Gente estúpida!
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Gente estúpida!

Temos de combater atentados covardes com rigor e sem complacência, dentro da lei e da democracia

José Nêumanne

18 Agosto 2017 | 12h31

Passeio do mundo na beleza das Ramblas virou visita ao inferno Foto: David Armengou/EFE

O duplamente covarde atentado terrorista do Estado Islâmico nas Ramblas, em Barcelona, leva a proclamar que temos de combater o ódio e a intolerância com método e rigor, mas precisamos para isso abandonar nossos próprios preconceitos e aceitar a diversidade racial e religiosa. Precisamos parar de inventar lorotas como o nazismo de esquerda e parar de chamar racistas canalhas de supremacistas. Estes todos são a gente estúpida que quer impor a própria estupidez sobre o resto da humanidade a seu redor. Temos de nos comprometer não com os ideais fascistoides, mas com o credo dos Pais fundadores da Revolução Americana, o laissez faire, o velho liberalismo burguês da Europa, que agora está sendo atacada.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na sexta-feira 28 de agosto de 2017, às 7h30m)

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Para ouvir Nos barracos da cidade, de e com Gilberto Gil, clique aqui

Para ouvir o poema Barcelona XVIII lido pelo autor clique aqui

Abaixo, leia a íntegra do comentário degravado:

Eldorado 18 de agosto de 2017 Sexta-feira

Como você recebeu a notícia dos atentados terroristas do Estado Islâmico ontem nas Ramblas em Barcelona e em Cambrils?

Foi como se tivesse recebido uma punhalada pelas costas. Relação inexplicável primeira vez que fui a Barcelona era como se já tivesse ido lá muitas vezes. Familiaridade com os lugares, intimidade com as pessoas, coincidência de ideais. Gaudí, a Sagrada Família, Parque Guell, passeio nas ramblas, a estátua de Colombo apontando a América no porto velho, uma volta ao berço ancestral. Poema XVIII de Barcelona, Borborema

Barcelona XVIII

(de Barcelona, Borborema)

 

Daqui a tantos séculos

quantos conheçam

esta suntuosa luz solar

que banha as avenidas,

teu sangue escorrerá

por estas torres,

pelas luzes e pelos fogos

que queimam a cidade

esplêndida.

 

Olha esta cidade, artista velho,

ouve  seus carros e seus bondes,

ela será tua ópera.

Teu sangue de argamassa

descerá ramblas em rios,

num crepúsculo semelhante

àqueles que viram

surgir tua força.

Teu sangue se mesclará

ao sangue de teus irmãos

da Praça Catalunha

até a estátua de Colombo

no cais.

Homens diferentes,

por isso iguais a nós,

comporão a argila

de tuaqs paredes

e ouvirão as conchas surdas

de teus planos pés:

os passos de Francisco Ferrer,

fuzilado por ordem de Maura

e autorização de Afonso XIII,

os rastros de KIibaltchiche,

que logrou fugir do homem de aço;

as pegadas de Felipe González,

tomando manzanilla

na tasca de don José,

o cabo enfeitiçado pela cigana.

 

Toma esta cidade,

don Antoni Gaudí e Cornet,

e expia os pecados do mundo

com os óbolos que depões

em tuas pranchetas

de ilusão e delírio.

Impotência diante do terrorismo. “Terrorismo é vencido com democracia e liberdade”, Mariano Rajoy.

O que se pode fazer de prático para deter essa onda de violência que se abate agora principalmente sobre o velho mundo, o berço da chamada civilização cristã ocidental?

Esta civilização cristã ocidental também foi fundada na violência. Não podemos esconder fatos históricos da Inquisição e dos pogroms russos contra judeus na Idade Média e que sobrevivem até hoje. Mas não me venham com essa história de que o terrorismo atual resulta dos velhos erros da civilização cristã ocidental.

Dupla covardia: contra as vítimas do atentado das torres gêmeas, dos outros em Paris, Nice, Londre, Berlim e muitas outras cidades. São atentados jihadistas, ou seja, dos muçulmanos que querem impor suas convicções religiosas fundamentalistas sobre os gentios e também sobre os próprios seguidores pacíficos do Islã. As pessoas que me recriminaram nas redes sociais por eu ter falado em pacifistas do Islã são apenas pobres ignorantes, aqueles contemplados pela frase de Cristo na cruz: Perdoai-os Senhor, eles não sabem o que fazem. Somos beneficiários e herdeiros do Islã, que inventou a matemática, baseada nos algarismos arábicos, sem a qual não teríamos naves espaciais nem computadores.

Temos de combater o ódio e a intolerância com método e rigor, mas precisamos para isso abandonar nossos próprios preconceitos e aceitar a diversidade racial e religiosa. Precisamos parar de ficar inventando lorotas como o nazismo de esquerda e parar de chamar os racistas canalhas de supremacistas. Supremacista é a mãe. Eles são é gente estúpida que quer impor a própria estupidez sobre o resto da humanidade a seu redor. Infelizmente esse tipo de mentalidade ocupou a presidência dos Estados Unidos com a eleição de Donald Trump, mas temos de nos comprometer não com os ideais fascistoides, mas com o credo dos Pais fundadores da Revolução Americana, o laissez faire, o velho liberalismo burguês da Europa que agora está sendo atacada.

Voltando ao nosso Brasil também conflagrado, o que você acha de o juiz Marcelo Bretas, do Rio, ter mandado prender os empresários que Gilmar Mendes mandou soltar?

Pouco depois de o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), conceder habeas corpus ao empresário Jacob Barata Filho e ao ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), Lélis Teixeira, o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, expediu novos mandados de prisão contra ambos. Assim, os dois permanecerão presos.

Barata Filho – conhecido como “rei do ônibus no Rio” – e Lélis Teixeira estão presos desde o início de julho na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte do Rio. Eles foram alvos da Operação Ponto Final, um desdobramento da Lava-Jato, que investiga o pagamento de propinas a autoridades do Estado em troca de obtenção de benefícios no sistema de transporte público no Rio.

As novas ordens de prisão são por motivos distintos. Bretas havia decretado nova prisão de Lelis Teixeira ainda na semana passada em função de “fatos novos” – o Ministério Público Federal (MPF) acusa Teixeira de realizar esquema semelhante no sistema de transporte municipal. Barata Filho, por sua vez, tinha também uma ordem de prisão por evasão de divisas. Por esse crime, ele fora pego em flagrante e teve prisão preventiva decretada.

Faço um desafio a todos quantos admiram o dito garantismo de Gilmar Mendes: quantos pobretões sem ter onde cair morto o ministro mandou soltar para atender a seus princípios liberais de que deve ser garantida sempre plena liberdade aos réus até a última instância? Que lugar ocupa no credo de Sua Excelência Boca Mole a igualdade de todos os cidadãos perante a lei. Ah, vão pentear macaco. Este senhor que é um empresário milionário da área do ensino do Direito tem mesmo é espírito de classe. Soltou Eike Batista, cliente do escritório de advocacia grã fino de que sua mulher é sócia. E agora mandou soltar o rei dos ônibus porque todos pertencem aos mesmos clubs prives que ele e seus coleguinhas do Supremo freqüentam. E mais ainda porque pertencem à mesma classe empresarial dele, que não se contenta com os vencimentos mais altos permitidos aos funcionários públicos no ápice de suas carreiras no Poder Judiciário.

Marcelo Brêtas mais uma vez mostra o caminho: a igualdade de todos perante a lei mora no Brasil apenas e tão somente na primeira instância. E o Supremo sob a inspiração de Gilmar Mendes, Marco Aurélio Melo, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes prepara-se para cancelar a decisão histórica da possibilidade de prisão para condenados por colegiado em segunda instância e recuar na direção da liberdade garantida a peso de ouro, muitas vezes suspeitos ou roubados, como é o caso das fortunas desses empresários dos transportes públicos no Rio na eternidade de nossa legislação penal leniente e desigualitária.

Lula está sendo recebido como um herói popular na caravana pelo Nordeste que ele começou ontem em Salvador?

O primeiro dia da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ontem, na Bahia, foi marcado por confronto entre manifestantes pró e contra o petista – policiais militares tiveram de fazer disparos de arma de fogo para conter o tumulto – e por uma decisão judicial que cancelou a entrega de título honoris causa ao ex-presidente.

Durante a visita de Lula a Salvador, apoiadores do petista e integrantes dos grupos Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem Pra Rua entraram em confronto na entrada da Arena Fonte Nova e a PM disparou três tiros. Ninguém ficou ferido.

Cerca de 20 manifestantes foram ao estádio, onde Lula participava do primeiro ato da caravana de 25 dias pelos nove Estados da Região Nordeste, para protestar contra o ex-presidente. Eles levaram o boneco inflável Pixuleco, que retrata o petista como presidiário e foi usado nas manifestações pelo impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff.

Em número superior, apoiadores do petista presentes no ato avançaram sobre o grupo e rasgaram o boneco. Houve princípio de confusão e a PM, que fazia a segurança do evento, tentou apartar os manifestantes. Neste momento, um policial fez os disparos para cima.

Integrantes do Vem Pra Rua e do MBL acusaram o governo da Bahia, sob o comando do petista Rui Costa, de usar o aparato estatal para dar apoio à caravana. “Eles (petistas), com a máquina do Estado, trouxeram este monte de gente aqui”, disse o microempresário Claudio Junior, do Vem Pra Rua.

Já os apoiadores de Lula afirmaram que a prefeitura de Salvador, comandada por ACM Neto (DEM), incitou a manifestação contra o petista. “Isso aí é tudo gente do ACM Neto, mandados pela prefeitura”, disse o professor Adauto Teixeira, que usava uma camiseta do PT.

Também no primeiro dia de caravana do petista, a Justiça Federal deferiu liminar cancelando a entrega do título de doutor honoris causa ao ex-presidente concedido pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), criada na gestão do petista, em 2005. A homenagem estava marcada para esta sexta-feira, 18, em Cruz das Almas.

A decisão, do juiz Evandro Reis, da 10.ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária da Bahia, ocorreu em resposta à ação popular movida pelo líder do DEM na Câmara Municipal de Salvador, vereador Alexandre Aleluia. O vereador apontou “uso eleitoral” da solenidade.

O magistrado observou, na decisão, “o fim político-eleitoral da outorga do título com vistas a propiciar manifestação ruidosa do réu Luiz Inácio Lula da Silva no local da entrega da homenagem ao coincidi-la com o evento onde ele está envolvido de visibilidade político-partidária”. O juiz determinou que a Polícia Federal esteja no local onde haveria o ato para garantir que a decisão seja cumprida.

Lula criticou a decisão. “Eu queria falar com este vereador, que eu não conheço, que ele tem o direito de não gostar de mim porque ele é do DEM. Eu também não gosto dele porque ele é do DEM. E não é por uma questão pessoal”, disse o petista. Segundo ele, seus adversários tentam criar empecilhos para a caravana “por medo do que nós ainda vamos fazer”.

A UFRB não se manifestou.

Na Paraíba, o PT anunciou que Lula receberia o título de dr. Honoris causa que lhe fora concedido pelo reitor da UFPB Romulo Polaris

Helder Moura: A Universidade Federal da Paraíba não irá conferir, como anunciado pelo PT, o título de honoris causa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como anunciado pelo partido no próximo dia 26. Segundo a reitora Margareth Diniz, “o ato solene não foi nem cancelado, porque, na verdade, não foi sequer marcado”. Segundo a reitora, a solenidade foi anunciada sem ela ser comunicada.

O título honoris causa foi conferido a Lula, em 2011, durante o reitorado de Rômulo Polari, com aprovação pelo Consuni (Conselho Universitário). O fato de Lula não receber no próximo dia 26 o título não significa que está anulada a honraria. Ele poderá acertar uma nova data com a Reitoria.

Suetoni Souto Maior O título de Cidadão Pessoense ao ex-presidente ocorre também no pior momento político da vida dele. Quando foi concedido, em 1997, Lula figurava como o maior crítico da corrupção. Este, inclusive, era o mote das suas campanhas contra Fernando Collor, Fernando Henrique e os sucessores do tucano. Vinte anos depois, o próprio ex-presidente é alvo das acusações. Se tornou réu em seis processos e foi condenado em um deles, justamente o que apura suposto uso de recursos de propina para a reforma de um apartamento no Guarujá. O ex-presidente alega que o imóvel nunca foi dele e já recorreu da decisão do juiz Sérgio Moro.

Lula parece ter adormecido em 1997 e subitamente despertado para a realidade em 2017. Quando seus adoradores devotos e inimigos jurados também acordarão para a nova realidade?

SONORA Nos barracos da cidade Gilberto Gil

https://www.youtube.com/watch?v=qFITt90OtL0