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Para Bolsonaro, o que é público é dele

"Moro, você tem 27 superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio", disse presidente para justificar intervenção interpretada como política pelo interlocutor, seu ex-ministro da Justiça, que o denunciou

José Nêumanne

07 de maio de 2020 | 18h44

Ao pressionar Moro para  mudar superintendente da PF do Rio, Bolsonaro  bater todos os recordes de confusão de público e privado. Foto: Dida Sampaio/Estadão

“Moro, você tem 27 superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio”, disse o presidente da República, Jair Bolsonaro, a seu ex- ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, conforme revela mensagem por WhatsApp que este entregou à delegada da PF e a três procuradores em depoimento tornado público ontem, a pedido do depoente com a anuência do procurador-geral Augusto Aras e autorização do ministro Celso de Mello, decano do STF. A frase, reproduzida em destaque por todos os meios de comunicação hoje, é completada com o sugestivo e chocante uso do pronome adequadamente possessivo na primeira pessoa do singular: “Meu Estado”. Trata-se da forma mais explícita com que um governante misturou o público, não só do privado, mas com a posse. Uma matéria-prima para o grande cientista social Raimundo Faoro no seu clássico “Os Donos do Poder”. Apesar de as narrativas fascibolsonaropetistas insistirem que o ex-juiz da Lava Jato fracassou como homem-bomba, só essa frase bastaria para definir o depoimento como bombástico. Só não basta porque os eventuais defensores do Estado de Direito contra arreganhos golpistas dele se acovardam. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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