Mais um palpite infeliz de Aras

Baluarte do bolsalulismo, procurador-geral da República escorregou na casca da banana que ele mesmo descascou ao sugerir ao presidente da República decretar "estado de defesa", da alçada do Congresso

José Nêumanne

21 de janeiro de 2021 | 22h22

Muito mal escrita e obviamente com intenção de dar justificativa jurídica para autogolpe do capetão sem noção, nota do procurador-geral da República teve a pior repercussão possível. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Pegou muito mal a nota pública divulgada na noite de anteontem pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, apontando risco de o atual estado de calamidade progredir para o estado de defesa, previsto na Constituição, e que pode ser decretado pelo presidente para preservar ou restabelecer “a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza”. Tal recurso, sujeito à aprovação do Congresso em dez dias, permite ao presidente restringir direitos da população. Só que a última palavra é do Legislativo, não do chefe do Executivo. E este foi o meio encontrado por Aras para não cumprir seu dever precípuo de mandar investigar o presidente pelas violações do Código Penal. Terá sido Carlos Bolsonaro quem escreveu essa nota?

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Assuntos para comentário da quinta-feira 21 de janeiro de 2021

1 – Haisem – Aras fala em “estado de defesa” e Poderes reagem – Este é o título de uma chamada de primeira página na edição impressa do Estadão de hoje. Em que consiste a nota técnica do procurador-geral da República e por que ela despertou tão generalizada indignação

2 – Carolina – Butantan não tem mais insumo para produzir vacina – Este é o título de outra chamada de primeira página do jornal. Até quando teremos a esperança da véspera sepultada no dia seguinte como se fosse a coisa mais natural do mundo, sem termos sequer uma explicação razoável para tanto

3 – Haisem – Que episódio do passado recente azedou de forma tão decisiva a relação do Brasil com a Índia a ponto de comprometer o futuro da entidade multilateral conhecida como BRICS, iniciais dos países Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul

4 – Carolina – Mandetta prevê vacinação aos soluços – Este é o título da edição da semana de sua série Nêumanne Entrevista, desta vez com o ex-ministro da Saúde, publicada no canal de José Nêumanne Pinto no YouTube desde ontem. Dá para você explicar o que significa essa expressão e o que mais contém o vídeo

5 – Haisem –App da Saúde indica cloroquina a bebês – Este é o título de outra chamada de primeira página do Estadão. Existe alguma explicação razoável para essa insistência em prescrever um medicamento sem eficácia comprovada e com muitos efeitos colaterais nefastos, apesar de rejeitada pela Anvisa e negada por quem a prescreve

6 – Carolina – ‘A democracia prevaleceu’ – Esta é a manchete de primeira página da edição impressa do Estadão hoje. Por que esta frase do novo presidente dos Estados Unidos em sua posse ontem, foi destacada de tantas outras, todas simples mais significativas, para marcar a nova era em que o direitista Donald Trump virou ex-presidente da maior potência geopolítica e militar do planeta

 

 

 

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