O “migué” de Joesley
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O “migué” de Joesley

Marx acusa Joesley de ter usado delação premiada contra Temer para economizar 1 bilhão em multas

José Nêumanne

15 Agosto 2017 | 13h20

Joesley deixando, no último dia 9, a PF de São Paulo, aonde foi depor. Foto: Werther Santana/Estadão

O procurador federal Ivan Marx, de Brasília, acusou o delator premiado Joesley Batista de ter proposto ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com homologação do ministro Edson Fachin, do STF, delatar vários acusados de receberem propinas de seu Grupo J&F, entre os quais o presidente Temer, para deixar de ser punido por graves crimes financeiros cometidos contra a União. Responsável pela Operação Bullish, Marx disse que Joesley foi beneficiado ao deixar de repor ao erário pelo menos R$ 1 bilhão em empréstimos favorecidos do BNDES. Até agora, Janot e Fachin têm alegado publicamente que o prêmio considerado excessivo por todos os outros brasileiros compensou. Mas isso não se confirmou.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na terça-feira 15 de agosto de 2017, às 7h30m)

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Eldorado 15 de agosto de 2017 – Terça-feira

SONORA Inútil Ultraje a rigor

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O procurador Ivan Marx, do Ministério Público Federal (MPF) em Brasília, afirmou que o empresário Joesley Batista e executivos do Grupo J&F esconderam, em suas delações premiadas, crimes praticados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Será que ele tem razão e em que pode dar essa descoberta?

Apesar da imunidade penal obtida pelos delatores no acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Marx disse que pretende apresentar denúncia pelos delitos e cobrar R$ 1 bilhão a mais da companhia por prejuízos ao erário. Responsável pela Operação Bullish, que mira nos negócios do banco com o grupo, Marx afirmou que as fraudes em aportes bilionários feitos no conglomerado estão demonstradas na investigação. “Onde eu digo que eles estão mentindo é no BNDES. A Bullish apontou mais de R$ 1 bilhão de problemas em contratos. Os executivos vão lá, fazem uma delação, conseguem imunidade e agora não querem responder à investigação”, disse a Fabio Fabrini e Fabio Serapião do  Estado.

As delações dos executivos da J&F, que controla a JBS, serviram de base da denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva. A Câmara vetou o prosseguimento da acusação. Janot, porém, deverá oferecer uma outra denúncia contra o peemedebista, com as delações como um dos elementos, por obstrução da Justiça e organização criminosa.

Entre 2005 e 2014, o BNDES aportou R$ 10,63 bilhões na J&F para viabilizar a aquisição de outras companhias, o que a transformou em líder mundial no segmento de proteína animal. A política foi amplamente adotada nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

A denúncia do procurador é óbvia e todo brasileiro sabe disso. Mesmo assim, Janot e Fachini homologaram a delação de Joesley só pra pegar o Temer. O que Temer fez é grave, merece punição, mas não dá para perdoar 2 mil anos de pena e esquecer o que foi feito no BNDES durante o mandarinato do PT. Está mais do que na hora de abrir essa caixa preta, mesmo que comprometa a imunidade dada pelo MPF e pelo STF a Joesley. Janot e Fachin devem explicações sobre isso. E Marx não deixa dúvidas a respeito dessas evidências.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima revelou nesta segunda-feira, 14, que o ex-assessor especial de Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, convidou a força-tarefa da Operação Lava Jato de Curitiba para encontrar o presidente no Palácio do Jaburu, antes do impeachment de Dilma e quando Temer ainda era vice-presidente. E agora, Michel?

Segundo o procurador, o convite ocorreu em 2016 durante um evento da Associação Nacional dos Procuradores da República, em Brasília.

“Nós estávamos recebendo um prêmio, em Brasília. Houve um emissário do presidente, que não era presidente ainda, que nos convidou no Palácio. Nós acreditamos que não era conveniente, porque naquele momento não havia porque conversar com o presidente ou eventual presidente. Nós acreditávamos que esse tipo de reunião naquele momento não haveria uma repercussão positiva para a Lava Jato”, afirmou.

Segundo o procurador, o emissário era Rocha Loures, pivô da crise política na qual mergulhou o presidente – o ex-assessor foi flagrado e filmado com uma mala preta estufada com R$ 500 mil em propina viva do grupo JBS, dinheiro supostamente destinado a Temer, segundo a Procuradoria-Geral da República.

A revelação não altera muito a situação de Temer perante a Justiça, mas é mais um exemplo de como o presidente despreza a transparência. Isso ficou demonstrado nos encontros com Joesley, Gilmar Mendes e Raquel Dodge. Essa mania de se encontrar na calada da noite e fora da agenda não é apenas folclórica. Também explica aquela mania de tapar a boca quando segreda alguma coisa para alguém. Aliás, como dizia vovó, quem cochicha o rabo espicha. E não se deve fazer perto de fogo, porque aí, o rabo, que é de palha, pega fogo.

A Câmara dos Deputados adiou para a semana que vem a previsão de votar, em plenário, as novas regras eleitorais. Quer dizer que a conspiração do distritão e dos fundilhos não é tão unânime assim?

Ppos então. artidos da base governista, sobretudo do Centrão, demonstraram resistência às mudanças discutidas na reforma política. Os deputados devem concluir nesta terça-feira, 15, os trabalhos da comissão especial, que trata do fundo público de R$ 3,6 bilhões para custear as campanhas e a mudança do sistema de votação para o chamado distritão.

O prazo inicial de votar o relatório de imediato em plenário, na noite desta quarta-feira, 16, atrasou. Para aprovar o texto, seriam necessários 308 votos, o que está cada vez mais incerto. Oba! Vamos comemorar!

Depois de uma frente de partidos, principalmente da oposição, ter feito campanha contra a mudança do sistema de votação para o distritão, siglas da base governista aderiram ao movimento. PR, PRB e PV fecharam questão contra o sistema em que apenas os parlamentares mais votados de cada Estado são eleitos – atualmente, as vagas são distribuídas por meio de um cálculo que leva em conta os votos dos deputados e os recebidos na legenda. Também há resistência ao modelo nas cúpulas do PP e do PSD.

“Distritão votamos contra. O fundo ainda vamos discutir, mas há uma tendência para ir contra no meio da bancada”, disse o presidente nacional do PRB, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Marcos Pereira. A história toda está na página 6 do Estado hoje em reportagem de Filipe Frazão e Isadora Peron. Vale a pena ler.

Mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), rebateu as críticas ao distritão e disse que o sistema, como um modelo de transição, “não é tão ruim assim”. “Eu acho que se a gente tiver uma transição, com o distrital misto em 2022, a gente deu um grande passo e conseguiu construir, a médio prazo, um modelo que vai conseguir dar racionalidade ao sistema brasileiro”, afirmou. Rodriguinho pensa que só ele e papai César são sabidos. Nós somos todos imbecis. Será que não somos, Haisem?

Normalmente essas dissidências sempre ocorrem na hora de partilhar o butim do furto. Planejar o assalto é uma coisa. Dividir o resultado é outra. Ainda bem que isso acontece. Mas está longe de ter sido afastado o perigo. O distritão é um golpe das elites dirigentes dos partidos para tungar o cidadão e deixá-lo cada vez mais longe do poder enquanto os chefões gozam do bem bom das propinas e da impunidade.

É por isso que a disputa sobre o controle das verbas do fundo eleitoral está dificultando a aprovação da tal da reforma política?

Sim, Haisem. Líderes do Centrão e de legendas menores estão em desacordo com a proposta de estabelecer uma reserva de valores entre as candidaturas majoritárias (prefeito, governador e presidente). Eles querem ratear os recursos segundo os próprios interesses e estratégias eleitorais. Por isso, segundo um dos deputados que integram a cúpula da comissão, passaram a ameaçar a votar contra o distritão, como retaliação. Tomara que votem. Bancadas como a do PSDB, DEM e PSD devem fazer reuniões nos próximos dias para discutir como votar sobre os dois principais pontos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 77 de 2003, que deve ser a primeira a chegar ao plenário. A repercussão negativa da destinação de R$ 3,6 bilhões dos cofres públicos para custear campanhas também fez alguns parlamentares recuarem.

“Nós não temos posição consolidada sobre o fundo. Estamos numa escolha de Sofia. Tanto o financiamento privado (de empresas) quanto o público foram rejeitados. Temos que pensar se a transparência no processo democrático vale esse custo”, disse o líder do DEM, deputado Efraim Filho (PB), favorável ao distritão. Não dá para pensar em baratear campanha, não, Efraim? Na verdade, esse fundilho só vai preservar o foro privilegiado letárgico do congresso. Só recebem o fundo os que já estão lá e que foram eleitos com recursos ilegais. Entáo, seria um fundo para preservar os defeitos anteriores das eleições, as mentiras. Fundo para financiar a impunidade O relatório em debate, de autoria do deputado Vicente (nada)  Cândido (PT-SP), estipula que os recursos para financiar campanhas sejam equivalentes a 0,5% da Receita Corrente Líquida, o que a equipe econômica do governo considera problemático em tempos de ajuste fiscal.

Vieira Lima cobrou que partidos que votarem contra o fundo abram mão de receber a verba, caso a proposta seja aprovada. “Quem estiver resistindo ao fundo, que não aceite depois, mesmo que aprove. É muito bonito criticar e receber o benefício. Qualquer coisa diferente disso é demagogia barata”. Nâo é uma gracinha da mamãe esse anjo barroco com cara de porco?

Abordo esse assunto no artigo Em benefício do infrator, no blog. No fim de semana saiu uma foto desse irmão de Geddel comendo pão de queijo, tão pornográfica quanto as de seu irmão de opa Carlos Marun e da senadora Fátima Bezerra no churrasquinho de laje em que a senhora gópi e dona Gleisi transformaram a votação da reforma trabalhista no Senado. O Brasil é mesmo o paraíso de Lombroso, aquele fisiologista italiano que desenvolveu a teoria de que os bandidos têm uma fácies própria do ofício.

O juiz Mirko Vincenzo Giannotte, da 6ª Vara de Sinop (MT), recebeu no mês de julho R$ 415.693,02 líquido de salário, segundo dados do portal da transparência do Tribunal de Justiça do Mato Grosso. O valor bruto pago foi de R$ 503.928,79. Como é possível isso, José?

A notícia foi dada pela Coluna do Estadão. O rendimento inclui uma  remuneração de R$ 300.200,27; indenização de R$ 137.522,61, mais R$ 40.342,96 de vantagens eventuais e R$ 25.779 de gratificações. Procurada pela Coluna, a assessoria de imprensa do TJMT informou que não se trata de erro e  divulgou nota (abaixo) para explicar o salário milionário do juiz no mês de julho. Segundo a assessoria, o pagamento do valor foi autorizado pelo CNJ. Eis a nota: Em atenção a solicitação deste veículo de comunicação informamos que considerando a decisão proferida pelo Conselho Nacional de Justiça no Pedido de Providencias n. 0005855-96.2014.2.00.0000, no mês de julho/2017, no Pedido de Providências 18/2009 (Prot.Atenas 213.568), em que é requerente a Associação dos Magistrados de Mato Grosso (Amam), foi determinado pela Presidência deste Tribunal o pagamento do passivo da diferença de entrância aos magistrados que jurisdicionaram, mediante designação, em entrância ou instância superior no período correspondente a 29/5/2004 a 31/12/2009.

Coordenadoria de Comunicação do TJMT. Safadeza agora é entrância?

Ou seja: não houve erro nenhum. Está tudo nos conformes da lei, como dirai Odorico Paraguaçu no Bem Amado. É por isso que escrevi no artigo que acabo de citar que, ao contrário do que dizem juízes e procuradores, corrupção não é o único pecado grave nas finanças públicas. A má gestão e os privilégios levam aos mesmos resultados.

No mês de junho, o juiz recebeu R$ 53.432,92 líquido. O valor bruto foi de R$ 65.872,83. Não é propriamente uma ninharia, não é

Ou seja, está na hora de tocar de novo o grande sucesso do Ultraje a rigor, Inútil. Som na caixa, Almirante Nelson.

SONORA Inútil Ultraje a rigor

https://www.youtube.com/watch?v=9aHoWTs6xE0