Está com medo de quê, Bolsonaro?

Confirmando traço pessoal inequívoco da covardia, presidente banca o valentão dizendo que deporia pessoalmente à PF, mas, depois, recorreu aos préstimos do advogado-geral da União (ou seja da união dele consigo mesmo)

José Nêumanne

18 de setembro de 2020 | 21h31

Primeiro, Bolsonaro diz que não teme depoimento presencial na PF, mas, assim que pode, se esconde debaixo da toga do advogado-geral da União, ou seja,  dele consigo mesmo. Foto? Marcos Correa/PR

Quando o decano do STF, Celso de Mello, abriu um inquérito sobre tentativa de Jair Bolsonaro intervir na PF, denunciada pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, o presidente foi ao encontro de seus adoradores à frente do jardim do Palácio da Alvorada, onde mora, para cartar marra de valentão e dizer que ia depor. Mas depois, mostrando que, de fato, é frouxo, mandou seu vassalo José Levy, advogado-geral da União (ou particular dele?), recorrer para depor por escrito. O decano manteve a decisão inicial e seus sabujos insitem em empurrar o depoimento com a barriga, aproveitando-se que o relator do inquérito está hospitalizado. O chefe do governo está devendo uma explicação, entre muitas, ao distinto público, que sustenta sua famiglia: o que o apavora tanto num depoimento pessoal a subordinados da PF e do MPF? Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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