E la nave va?
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E la nave va?

A nave Brasil afunda, os passageiros ficam atônitos e as tripulações disputam o acesso à torre do comando

José Nêumanne

03 de junho de 2016 | 15h44

Eis o troféu em disputa

Eis o troféu em disputa

Sexta-feira 3 de junho de 2016 – Meio dia

Neste momento, nosso Brasil se assemelha a um gigantesco transatlântico encalhado num iceberg e afundando a uma velocidade que acelera. A antiga tripulação foi flagrada sabotando casco e maquinário e roubando todos os pertences dos passageiros atônitos, que sobrevivem de restos quase podres da cozinha depauperada. Os antigos tripulantes, flagrados em delito, foram isolados e mantidos a bombordo, fora do alcance da torre do capitão, que substitui provisoriamente a antiga comandante (soit-disant “comandanta”), que fica gritando palavras desconexas, numa tentativa exasperada de desmoralizar o esforço titânico de alguns tripulantes que tentam retirar a água que invadiu a casa das máquinas, tentando fazê-las funcionar e mover o casco para cima, para, só então, colocá-lo em condições de navegar. A estibordo, os passageiros, passivos e desesperados, não sabem o que fazer, se chegar a hora em que os que tentam por a nave em movimento cansem e a antiga tripulação reassuma o comando da liça para, então, a afundá-la para sempre. Vade retro! Eia, sus, bravos nautas! E Deus nos livre do inferno de dantes.

 

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