…e dane-se o povo!
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…e dane-se o povo!

Povo abandonado acompanha notícias da elite dirigente, que só trata de seus exclusivos interesses

José Nêumanne

04 de outubro de 2017 | 11h16

Militante petista estende faixa de Fora Temer defronte a Petrobrás, que Lula quebrou Foto: Bruno Kelly/Reuters

As primeiras páginas dos jornais de hoje só destacam fundamentalmente assuntos de interesse da elite política dominante. O Senado trata de livrar Aécio e os outros coleguinhas suspeitos de furto; a Câmara, de perdoar as dívidas dos deputados caloteiros; e Temer, de salvar a própria pele. Quando os Poderes da República voltarão a tratar, como deveriam, do povo, que amarga a pior crise econômica, moral e política da História do País? Até quando esse cinismo vai preponderar e a sociedade assistirá passivamente este estado de coisas lamentável, que mantém o cidadão e contribuinte acorrentado a uma situação deplorável das contas e da moral públicas? Na verdade, esta é a moral deste instante cada dia repugnante.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – da quarta-feira 4 de outubro de 2017, às 7h30m)

Para ouvir clique aqui e, em seguida, no play

Para ouvir Nessun dorma, de Puccini, com Luciano Pavarotti, clique aqui

Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 4 de outubro de 2017 – Quarta-feira

As primeiras páginas de todos os jornais desta segunda-feira tratam fundamentalmente de assuntos de interesse da elite política dominante. Quando os Poderes da República voltarão a tratar, como deveriam, do povo, que amarga a pior crise econômica, moral e política da História?

Esta é  a triste realidade de nossa hora. O noticiário doe meios de comunicação tratam do trio elétrico de 40 deputados federais que foram ao Palácio do Jaburu e, depois, ao Planalto, para ouvirem afagos e promessas do presidente da República para que um terço deles impeça que ele seja investigado por delitos de que foi acusado, não por um inimigo, por um adversário político, mas, sim, por um funcionário de carreira de uma instituição do Estado, o procurador-geral da República Rodrigo Janot, que, aliás, nem mais no cargo está. O Senado da República trata da rebelião interna dos parlamentares acusados de corrupção para evitar que a cúpula da Justiça atravesse a carapaça inoxidável de um deles, que já foi um membro da alta direção dos negócios republicanos e hoje para o povo não passa de um pária público, um cadáver político, Aécio Neves. Enquanto isso, os deputados federais votaram um perdão a dívidas de contribuintes sonegadores, entre eles os próprios ilustres próceres da Pátria. O máximo de concessão que fizeram a patuléia foi impedir que suspeitos de corrupção gozassem do mesmo benefício, que, aliás, seja como for, foi, é e será sempre uma cusparada na cara do cidadão honesto que mantém seus impostos em dia e rotineiramente recebe correspondência agressiva e maldita da Receita Federal reclamando de detalhes irrelevantes de sua relação com o Fisco para aumentar o bolo da arrecadação para o Estado poder financiar campanhas eleitorais milionários e financiadas por propinas polpudas pagas por fornecedores de obras e serviços públicos. A União trata de investigar e processar a fraude na Bolsa pescador, numa demonstração de que o combate à corrupção pela polícia e pela Justiça ainda enfrenta novidades, por mais que se tente em alguns aparelhos do Estado por fim à impunidade da casta dirigente que continua mamando e roubando como antes na repartição de Abrantes. O retrato mais completo do desmazelo ainda é dado na primeira página do Estadão de hoje que relata o Estado de abandono da conservação de ruas e calçadas, dos sinais luminosos de trânsito e de outros equipamentos pela Prefeitura Municipal da maior cidade do país, cujo titular corre de seca a Meca para vender sua imagem de opção viagem aos suspeitos de sempre que disputarão cargos importantes, inclusive a Presidência da República, na sucessão do ano que vem. Até quando esse cinismo vai preponderar, até quando a sociedade vai assistir passivamente esse estado de coisas lamentável, que mantém o cidadão e contribuinte acorrentado a uma situação deplorável das contas e da moral públicas? Bem, feito o desabafo, vamos ao noticiário do dia.

Depois de ameaçar explodir a bomba terrorista de uma crise institucional comprando uma briga com o Supremo Tribunal Federal para manter Aécio Neves no Senado, o Senado recuou e, por expressiva votação, marcou a reunião para debater e votar a questão depois do feriado. Como foi isso?

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (3) rejeitar o mandado de segurança impetrado pela defesa do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que pretendia suspender o afastamento do tucano das funções parlamentares até o julgamento pelo plenário do STF de uma ação que trata da aplicação de medidas cautelares a políticos.

A discussão dessa ação está marcada para o dia 11 de outubro.

O afastamento de Aécio deve passar pelo crivo do Senado. Por 50 votos a 21, os senadores resolveram adiar, mais uma vez, a sessão na qual a Casa decidiria se acataria ou não decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal que determinou o afastamento de Aécio Neves (PSDB-MG) do Senado. O colegiado ainda chegou a determinar o recolhimento noturno do tucano. O tema será discutido em sessão no dia 17 de outubro.

O resultado pôs fim ao debate acalorado entre parlamentares que tomou conta do plenário nessa terça-feira. O senador Renan Calheiros, do PMDB, chegou a declarar que adiar a votação era o mesmo que “dissolver o parlamento”.

[SONORA: Renan Calheiros – Sonora.mp3]

Ouvir Renan Calheiros deblaterando contra a possível punição da Justiça a um colega com nove processos a responder no Supremo porque, como ele goza de foro privilegiadíssimo, de vez que somente os próprios pares, muitos deles tão ou mais implicados do que ele, se julgam no direito de permitir, provoca espanto e náusea incomuns. É o caso de Renan réu ainda mais pródigo do que Aécio e Lula, um com nove e o outro com seis. Valha-nos Deus, Nosso Senhor, do cinismo dessa choldra.

Mas não pensei o ouvinte da Eldorado que ele é único e isolado. Ontem muitos outros manifestaram-se. O líder do governo, outro campeão em investigações, que envolvem filhos e até enteados, Romero Jucá, orgulha-se de ter pegado o avião em Boa Vista, Roraima, e viajado doente para votar pela impunidade do adversário, que virou aliadíssimo de última hora. E o que dizer de Jader Barbalho, que já teve de renunciar a um mandato de senador por acusações de furto, voltou ao Congresso pela Câmara, está de novo no Senado depois de abençoado por meia dúzia de prescrições de processos como presente de aniver´sario nos 70 anos. Ele como os Bourbons definidos por Talleyrand, nada esqueceu e nada aprendeu. Vamos ouvir Sua Excelência, o prescrito:

[SONORA: Jader Barbalho – Sonora.mp3]

Essa gente não se emenda e a cada nota de dinheiro público rasgado vem um flash como no piscinão de Ramos da novela da Globo. Vôte!

E que tal a procissão dos candidatos a emendas orçamentárias e perdão de dívidas com a União que desfilou de um lado para outro na Praça dos 3 Poderes para evitar que os morcegões de toga do Supremo investiguem o dr. Michel Miguel, hein?

Na estratégia para tentar barrar a segunda denúncia por obstrução da Justiça e organização criminosa na Câmara, o presidente Michel Temer abriu nesta terça-feira, 3, o Palácio do Planalto e recebeu, de acordo com a última agenda oficial divulgada, 43 parlamentares. Nesta lista, porém, não constavam os políticos que foram ao palácio “de última hora” e não estavam relacionados, como Beto Mansur (PRB-SP).

Houve também deputados que constavam da agenda, mas disseram que não iriam ao Planalto, como os tucanos Shéridan (RR) e Nilson Leitão (MT). Em maratona de mais de 12 horas, o presidente se reuniu, conforme a agenda oficial, com 42 deputados federais e um senador. A última audiência começou às 22h20. O presidente deixou o palácio às 23h45.

Logo cedo, diante das críticas aos compromissos “turbinados”, Temer usou as redes sociais para justificar a série de reuniões e rebateu a denúncia apresentada pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. O presidente disse que o “diálogo é fundamental para a harmonia entres os Poderes” e afirmou que iria “conversar com representantes de todos os partidos da base, de todas as regiões do Brasil”, acrescentando que esta “é uma rotina” que sempre manteve.

O cinismo do chefe do governo não se limite a comprar votos com dinheiro público e perdoar dívidas públicas para se livrar de uma investigação. Vamos combinar que, se não tivesse culpa no cartório, não tinha por que fugir da policia e da justiça, era só se explicar. Ele também se dar ao luxo de mentir descaradamente para o povo. Que vergonha desse presidente!

Segundo o Valor Econômico de ontem,  “controladores da JBS sob pressão dos minoritários” diz que a Associação dos Investidores Minoritários abriu no início de agosto um pedido na Câmara de Arbitragem contra os controladores da JBS por conta de possíveis prejuízos causados aos acionistas pela administração liderada pelos irmãos Wesley e Joesley. Isso pode, José?

Diz o advogado da JBS.”Tudo que existe de errado está reunido ali. Há acusações de insider trading, de manipulação de mercado e de que o conselho não representa o interesse da companhia, só dos controladores”.

O advogado da JBS também quer o BNDES no processo e afirma “Acho que o BNDES tem obrigação moral, como gestor de recursos do povo brasileiro, de se juntar na autoria da arbitragem”.

Valporto também criticou a CVM no que se refere a possíveis ações que poderiam ser tomadas contra a empresa. “É uma empresa do Novo Mercado que não respeita absolutamente nada”

Valporto tem razão a CVM só faz a agenda do governo. A CVM não protegeu os acionistas minoritário, que é sua função básica, da JBS, da Brasken, da Petrobras e da Oi. Bastou o presidente da JBS acusar o presidente Temer que a CVM teve uma atuação relâmpago. Blitzkrieg.  Em poucos meses Joesley e Wesley já estavam presos.

Certo estava o ministro Luis Eduardo Barroso ao afirmar que: “Ninguém tem dúvida de que a JBS vai virar terra arrasada. Já está lá a Polícia Federal, a Receita Federal, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). De repente, todo mundo descobriu a JBS. É um Estado rancoroso e vingativo.”

Lauro Jardim, em sua coluna de hoje, diz que o presidente Temer e Kassab estiveram com Nelson Tanure e Helio Costa, em um “encontro fora da agenda” e que “explicaram rapidamente a situação da Oi e sua tentativa de sair do buraco em que se encontra”.

Certamente não foram lá dizer para o Temer e Kassab  que vão pagar a dívida de 20 bi com a Anatel.

Temer está dedicado a reunir forças políticas para rejeitar a denúncia.

Parafraseando Puccini que escreveu Nessun Dorma. Neste evento Puccini teria escrito: Nessun Gratuito.

Ninguém está nisto de graça. E nós pagamos a conta e garantimos o sono dessa canalha.

SONORA Nessun Dorma de Puccini com Luciano Pavarotti

https://www.youtube.com/watch?v=VATmgtmR5o4

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