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Temer queixa-se de inimigos, mas tem dificuldade de escolher amigos de ficha limpa

José Nêumanne

17 de outubro de 2017 | 11h28

Cada vez que Temer aparece para atacar alguém um amigo do peito fica encalacrado Foto: Dida Sampaio/Estadão

O presidente escreveu uma carta aos deputados para se ver livre da segunda denúncia da PGR, mas só tem o apoio de 3% dos brasileiros, o que não quer dizer que 97% o queiram ver fora do governo. Talvez não seja o caso de dizer que uma conspiração de 97% da população seja  imbatível, pois não é bem assim. A coisa é mais complexa. Temer está acostumado a esse truque de mandar cartas com queixas e desabafos: começou com aquela de desamor, rompendo com Dilma e agora vem essa querendo convencer um terço dos deputados a acreditar que ele é vítima. Por enquanto, as vítimas que conheço são 13 milhões de desempregados, a população da rua que só aumenta e o drama que tem sido viver na insegurança e na pobreza no Brasil.

(Comentário no Jornal da Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107, 3 – na terça-feira 17 de outubro de 2017, às 7h30m)

Para ouvir clique aqui e, em seguida, no play

Para ouvir A Carta, com Milionário e José Rico clique aqui

Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 17 de outubro de 2017 – Terça-feira

De acordo com a manchete de primeira página do Estadão hoje, em carta a parlamjentares, Temer diz ver conspiração. É para tanto? 

O presidente Michel Temer escreveu uma carta de quatro páginas aos parlamentares para se defender das acusações feitas na delação de Lúcio Funaro, além de dar “explicações”, “satisfações” e “desabafar” diante da segunda denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ele. A divulgação dos vídeos abriu uma nova crise entre o Planalto e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, às vésperas de a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa avaliar a acusação contra o peemedebista.

Temer começa a carta falando de sua “indignação” e diz que, por isso, decidiu se dirigir aos parlamentares, apesar de muitos o aconselharem a não se pronunciar. “Para mim é inadmissível. Não posso silenciar. Não devo silenciar. Tenho sido vítima desde maio de torpezas e vilezas que pouco a pouco, e agora até mais rapidamente, têm vindo à luz. Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis”, diz o presidente.

SONORA RABUGENTO

“É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem e sabem de mim. É uma satisfação àqueles que democraticamente convivem comigo”, disse Temer, que não se refere à nota de seu advogado, Eduardo Carnelós, nem aos seus posteriores “esclarecimetnos” de que chamou a divulação dos vídeos de “vazamento criminoso” pois não sabia que estava publicado no site da Câmara.

Na carta, Temer prega “a pacificação” e fala em disposição para dialogar, alegando que não acredita na tese do “nós contra eles”, mas “na união dos brasileiros”, com “serenidade, moderação, equilíbrio e solidariedade” certo de que, com a carta, “a verdade dos fatos será reposta”.

SONORA 1710 ALENCAR

Bem, quem sou eu para discutir conspiração com um especialista como Temer, que foi tão bem sucedido na derrubada de Dilma, que ele e o PMDB ajudaram a eleger? De qualquer maneira, é bom lembrar que o presidente só tem o apoio de 3% dos brasileiros, o que não quer dizer que 97% o queiram ver fora do governo. Talvez não seja o caso de dizer que uma conspiração de 97% da população seja  imbatível, mas não é bem assim. Temer está acostumado a esse truque de cartas e começou com a carta rompendo com Dilma e agora vem essa querendo convencer um terço dos deputados a acreditar que ele é vítima. Por enquanto, as vítimas que conheço são 13 milhões de desempregados, a população da rua que só aumenta e o drama que tem sido viver na insegurança e na pobreza no Brasil.

Pelo menos 12 senadores devem se ausentar da votação que pode derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impõe medidas restritivas ao senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG, prevista para hoje. Isso atrapalha os planos do acórdão para mantê-lo no mandato e na presidência do PSDB?

O tucano precisa de 41 votos dos 81 senadores para derrubar a decisão da Corte e retomar o mandato

SONORA 1710 AMELIA

Aliados de Aécio consideram que seria necessário um quórum mínimo de 70 senadores no plenário para iniciar a votação. Caso contrário, há um movimento entre alguns líderes partidários para adiar a apreciação para quarta-feira, 18.

No caso do Aécio o que menos importa é que a votação de seu destino seja aberta ou secreta. Ele, que liderou a votação aberta contra Delcídio, agora quer secreta, talvez porque não conte com traição secreta de todos quantos como ele têm muito a temer da Polícia e da Justiça. O destino de Aécio está traçado e é o que ele merece: a condição de zumbi político. Disso não o livrarão acordões nem decisões dos colegas senadores e dos amiguinhos ministros da Suprema Corte, que lhe devem suas carreiras.

O juiz federal João Batista Gonçalves, da 6.ª Vara Federal, em São Paulo, aceitou nesta segunda-feira, 16, denúncia do Ministério Público Federal contra os irmãos Joesley e Wesley Batista, principais acionistas do Grupo J&F. Quer dizer que acabou a moleza que os irmãos Batista combinaram  com Janot. De que, então, Temer se queixa em sua carta aos parlamentares?

Os procuradores da República Thaméa Danelon e Thiago Lacerda Nobre, do Ministério Público Federal, em São Paulo, denunciaram os empresários, na Operação Acerto de Contas, desdobramento da Tendão de Aquiles, por uso de informação privilegiada e manipulação do mercado. Os executivos estão presos.

A Tendão de Aquiles apura o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio, data da divulgação dos dados relacionados à delação premiada firmada pelos executivos e a Procuradoria-Geral da República.

Para o Ministério Público Federal, em São Paulo, os irmãos ‘minimizaram prejuízos mediante a compra e venda de ações e lucraram comprando dólares c base em informações que dispunham sobre o acordo de delação premiada que haviam negociado com a Procuradoria-Geral da República’.

“Juntos, Wesley e Joesley atuaram para reduzirem o prejuízo com os papeis e lucrarem com a compra da moeda americana, aproveitando- se da informação privilegiada e, como consequência, manipulando o mercado de ações”, diz a Procuradoria da República.

Segundo a denúncia, ‘as operações ilegais’ de venda e compra de ações ocorreram entre 31 de março e 17 de maio.

Wesley foi preso em 13 de setembro, em sua casa, em São Paulo. Joesley havia sido custodiado dois dias antes por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, por suspeita de violação de sua própria delação premiada.

Os irmãos foram indiciados pela Polícia Federal em 20 de setembro. Joesley foi indiciado pela suposta autoria dos crimes de manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada, previstos na Lei 6.385/76, com abuso de poder de controle e administração, em razão do evento de venda de ações da JBS S/A pela FB Participações, controladora desta última.

Wesley foi indiciado como autor do crime de manipulação de mercado e ‘como partícipe no crime de uso indevido de informação privilegiada praticado por Joesley com abuso de poder de controle e administração, em relação aos eventos relativos à venda e compra de ações da JBS S/A’.

Um dos destinatários da carta de Temer ao parlamento, Lúcio Vieira Lima, personagem importante na votação da reforma política fake votada de 4 a 6 de outubro no Congresso, sofreu devassa da Polícia Federal, acusado de cumplicidade na guarda de 51 milhões de reais por seu irmão, Geddel. Que é que é isso, minha gente?

A Procuradoria-Geral da República aponta ‘indícios’ do envolvimento do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB/BA) ‘no recolhimento e guarda’ da fortuna de 51 milhões em dinheiro vivo num apartamento no bairro da Graça, em Salvador, no dia 5 de setembro.

A pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou buscas no gabinete de Lúcio na Câmara e na residência dele, em Salvador, localizada em um prédio vizinho ao do irmão Geddel Vieira Lima, preso na Papuda, em Brasília, na Operação Tesouro Perdido.

O noticiário mantém na ordem do dia o fato absurdo de Geddel Vieira Lima, que, tal como o irmão Lúcio, é da copa e cozinha do presidente Temer, guardava tanto dinheiro no apartamento de um laranja sem ter dado explicação nenhuma sobre sua origem. Como aliás quanto mais cartas escreve menos temer explica seu convívio com essa gente. Só para lembrar um pouco, quando digo essa gente refiro-me a Eduardo Cunha, Lúcio Funaro, Geddel Vieira Lima, Rodrigo da Rocha Loures, o homem da mala, só pra citar quem foi pego com a mão na botija, ou melhor na mochila. E não se pode dizer que Moreira Franco, Lúcio Vieira Lima, Eliseu Padilha e outras pessoas muito próximas do gabinete presidencial sejam cidadãos acima de qualquer suspeito. Pelo visto, o presidente não é muito adepto daquele lema cristão do diz-me com que andas e dir-te-ei quem és.

 Na véspera da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma placa de sinalização de trânsito em frente à Câmara dos Deputados amanheceu nesta segunda-feira, 16, coberta com um adesivo com os dizeres “Formação de quadrilha. Corrupção Ativa. O grande acordo nacional”. Será que agora os parlamentares se tocam?

O autor, desconhecido, teve o cuidado de usar a mesma tipologia e o padrão da cor de fundo das placas de sinalização normalmente utilizados em Brasília. Este é o sentimento que move a população, que se sente desautorizada e não representada pelos Poderes da República; Não vai ser com carta choramingas que Temer vai comover a maioria da população. Embora não seja de todo impossível que comova seus antigos colegas da Câmara, que decidirão seu destino. É bom eles ficarem sabendo que o povo ligou o alerta e não cai nessa lorota besta.

SONORA A Carta Milionário e José Rico

https://www.letras.mus.br/milionario-e-jose-rico/74188/

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