O Dia do Opa
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Solto Loures, Geddel foi pro lugar dele na cadeia e termina alívio temporário de Temer

José Nêumanne

04 de julho de 2017 | 12h15

Geddel era a bola da vez e foi preso. Agora será a vez de quem? Foto: André Dusek/Estadão

A sexta-feira passada foi o Dia do Solto, com a volta de Aécio ao Senado e a libertação de Rocha Loures, para alívio de Temer, acossado por Janot. Ontem, segunda-feira, foi o dia do Opa. A prisão de Geddel deixa Temer de calças na mão. Loures solto alivia. Geddel preso preocupa. Basta lembrar a conversa com Joesley e a forma desastrada com que Temer cuidou da denúncia do então ministro da Cultura, Calero. E Geddel também está na mira da Comissão de Ética Pública da Presidência, ao lado de Kassab, Marcos Pereira e Guido Mantega, os quatro cavaleiros do Apocalipse. Kassab ainda deve explicações sobre seu empenho em doar patrimônio público às teles privatizadas e perdoar 20 bi de dívidas da Oi.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 109,3 – na terça-feira 4 de julho de 2017)

Para ouvir clique no link abaixo e, em seguida, no play:

https://soundcloud.com/jose-neumanne-pinto/neumanne-0407-direto-ao-assunto

Para ouvir Quem quer casar com a Dona Baratinha? clique no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=oJo6jtaCZ3E

Para ouvir no Blog do Nêumanne, Política, Estadão, clique no link abaixo:

 

 

Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 4 de julho de 2017 – Terça-feira

Emanuel: O ex-secretário de Governo do governo Temer, pessoa íntima do presidente e do chamado núcleo duro do Planalto, Geddel Vieira Lima, do PMDB da Bahia, foi preso tem pela Polícia Federal. Este seria o tal do fato novo contra as chances do presidente de rechaçar a acusação na Câmara dos Deputados?

Geddel foi preso pela Polícia Federal, em sua casa em Salvador. A prisão é em caráter preventivo e procuradores afirmam que o peemedebista tem agido para atrapalhar investigações.

A ordem pra prisão foi dada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal Criminal de Brasília, em operação da qual não fazem parte Janot, inimigo de Temer, nem Moro, inimigo de Lula. A detenção é de caráter preventivo e tem como fundamento elementos reunidos a partir de informações fornecidas em depoimentos recentes do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva, sendo os dois últimos, em acordo de colaboração premiada. Nas delações, Geddel é tratado como Carainho pela mulher de Lúcio, Raquel. O que quer dizer Carainho, Emanuel?

No pedido enviado à Justiça, os procuradores afirmaram que Geddel tem agido para atrapalhar as investigações. O objetivo seria evitar que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o próprio Lúcio Funaro firmem acordo de colaboração com o Ministério Público Federal. Para isso, segundo os investigadores, tem atuado no sentido de assegurar que ambos recebam vantagens indevidas, além de ‘monitorar’ o comportamento do doleiro para constrangê-lo a não fechar o acordo.

Sexta-feira foi o dia do Volto, e segunda-feira, dia do Opa. Prisão de Geddel deixa Temer de calças na mão. Loures alivia. Geddel preocupa. Basta lembrar a conversa com Joesley e a forma desastrada com que Temer cuidou da denúncia do então ministro da Cultura, Calero.

Emanuel: Diante da ênfase que o advogado dele usou para reclamar da injustiça você diria que Geddel é um réu primário?

Seu advogado de defesa, Gamil Föppel, jura que Geddel foi ‘injustamente enredado no bojo da “Operação Cui Bono”‘ e que ‘deposita sua integridade física nas mãos da autoridade policial”. Tadinho! Mas que nada, Geddel é cobra criada. Denúncias de irregularidades rondam a vida pública dele desde seu primeiro emprego, aos 25 anos, quando foi acusado de desviar milhões do Baneb (Banco do Estado da Bahia) e beneficiar sua família, chefiada pelo deputado Afrísio Vieira Lima, pai dele e de Lúcio. Dez anos depois desse caso, em 1994, já deputado federal, foi implicado no escândalo dos “anões do Orçamento” depois de seu nome aparecer em um papel encontrado na casa de um diretor da Odebrecht ao lado da mensagem “4%”. Foi inocentado.

CPI dos anões fez uma série de sugestões que teria evitado o escândalo atual.

O ex-ministro também já foi associado a acusações de enriquecimento ilícito e de direcionamento para aliados de verbas do Ministério da Integração Nacional,

Geddel, que sempre negou todas as acusações, se entrincheirou em seu apartamento em Salvador desde novembro passado, quando entregou a carta de demissão ao presidente Michel Temer após ser acusado de tráfico de influência para aprovar a construção irregular de um edifício na capital baiana. A interlocutores, dizia que estava “refazendo a vida”.

Só reapareceu em Brasília em março, quando boatos davam conta de que ele poderia fazer delação premiada. Na ocasião, jantou com Temer no Palácio do Jaburu. Sempre que era questionado sobre essa hipótese, reagia com palavrões,

Geddel também está na mira da Comissão de Ética Pública da Presidência, ao lado de Kassab, Marcos Pereira, Guido Mantega. Os quatro cavaleiros do Apocalipse. Kassab ainda deve explicação sobre seu empenho em doar patrimônio público às teles privatizadas e perdoar 20 bi de dívidas da Oi.

Emanuel? Mas em que a prisão afetará na votação do plenário da Câmara na autorização para Temer ser processado?

O líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), vulgo André Cunha, tal era sua devoção à causa de Eduardo Cunha, teve duas reações interessantes ontem, uma contrária à outra, o que Camila registrou.

O líder do governo no Congresso, André Moura, pela manhã, deu até placar para a comissão que vai analisar a denúncia contra Michel Temer:

SONORA 0407 A MOURA

Mas, à noite, depois de prisão de Geddel, o discurso do líder do governo no Congresso mudou o tom:

SONORA 0407 B MOURA

O contraste é bom pra você, ouvinte, ficar sabendo como são voláteis as coisas no parlamento em temos de crise.

Manchete do Estadão diz tudo> PF prende Geddel e Planalto teme cerco a Padilha e Moreira. Pois é: depois do Carainho – o que diabo significa Carainho –  chegaram as vezes de Primo e Angorá?

Emanuel: Por falar nisso, você acha que é possível votar a denúncia antes do recesso do Legislativo, que começa dia 17, como o pessoal do Fica Temer quer?

Possível é. Se vão conseguir são outros 500. No cronograma dos governistas, a partir da entrega da defesa de Temer amanhã é possível votar a denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana, com possibilidade de votação no plenário antes do recesso, que começa no dia 17. Uma coisa é querer, outra conseguir.

Emanuel: Em entrevista à rádio BandNews nesta segunda-feira, 3, o presidente Michel Temer disse ter confiança de que a Câmara dos Deputados irá rejeitar o pedido de abertura de investigação contra ele. Você acha que ele está sendo realista ou otimista demais?

Temer disse a Reinaldo Azevedo, da BandNews que estará muito obediente àquilo que a Câmara decidir. Temer reiterou o que sua defesa tem dito desde que a PGR ofereceu denúncia contra ele ao STF: “Desde logo, vemos a inépcia da denúncia. A denúncia é fragil e inconsistente. Quando a Câmara tomar conhecimento  da defesa que será feita, defesa que será uma mera explicação. Quando a Câmara tomar conhecimento da defesa, verá que a votação necessária para processar a denúncia não se dará”.

Só o tempo dirá se Temer está sendo temerário ou terá de ficar temeroso com as conseqüências da desastrada visita do bamba do abate ao Palácio do Jaburu com nome falso e gravador no bolso, na calada da noite…

Emanuel: enquanto isso, no Rio, as investigações do Ministério Público Federal que levaram à deflagração da Operação Ponto Final pela Polícia Federal, revelaram que o ex-governador do Rio Sergio Cabral (PMDB) recebeu 122 milhões e 800 mil reais em propinas de empresas de ônibus entre os anos de 2010 de 2016. Será mesmo o ponto final?

Veja bem: Cabral deixou o cargo, em favor de seu vice, Luiz Fernando Pezão (PMDB), em 2014. No entanto, está sendo acusado de ter recebido propina em novembro, quando foi preso.

O procurador da República, José Augusto Vagos, explica como funcionava o esquema.

SONORA 0407 VAGOS

Por causa da Operação Ponto final, o rei dos ônibus no Rio, Jacob Barata Filho, foi preso ontem cedinho no aeroporto internacional Tom Jobim, prestes a embarcar para Lisboa. Baratão divulgou nota, através de sua assessoria de imprensa, informando que tem negócios na cidade, e que ia para lá regularmente. A PF já estava com sua prisão na mira, e a antecipou quando soube da viagem. A Fetranspor reúne 10 sindicatos de empresas de ônibus que atuam no Estado. O Detro é responsável pela fiscalização dos transportes intermunicipais no Estado.

1 – Crueldade: enriquecia e ostentava à medida que o pobre ficava mais pobre pagando uma tarifa mais alta do que o necessário. E ainda era populista, foi eleito e reeleito com grande votação.

2 – Permanência: influência mantida, também mantida a propina.

3 – Mistura de público em privado e promiscuidade dos poderosos. Casamento 2013 de Beatriz Barata, com Tasso Jereissati entre os convidados e Gilmar e Guiomar Mendes de padrinhos. Que vergonha!

Emanuel: Por falar em permanência, o que me diz da volta de Fernando Collor de Mello, ao noticiário policial do dia?

Pois é. O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu enviar para julgamento na 2.ª Turma do STF a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTC-AL), na Lava Jato. Ainda não está marcada a data do julgamento, que poderá tornar Collor réu. Denunciado com mais oito pessoas, Collor responderá por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Além disso, tanto ele quanto os demais denunciados são acusados também do crime de organização criminosa.

Segundo as investigações, pelo menos entre os anos de 2010 e 2014, mais de R$ 29 milhões em propina foram pagos ao senador em razão de um contrato de troca de bandeira de postos de combustível celebrado entre a BR Distribuidora e a empresa Derivados do Brasil (DVBR), bem como em função de contratos de construção de bases de distribuição de combustíveis firmados entre a BR Distribuidora e a UTC Engenharia.

Dia destes falamos aqui de Heráclito de Éfeso a respeito de Heráclito de Teresina, o Boca Mole da Odebrecht. O grego pré-socrático ficou famoso com a frase “Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio…
pois na segunda vez o rio já não é o mesmo… nem tampouco o homem!”

Será que o Brasil contemporâneo está desmentindo a Grécia antiga?

O Carcará sanguinolento é o próprio escorpião da travessia nas costas do sapo da fábula mais apropriada para qualquer história política no Brasil.

Mas por enquanto vamos voltar ao casamento de Beatriz Barata, que tanto brilhou há 4 anos e tanto brilha agora nas redes sociais com a foto do casal de nubentes com os sorrisos iluminados dos seus padrinhos no Blog do Nêumanne? Som na caixa, Almirante Nelson.

SONORA Quem casar com dona Baratinha? Começar no 0:10

https://www.youtube.com/watch?v=oJo6jtaCZ3E

 

 

 

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