Facada nas costas
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Facada nas costas

Divulgação do vídeo de delação de Funaro cria crise inoportuna entre Temer e Maia

José Nêumanne

16 de outubro de 2017 | 16h16

Temer e Maia olham pra mesma direção, mas com planos opostos Foto:/Ricardo Moraes/Reuters

 

A divulgação dos vídeos da delação premiada do contador Lúcio Funaro causou um novo confronto entre os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e da República, Michel Temer. Para interlocutores do Palácio do Planalto, a medida é mais uma ação de Maia para tentar constranger o governo e mostrar descolamento do presidente. Afinal, a história contada por Funaro é longa e lógica O governo avalia que o deputado não tinha a obrigação de colocar os vídeos no site da Câmara. Esta é, infelizmente, nossa realidade: revelações tão impactantes só servem para aumentar o custo da compra dos votos, não alterar a natureza deles. É o caso de dizer que estamos no mato na árvore acuados pela cachorrada.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – segunda-feira 16 de outubro de 2017, às 7h30m)

Para ouvir clique aqui e, em seguida, no play

 

Para ouvir Mpirão primeiro, com Bezerra da Silva, clique aqui

 

Abaixo, a degravação do comentário na íntegra:

Eldorado 16 de outubro de 2017 – Segunda-feira

A manchete do Estadão hoje não deixa dúvidas: vídeo da delação provoca crise entre Maia e Planalto. Era para chegar a esse ponto?

A divulgação dos vídeos da delação premiada do operador Lúcio Funaro causou um novo confronto entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente Michel Temer. Para interlocutores do Palácio do Planalto, a medida é mais uma ação de Maia para tentar constranger o governo e mostrar descolamento do presidente. O governo avalia que o deputado não tinha a obrigação de colocar os vídeos no site da Câmara. Vamos entender por que esses vídeos causaram tanto impacto.

SONORA 1610 A FUNARO

Os vídeos são realmente acachapantes, para dizer o mínimo. Afinal, a história contada por Funaro é longa e lógica. Quem a ouve tem poucas dúvidas sobre suas verossimilhança, embora os fatos ainda precisam ser provados.

O certo é que o episódio levou a um bate-boca público entre Maia e a defesa de Temer, justamente na semana em que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara vai analisar o relatório da segunda denúncia contra o presidente, por obstrução da Justiça e organização criminosa no caso J&F. Neste sábado, 14, o advogado Eduardo Carnelós publicou nota para criticar “vazamentos criminosos”. Maia contra-atacou e disse que o defensor é “incompetente”. Carnelós recuou e, também em nota, disse que “jamais” imputou “a prática de ilegalidade” ao deputado.

Os vídeos da delação de Funaro foram divulgados no site da Câmara com documentos relacionados à segunda denúncia contra Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral). O material foi enviado pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, com ofício expedido em 21 de setembro, uma semana após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar a segunda denúncia contra Temer.

SONORA 11610 C FUNARO

Parte inferior do formulário

Segundo a presidência da Câmara, no ofício não há menção ao sigilo do material. Neste domingo, 15, por meio de assessoria, Cármen Lúcia afirmou que apenas oficiou Maia e o relator do inquérito, Edson Fachin, é a autoridade máxima e única no processo. Segundo o gabinete de Fachin, a delação de Funaro não teve o sigilo retirado em nenhum momento.

O secretário-geral da Mesa Diretora, Wagner Soares, que é subordinado a Maia, determinou, porém, que os vídeos fossem divulgados no site da Câmara. O material subiu na íntegra no dia 29 de setembro, uma semana depois de o presidente da Câmara disparar duras críticas a Temer e ao PMDB em razão do assédio dos peemedebistas a parlamentares do PSB com os quais o DEM negociava filiação.

Os vídeos vieram a público somente nesta sexta-feira, 13, com reportagem do jornal Folha de S.Paulo. A primeira nota de Carnelós com acusação de “vazamento criminoso” irritou Maia, que fez chegar a Temer sua insatisfação. “Não teve vazamento. O advogado é incompetente”, disse o presidente da Câmara à Coluna do Estadão. Em nota, Maia disse ainda ver com “perplexidade muito grande” ter sido tratado de “forma absurda” pelo advogado, “depois de tudo que fiz pelo presidente, da agenda que construí com ele, de toda defesa que fiz na primeira denúncia”.

Mas esta é a melhor hora para esse advogado de Temer arrumar uma briga com Maia?

Embora as imagens de Funaro impressionem o Planalto e tenham impacto no governo, a avaliação é de que essa nova polêmica com Maia pode trazer mais problemas para o presidente do que o conteúdo dos vídeos. No Planalto, o teor da primeira nota de Carnelós foi considerado um “tiro no pé”. Temer, então, mandou seu advogado distribuir a segunda nota, na qual ele negou ter imputado “crime” a Maia, para amenizar a tensão com o deputado. A temperatura entre Temer e Maia já havia subido em razão do episódio do “assédio” a parlamentares do PSB. Maia disse que foi atingido com uma “faca nas costas” pelo PMDB. Desde então, houve mais problemas. Na semana passada, por exemplo, Maia, em desacordo com o Planalto, abriu a sessão da Câmara para votar a Medida Provisória (MP) sobre acordos de leniência de bancos. A base, porém, não apareceu na votação por articulação do governo, que tinha pressa em votar o relatório pelo arquivamento da segunda denúncia. Maia, então, sentiu-se derrotado na intenção de votar a MP e acusou o Planalto de não ter prioridade em suas pautas. O Planalto já estava atento às ações de Maia e a desconfiança de parte a parte só tem crescido. Para o governo, parlamentares que se dizem indecisos poderão aproveitar o impacto dos vídeos para fazer novas cobranças ao Planalto. A avaliação é de que isso poderia aumentar o impacto dos apoios, mas não inviabilizar o arquivamento da denúncia.

Esta é, infelizmente, nossa realidade: revelações tão impactantes só servem para aumentar o custo da compra dos votos, não alterar a natureza deles. É o caso de dizer que estamos no mato na árvore acuados pela cachorrada.

No fim de semana a Oi andou ocupando as primeiras páginas, os editoriais e o noticiário econômico dos jornais do mundo inteiro. O rabo de palha está queimando?

O festival Oi nos dois lados do Atlântico foi aberto com um excelente editorial do Estadão sobre o assunto. Peço licença pra ler o último parágrafo do texto, intitulado Campeã nacional de confusões.

No momento em que o governo empreende um enorme esforço para reequilibrar as contas do País, após a pior recessão de nossa História, seria no mínimo contraditório, diante de uma situação de desequilíbrio fiscal, mover recursos para salvar uma empresa que nunca aprendeu a andar com as próprias pernas, já nasceu dependente. É hora de a Oi arcar com as consequências de seu descalabro administrativo.

No fim de semana, Míriam Leitão, colunista do Globo,  diz  que colocar dinheiro público ou oferecer vantagens especiais para a Oi pagar suas dívidas com credores estatais é inaceitável. É o que venho falando incansavelmente desde o início desse ano. Miriam Leitão afirma que três diretores estatutário da Oi receberam neste ano R$ 45,8 milhões, incluídos R$ 21,6 milhões em bônus, e que a Vivo, que não está quebrada vai pagar bem menos, R$ 10,9 milhões.É Miriam, enquanto os sócios capinam a Oi, o BNDES e a Anatel, credora de mais de R$ 15 bilhões da Oi, a tudo assistem e nada fazem.  Miriam Leitão diz ainda e eu concordo que a reestruturação da Oi não deve ser resumir somente à solução da dívida, a venda de ativos de partes da Oi deveria ser uma possibilidade.

Em matéria da Mariana Durão e Circe Bonatelli, o Estadão diz que os principais credores da Oi fizeram duras críticas ao novo plano de reestruturação, que beneficia os principais acionitas, Tanure e os portugueses da Pharol (Portugal Telecom). Em comunicado os principais credores atacaram a proposta da tele: “O plano de reestruturação revisado do grupo Oi ignora as preocupações dos credores, ameaça a viabilidade da empresa a longo prazo e enriquece abusivamente, os atuais acionistas”.

O credores da Oi, que coloquem suas barbas de molho. Tanure, é um especialista em se aproveitar de empresas em falências, vide o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil.

E os executivos da Pharol, Portugal Telecom estão sendo investigados em Portugal. O jornal português Expresso publicou,  no sábado que  “acionista da Oi acusa gestores da PT de ‘desvio de 897 milhões de euros’. Otávio Azevedo  disse à Justiça brasileira que executivos da Portugal Telecom, na operação de fusão com a Oi, teriam desviado 897 milhões de euros, referindo-se ao investimento na Rio Forte. Otavio Azevedo, segundo o Expresso, se dispõe a colaborar com a Justiça portuguesa.

A  Operação Marquês” de Portugal investiga suspeita de que e o preço da Oi tinha sido inflacionado artificialmente com a conivência dos gestores da Portugal Telecom. O Ministério Público português suspeita de que pode ter havido uma combinação com o ex-presidente Lula para a distribuição de subornos por políticos e empresários portugueses.

O também jornal português Público já tinha feito referência a pagamento de o 200 milhões de euros de extras no negócio PT/Oi em 2010, que estariam relacionados com o pagamentos de luvas.

A PGR portuguesa teve acesso a depoimento do Otavio Azevedo e deverá fazer diligência para ouvi-lo em breve.

A Oi honra o seu apelido desde a privatização, a telegangue.

Tem ex-presidente com tornozeleira eletrõnica e diretor jurídico, Eurico Teles, denunciado, em 2016, pelo Ministério Público do Estado do Sul, por formação de quadrilha, estelionato, patrocínio infiel e lavagem de dinheiro. O esquema do diretor jurídico da  Oi era subornar um escritório de advocacia que defendia 13 mil clientes em ações da companhia, em troca de encerramento de ações judiciais. Ao invés de defender de seus clientes, comprava o seu defensor. É mole??

O programa de recuperação da Oi poderia se chamar: Da União para o Ladrão

Depois de passar dois anos consumindo apenas o básico, as famílias de baixa renda estão aos poucos retomando as compras. O recuo no preço dos alimentos, que pesa mais no bolso dos mais pobres, está abrindo espaço para gastos que até pouco tempo essa parcela da população não pensava em fazer, como comprar um eletrodoméstico novo ou trocar o carro usado por um melhor. 

Segundo reportagem de Márcia de Chiara, eo Estadão, Os dados oficiais ainda não capturaram o efeito que o aumento do poder de compra das famílias de baixa renda teve no consumo nos últimos meses, por causa da queda da inflação. Mas uma série de indicadores já apontam nessa direção. Em setembro, o fluxo de pessoas nos shoppings do País teve o maior crescimento desde 2015, puxado pelos shoppings populares. Trabalhadores que ganham até dois salários mínimos são maioria entre os que limparam o nome no serviço eletrônico da Serasa Experian. E nas lojas de eletrodomésticos, outro sinal concreto: a venda de TVs básicas, por exemplo, está crescendo mais do que a dos aparelhos mais sofisticados.

As mudanças no cenário mais favorável ao consumo começaram em meados do ano, quando a inflação, especialmente a dos brasileiros de menor renda, bateu no fundo do poço. Em junho, tanto o custo de vida das famílias que ganham até R$ 4.685, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do IBGE, quanto as com renda de até R$ 37.480, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou deflação. Mas a queda maior ocorreu entre os mais pobres. O INPC caiu 0,30% em junho, enquanto o IPCA recuou 0,23% no mesmo período. De lá para cá, o cenário só tem favorecido os mais pobres. Em agosto e setembro, o INPC teve deflação, enquanto o IPCA foi positivo, ainda em níveis baixos. Pelo menos uma notícia boa no meio de tanto esgoto.

SONORA Farinha pouca meu pirão primeiro Bezerra da Silva

https://www.youtube.com/watch?v=9YfTuIPwhMY

 

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