Nem tudo estará no lugar
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Nem tudo estará no lugar

No Palácio do PLlanalto Marun será mais evidente prova do poder do presidiário Cunha

José Nêumanne

11 Dezembro 2017 | 16h10

Marun saiu do mais baixo clero do primeiro mandato para núcleo duro do poder Foto: André Dusek/Estadão

Mesmo Marun assumindo Secretaria de Governo e Aloysio Nunes ficanda no Itamaraty nem tudo estará no seu lugar no governo Temer. Tenho insistido que o PSDB perdeu a eleição de 2014 e, portanto, sua entrada no governo é um desrespeito à decisão do eleitor e um erro histórico do partido, que perdeu o rumo da História de vez por empáfia, apetite de cargos e falta de vergonha na cara. Quanto a Marun, acho estranho que raramente se lembra que ele foi valet de chambre, criado de quarto, de Cunha, sendo o único que falou em favor do Caranguejo da Odebrecht na votação em que foi também um dos dez votos, além de ter visitado o padrinho há um ano na cadeia em Curitiba, usando passagem paga pelo contribuinte. Denunciado, ele devolveu o dinheiro, mas isso em nada muda a situação, como lembrou Bernardo de Melo Franco em artigo no fim de semana na Folha de S. Paulo. De qualquer maneira, Marun é a cara do governo atual: baixíssimo clero, pouca moral e muita truculência. De que adianta a péssima equipe de comunicação do presidente fazer campanhas para melhorar sua popularidade se a cúpula é ocupada por gente desse jaez?

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 12 de dezembro de 2017, às 7h30m)

Para ouvir clique aqui e, em seguida, no play

Para ouvir Tudo está no seu lugar, com Benito di Paula, clique aqui

Abaixo, a íntegra da degravação do comentário

Eldorado 11 de dezembro de 2017 – Segunda-feira

O Palácio do Planalto confirmou na noite de sábado que o presidente Michel Temer convidou o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) para assumir a Secretaria de Governo, Pasta responsável pela articulação política. A posse, segundo comunicado oficial da Presidência da República, vai ser na tarde da próxima quinta-feira. Até lá, o tucano Antonio Imbassahy vai permanecer no cargo. Quer dizer, então, a partir de então tudo estará em seu lugar?

Carlos Marun já tinha sido premiado antes com a relatoria da CPMI da JBS, assume a articulação política com o Congresso num momento em que o governo enfrenta muitas dificuldades para votar a reforma da Previdência na Câmara para pagar todos os seus serviços prestados a Temer. Lembra-se da dancinha no dia em que a Câmara negou permissão ao STF para investigar o presidente? Pois então…

SONORA Marun Tudo Está no seu lugar

http://www.midiamax.com.br/politica/video-marun-canta-danca-benito-di-paula-votar-contra-denuncia-357319

O ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, pediu demissão na última sexta-feira, um dia antes da convenção nacional do PSDB. Em carta de três páginas enviada ao presidente Michel Temer, Imbassahy disse que foi um grande desafio atuar na função em um período de radicalização pós-impeachment, com uma grande fragmentação partidária, “em meio a enormes dificuldades econômicas e fiscais”.

O titular das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, será o único tucano que permanecerá no governo.

Ou seja, nem tudo estará no seu lugar. Eu tenho insistido aqui que o PSDB perdeu a eleição de 2014 e, portanto, sua entrada no governo é um desrespeito à decisão do eleitor e um erro histórico do partido, que perdeu o rumo da História de vez por empáfia, apetite de cargos e falta de vergonha na cara. Quanto a Marun, acho estranho que raramente se lembra que ele foi valet de chambre, criado de quarto, de Cunha, sendo o único que falou em favor do Caranguejo da Odebrecht na votação em que foi também um dos dez votos, além de ter visitado Cunha há um ano na cadeia em Curitiba e usando passagem paga pelo contribuinte. Denunciado, ele devolveu o dinheiro, mas isso em nada muda a situação, como lembrou Bernardo de Melo Franco em artigo no fim de semana na Folha de S. Paulo. De qualquer maneira, Marun é a cara do governo atual: baixíssimo clero, pouca moral e muita truculência. De que adianta a péssima equipe de comunicação do presidente fazer campanhas para melhorar sua popularidade se a cúpula é ocupada por gente desse jaez?

Antes de Lula e Dilma viajarem para o Rio, você comentou que vários petistas acharam que a decisão seria uma fria, pois colaria a imagem dos ex-presidentes à da cúpula do PMDB daquele Estado, protagonista de escândalos horrendos. Os fatos confirmaram sua opinião?

Lembro-me de ter dito a vocês que somente prosélitos completamente cegos, surdos e mudos pela ideologia acreditariam em lorotas como a de Lula discursando na Comperj da Petrobrás e culpando a Lava Jato, que entregou na mesma ocasião 600 milhões de reais à estatal petroleira, fato que tornou a fala de Lula ridícula. E também alertei que, se a tal caravana foi uma decepção no Nordeste, seria um vexame no Rio. Passei o fim de semana lá e na ocasião li uma nota do Antagonista que resumiu como a ida da dupla ao Estado governado por Pezão foi um tiro no pé. Vamos ao relato: Lula e Dilma Rousseff reuniram na quinta-feira pouco mais de 400 militantes em Belford Roxo, onde, em disputas presidenciais, já conquistaram mais de 70% dos votos. O cálculo é de um petista, segundo a Folha. “Em Duque de Caxias, cidade visitada antes, foram fechadas duas ruas laterais à praça onde o ato foi realizado. Mas apenas uma lateral do carro de som foi ocupada por militantes. À noite, em Nova Iguaçu, a grande praça reservada ao encontro teve ocupação parcial.(…) No Rio [a cidade], também foi baixa a presença de apoiadores nas atividades de natureza sindical. Na quarta-feira (6), um protesto contra a interrupção das obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) reuniu cerca de 200 pessoas.”Em Nova Iguaçu, apenas 150 marcaram presença.

À exceção da UERJ, onde Lula reuniu 2 mil pessoas na concha acústica, a terceira caravana do petista não passou de animação de bingo.

Enquanto isso, em tom muito mais duro que o habitual, o governador Geraldo Alckmin assumeiu a presidência do PSDB com uma fala crítica a  Lula, que muitos apontam como seu possível adversário nas eleições presidenciais. O que o governador disse de inusual?

Alcmin, apelidado de picolé de chuchu, extamente por seu tom monocórdio e conciliador, disse, ao assumir sábado a presidência do PSDB em convenção em Brasília  que “os brasileiros não são tolos. Sabem, hoje, do método lulopetista de confundir para dividir, iludir para reinar”,

“Mas vejam a audácia dessa turma. Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder. Ou seja, meus amigos: ele quer voltar à cena do crime.” A fala dura contra Lula e o PT contrasta com o estilo conciliador de Alckmin, cuja pertinência é questionada por setores da classe política em meio à crise e polarização no país.

Com seu estilo de “jogar parado”, porém, o governador paulista se fortaleceu dentro do PSDB a ponto de ter assumido a presidência do partido e ser pule de dez para a escolha do candidato à Presidência. Quanto ao favoritismo de Lula na pesquisa DataFolha é muito cedo para falar nisso e as notícias sobre a decisão da segunda instância, que tende a confirmar a condenação do ex-presidente em primeira instância por Sérgio Moro, tornam a eventual disputa presidencial uma espécie de filme de terror que não terá muito como se confirmar na prática.

O Estadão noticia hoje em manchete que Alckmin já enfrenta resistências para cumprir seu primeiro desafio político à frente do partido, que seria levar toda a bancada da Câmara a apoiar a reforma da Previdência, com discussão marcada para esta semana e votação prevista na próxima. O que você acha disso?

Ontem o presidente Temer cogitou a possibilidade de votação da reforma da Previdência para 2018. Ainda assim, Michel Temer mencionpi que, talvez, os parlamentares consigam votar até o fim deste ano.

SONORA 1112 A TEMER

Um dos problemas foi relatado na principal notícia do Estadão hoje dá conta de que, de fato, os tucanos continuam sendo um empecilho a esses planos, pois não há uma perspectiva muito otimista para a adesão dos tucanos à reforma de Temer. Segundo relato do repórter Pedro Venceslau, de Brasília, onde ele foi cobrir a convenção, parte dos deputados rejeita uma eventual imposição da Executiva nacional da legenda e qualquer possibilidade de punição caso votem contra as mudanças nas regras da aposentadoria. A direção tucana ainda não decidiu sobre o tema.

O governador de São Paulo surpreendeu até mesmo aliados ao defender essa proposta publicamente após a convenção na qual foi eleito, anteontem, em Brasília. Seu gesto, associado aos elogios à agenda de reformas e à política econômica do governo Michel Temer, foi bem recebido pelo Palácio do Planalto e pode abrir uma janela de negociação com o PMDB para a próxima eleição.

Ao assumir a prsidência do partido, Alckmin fez uma profissão de fé na necessidade das reformas

SONORA 1112 ALCKMIN

No entanto, a posição do PSDB a respeito da reforma da previdência não o confirma e é uma traição, mais do que a Temer, de cujo governo está desembarcando, à história do próprio partido e à sua tradição de oposição aos desgovernos Lula e Dilma, este substituído pelo vice dela, Temer, à própria história do partido. É uma demonstração prática de que realmente as denúncias de que os tucanos também meteram o focinho no coxo em que o PT e o PMDB emporcalharam a administração pública brasileira fazem todo sentido. Como perderam a eleição de 2014, os tucanos tinham de ajudar Temer a fazer as reformas, mas nunca participar do governo provisório, tendo sido derrotados na eleição presidencial. Venceu o afã de ocupar cargos no governo federal e de fazer a politicagem vagabunda que se recusa a enfrentar pra valer os desafios de impedir a completa falência do Estado brasileiro. A reforma da Previdência é uma necessidade que transcende a governos, partidos, movimentos e tudo o mais, mas é premente para o cidadão, que se vê diante do quadro trágico do completo desmantelo das contas públicas empreendidos por Lula, Dilma et caterva.

Também neste fim de semana, ficamos sabendo que o número de presos no Brasil cresceu 6% somente nos seis primeiros meses deste ano, intensificando uma tendência que fez do Brasil um dos três países do mundo com maior aumento da população carcerária nas últimas duas décadas. Quer dizer que a tragédia continua e se agrava?

Isso mesmo. Isso dói e faz chorar. Segundo dados recém-divulgados pelo Ministério da Justiça, o número total de presos em penitenciárias e delegacias brasileiras subiu de 514.582 em dezembro de 2011 para 549.577 em julho deste ano. Uma das principais consequências desse aumento é a superlotação das prisões, já que novas vagas não são criadas na mesma velocidade que o aumento do número de presos. Em julho, havia um déficit de 250.504 vagas nas prisões do país, segundo os dados oficiais.

Em 1992, o Brasil tinha um total de 114.377 presos, o equivalente a 74 presos por 100 mil habitantes. Em julho de 2012, essa proporção chegou a 288 presos por 100 mil habitantes. No período, houve um aumento de 380,5% no número total de presos e de 289,2% na proporção por 100 mil habitantes, enquanto a população total do país cresceu 28%.

Segundo levantamento feito a pedido da BBC Brasil pelo especialista Roy Wamsley, diretor do anuário online World Prison Brief (WPB), nas últimas duas décadas o ritmo de crescimento da população carcerária brasileira só foi superado pelo do Cambodja (cujo número de presos passou de 1.981 em 1994 para 15.404 em 2011, um aumento de 678% em 17 anos) e está em nível ligeiramente inferior ao de El Salvador (de 5.348 presos em 1992 para 25.949 em 2011, um aumento de 385% em 19 anos).

Se a tendência de crescimento recente for mantida, em dois ou três anos a população carcerária brasileira tomará o posto de terceira maior do mundo em números absolutos da Rússia, que registrou recentemente uma redução no número de presos, de 864.197 ao final de 2010 para 708.300 em novembro deste ano, segundo o último dado disponível.

“Por mais esforço que o Estado faça, não dá conta de construir mais vagas no mesmo ritmo”, admite o diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, Augusto Rossini.

Isso faz parte da tragédia da insegurança pública brasileira, mas também do quadro tétrico da administração pública em geral. A degradação das prisões compõe o cenário das estradas assassinas, dos museus, arquivos e da Biblioteca Nacional literalmente jogados às traças. No Brasil, os Poderes Executivo e Legislativo usam os recursos públicos para cevar os porcos que os controlam, enquanto o cidadão assiste à ruína de uma gestão indigna de ser definida como pública. Na verdade, nada está no seu lugar, infelizmente.

SONORA Tudo está no seu lugar Benito di Paula