do repórter fotográfico Dida Sampaio e do motorista Marcos Pereira, ambos do Estadão e que trabalhavam na cobertura do ato público antidemocrático de domingo 3 de maio

5 – Haisem – O que você argumenta no artigo semanal O contragolpe do capitão de milícias, publicado hoje no Blog do Nêumanne do Portal do

Estadão

– Carolina – Flávio Migliaccio morre aos 85 anos – é o título da primeira página da edição de hoje do Estadão sobre a morte do ator consagrado no cinema e na televisão brasileiros. Que destaque você daria ao fato

 

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