Jogada do capitão tensiona tropas

Tentativa frustrada de arrebanhar apoio político das Forças Armadas a um autogolpe pelo presidente da República provocou tensão na caserna, mas os comandantes trataram de acalmar a tropa nos quartéis

José Nêumanne

02 de abril de 2021 | 22h07

Soldadesca foi mantida à parte das manobras diversionistas do presidente pela ação coordenada, firme e autônoma dos comandantes, que mantiveram hierarquia em funcionamento. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Longe de Brasília, comandantes convocaram as tropas para tranquilizá-las sobre as demissões na cúpula das Forças Armadas. Um dos exemplos se deu em Boa Vista (RR), onde general de Divisão Antônio Manoel de Barros, comandante da Operação Acolhida, falou ao contingente, num pátio militar quase ao mesmo tempo do anúncio do novo comando. Desde cedo, ele convocara os militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para permanecerem no quartel após o expediente. Desejava mandar um recado, o que gerou especulações. Do ponto de vista da gestão e do interesse público, a iniciativa de Bolsonaro foi absolutamente despropositada. Atendia apenas a seu interesse de criar tumulto para desviar a atenção dos meios de comunicação da pandemia de covid. Uma atitude asquerosa, mas costumeira dele.

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Assuntos para comentário na sexta-feira 2 de abril de 2021

1 – Bastidores: comandantes agem para acalmar tropa após demissão da cúpula – Este é o título de chamada de primeira página no Portal do Estadão hoje. Que propósitos republicanos podem ter  levado o presidente Jair Bolsonaro a trocar o ministro da Defesa e o comando das três Forças Armadas em plenos colapso da saúde pública, recessão econômica e ccrise mortuária

2 – “Meu Exército não vai às ruas contra o povo”, insiste Bolsonaro – Este é o título de outra chamada na versão virtual do jornal desta sexta-feira dita dita santa. Depois de tudo o que aconteceu nesta semana o que ainda leva o presidente da República a tratar uma instituição de Estado como se fosse “sua”

3 – Ao centro, presidenciáveis tentam pacto de não agressão – Este é o título de uma chamada no alto da primeira página da edição impressa do Estadão de hoje. Em que a mera reação unanima de se manterem na disputa pode frear as insistentes investidas antidemocráticas do chefe do Poder Exescutivo

4 – Deputado que assediou colega é suspenso em São Paulo – Este é o título de mais uma chamada de primeira página do jornal deste feriado. O que pretenderam os colegas de Fernando Cury na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ao o suspenderem das atividades parlamentares por 180 dias após investida desrespeitosa contra deputada

5 – Países vizinhos isolam Brasil – Este é o título de outra chamada de primeira página do Estadão hoje. O que causou reações tão pesadas de Peru e Bolívia à entrada de cidadãos brasileiros em seus territórios por temor de contágio pela covid

6 – Férias de Bolsonaro custaram 2 milhões e 400 mil reais aos cofres públicos em meio à pandemia, diz governo – O que você tem a dizer desta notícia oficial sobre os gastos de milhões de reais do chefe do governo em folgas nesta hora em que mais o povo brasileiro precisava de um trabalho consciente e produtivo dele

 

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