Ficar em casa salvará vidas

"Algumas mortes terão. Paciência, acontece, e vamos tocar o barco", disse Bolsonaro a Datena em entrevista exclusiva, defendendo mais uma vez o que chama de isolamento vertical só dos mais velhos e debilitados

José Nêumanne

29 de março de 2020 | 19h36

Nas entrevistas coletivas ao lado de Mandetta Bolsonaro finge seguir orientações de se proteger da covid-19 usando máscara cirúrgica, mas não repete atitude quando execra quarentena. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Até a sexta 27 haviam morrido 27.737 pessoas e 600.663 foram infectadas pela pandemia. Na Itália, em quarentena total desde 9 de março, o número de mortos aumentou em 919 em 24 horas. O governador da região mais afetada, a Lombardia, Attilio Fontana, informou ter aconselhado a um amigo brasileiro para “ficar o maior tempo possível em casa, evitar contato com pessoas e difundir esta mensagem.” O premiê da Espanha, Carlos Sanchez, ´planeja estender o isolamento até 11 de abril após o recorde de 832 mortes na sexta. Jair Messias Bolsonaro convenceu o ministro da Saúde, Mandetta, a adotar sua teoria da prioridade para a economia e disse a Luiz Datena, da Band, o seguinte: “algumas mortes terão. Paciência, acontece, e vamos tocar o barco”. Mas seu ainda ministro da Saúde conclamou todos a fazer esforço coordenado para evitar o colapso do serviço público de saúde. E a Justiça proibiu o governo federal de sabotar o isolamento total decretado pelos governadores. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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