Fogo amigo
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Fogo amigo

Luta sem limites de Dilma e seus aliados comunistas pelo mandato denota desapreço pela velha e boa democracia burguesa

José Nêumanne

10 de maio de 2016 | 16h47

MST queima pneus contra o impeachment

MST queima pneus contra o impeachment

Terça-feira 10 de maio de 2016

Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) nas ruas para garantir o mandato de sua afilhada e sucessora “Dilminha tchau querida”, até à bala, se necessário for, como garantiu Vagner de Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Este o fez, por sinal, na presença dela no próprio Palácio do Planalto. Hoje os grupos convocados por Lula (mesmo estando ele em casa, mudo) provocaram incêndios para cumprir a promessa.

Na verdade, não foi posto fogo no País, como garantiam que aconteceria, mas, sim, em pneus velhos, em várias cidades brasileiras. Alguns pontos cruciais para a circulação viária na mais populosa e menos petista das cidades brasileiras, São Paulo, sofreram as consequências da tática piromaníaca. Em nenhuma manifestação foi reunida uma quantidade sequer relevante de militantes. Mas em todas, graças à disposição desses chamados grupos sociais, o trânsito foi interrompido e os trabalhadores que seguiam para o expediente ou partiam em busca de trabalho, neste momento de desocupação massiva, tiveram enormes dificuldades para chegar ao trabalho ou às agências de empregos.

Em São Paulo, o prefeito petista e o governador tucano tiveram motivos demagógicos para não impedir que os gatos-pingados paralisassem a mobilidade urbana. Fernando Haddad é candidato à reeleição em outubro e Geraldo Alckmin imagina que poderá se candidatar à Presidência da República em 2018, na sucessão ao mandato iniciado por Dilma e provavelmente a ser encerrado por Temer ou por alguém que para isso vier a ser eleito.

Mais grave ainda é o fato de que a presidente, cujo desgoverno é uma espécie de zumbi, cadáver insepulto, permitiu que um grupo de manifestantes a seu favor ocupasse um andar inteiro da sede do poder republicano, que é público, e não sua propriedade privada. O uso do próprio como se fosse a sede de um sindicato ou de seu partido político dá bem a dimensão do amor que a chefa do desgoverno tem pelo Estado Democrático de Direito, que ela assumiu e jurou defender na posse. A distribuição de esqueletos financeiros pelas sedes da gestão federal lembra o ato escatológico do coronel Silvestre Péricles de Goes Monteiro, que rebocou com fezes o Palácio Floriano Peixoto, em Maceió, quando teve de transferir o governo do Estado de Alagoas a um desafeto político. E retrata fielmente o desapreço pela democracia dos ocupantes do governo, que defendem com unhas e dentes suas boquinhas, pouco se importando com o desemprego de 11 milhões de brasileiros, provocado por sua incompetência na gestão. Dilma em pessoa repete com insistência irritante que arriscou a vida pela democracia, sendo que, na verdade, combateu na esquerda armada uma ditadura de direita para implantar tirania do lado oposto do espectro ideológico. E agora apela para o poder perene do sufrágio universal, mercê do qual chegou à Presidência, cargo ao qual se agarra como se fosse o único sentido para sua existência, a despeito da vontade de todos os setores da sociedade, que dela só querem distância .

Ainda quanto a isso, é o caso de lembrar que Flávio Dino, planejador da tentativa de anular a votação da Câmara dos Deputados, e a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) militam num partido revolucionário que não aceita a democracia burguesa e professa sua substituição pela ditadura dita do proletariado. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) é uma dissidência do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, por se opor aos soviéticos, seguiu três linhas revolucionárias: a do chinês Mao Tsé-Tung, a do albanês Henver Hoxxa e, hoje, a do tiranete norte-coreano Kim Jong-un.

Como se vê, somente a paixão cega pode justificar que qualquer pessoa, professe ou não a ideologia deles, aceite como válidos seus argumentos a favor de firulas jurídicas como aquela com a qual Zé Cardozo quer invalidar o impeachment: o fato de líderes de bancadas as terem encaminhado para votar contra Dilma. O que, aliás, eles não deixaram de fazer a favor dela.