Massaranduba no poder

Num dia só presidente comemorou suicídio de voluntário que testava vacina da Sinovac-Butantan, chamou vítimas da Covid de "maricas" e ameaçou futura gestão de Biden nos EUA com pólvora no lugar de saliva

José Nêumanne

11 de novembro de 2020 | 20h01

Num dia só a metralhadora giratória verbal de Bolsonaro abateu decoro, boa educação, pudor, civilidade, responsabilidade, empatia, luto e respeito pelo outro. Foto: Gabroeça Biló/Estadão

“Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, escreveu Bolsonaro em seus perfis sociais. O comentário foi feito feito em resposta a uma pessoa que lhe perguntou, no Facebook, se o Brasil iria comprar a CoronaVac caso ela fosse considerada segura.

Depois, ainda se referindo à pandemia, ele disse que “o Brasil precisa deixar de ser um “país de maricas”. Ignorando que a doença já matou mais de 162 mil brasileiros, o chefe do Executivo ainda lamentou que “tudo agora é pandemia” e que “tem que acabar esse negócio”. Ele disse lamentar os mortos, mas ressaltou que “todos nós vamos morrer um dia”. O destempero de Bolsonaro bate à porta da insanidade burra.

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Assuntos para o comentário da quarta-feira 11 de novembro de 2020

1 – Haisem – Presidente celebra vacina suspensa, STF quer explicação – Este é título no alto da primeira página da edição impressa do Estadão hoje. Que conseqüências reais e trágicas devem ser produzidas pela frase polêmica de Jair Bolsonaro sobre vitória que ele teria obtido sobre seu adversário tratado como inimigo João Dória com a morte de um voluntário nos testes para a vacina da chinesa Sinovac e o Butantã em São Paulo

2 – Carolina – Parecer independente – Para comitê internacional, morte não teve relação com a vacina e testes devem ser retomados – Esta notícia curta e decisiva dada no alto da primeira página da edição impressa do jornal resolverá sem graves perdas de vidas a confusão causada pela suspensão dos testes da vacina contra covid-19 a ser aplicada no Brasil após eventual aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

3 – Haisem – Bolsonaro radicaliza e fala em pólvora para proteger Amazônia – Esta é a manchete da edição impressa do jornal. O que há para comentar sobre a reação hostil revelada na frase do presidente Jair Bolsonaro em reação ao aviso dado pelo presidente eleito dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden, a respeito da devastação da Amazônia

4  – Carolina – De volta à boa e velha democracia – Este é o título de seu artigo na página 2, de Opinião, do jornal hoje. De que trata especificamente este seu texto

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