Faltou um rábula no Planalto
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Faltou um rábula no Planalto

Quiproquó com Câmara sobre subordinação do Coaf à Justiça ou à Economia nem teria existido se advogado minimamente preparado despachasse em gabinete próximo ao do presidente

José Nêumanne

30 de maio de 2019 | 11h23

Irrelevância da subordinação do Coaf à Justiça ou Economia é revelada na completa harmonia existente entre  ministros Moro e Guedes. Foto: Wilton Jr.

“Coaf continua no governo”, disse Bolsonaro. E ele está certo. Mas o partido Podemos entrou no STF para contestar a decisão da Câmara, aprovada pelo Senado a pedido de Bolsonaro, Guedes, para cujo Ministério de Economia segue o órgão de inteligência para detectar delitos na área financeira, e do próprio Moro, que paralisaram o movimento que poderia por em risco toda a MP 870/19, que reorganizou a Esplanada dos Ministérios. Na verdade foi uma tempestade não num copo d’água, mas num pires d’água, numa metáfora reveladora de um quiproquó que não tinha razão de ser e que poderia ter sido resolvido sem MP nenhuma, mas com uma portaria preparada pelo advogado-geral da União, André Mendonça, ou pelo chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que é veterinário. De fato, faltou um rábula no Planalto.

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Assuntos para o comentário da quinta-feira 30 de maio de 2019:

1 – Haisem – O fato de Bolsonaro ter dito que “Coaf continua no governo” para encerrar de vez qualquer discussão sobre a MP 870/19 que reorganiza os ministérios significa o enfraquecimento do prestígio de Moro com ele

2 – Carolina – Por que o destino do Coaf, que mal era percebido no noticiário antes da solicitação de Moro de passá-lo do Ministério da Economia para sua pasta, passou a ficar numa situação comparável ao naufrágio do Titanic

3 – Haisem – Qual a intenção que está por trás da decisão do partido Podemos de entrar na Justiça contra a devolução do Coaf do Ministério da Justiça para a parta de Sérgio Moro

4 – Carolina – Você tem alguma ideia dos motivos que levam o senador Flávio Bolsonaro, primogênito do presidente Jair, insistir e persistir tanto com recursos à Justiça para bloquear as investigações do Ministério Público do Rio sobre irregularidades que possam ter sido cometidas no seu gabinete na Alerj

5 – Haisem – De que adianta Tribunal de Justiça do Rio negar habeas corpus, como fez ontem, se se permite que o ex-motorista de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, pivô da investigação sobre irregularidades financeiras na Alerj, só se comunique com o Judiciário e o MP por meio de seus advogados, esquivando-se de depor pessoalmente e inventando versões que se desmancham, mas nem por isso chega a ser punido

6 – Carolina – Qual a sua opinião sobre a recomendação feita pelo Cade ao presidente Bolsonaro para que vete gratuidade de bagagem despachada em aviões

7 – Haisem – Quais podem ser as conseqüências da decisão da Atvos de ser a primeira empresa do Grupo Odebrecht, com dívida de 12 bilhões de reais, a pedir recuperação judicial

8 – Carolina – Que mudanças significativas podem acontecer no processo da Lava Jato com a transferência autorizada pela Justiça paranaense para Eduardo Cunha, o Caranguejo da Odebrecht, ser transferido do Complexo Médico Penal de São José dos Pinhais, onde divide cela com Dirceu, Palocci, Vaccari e Gim Argello, para o presídio de Bangu 8