Duro de roer
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Duro de roer

Bombardeado por todos os flancos, Temer finge Poliana que resolve a crise brasileira com destemor

José Nêumanne

23 de junho de 2017 | 12h05

Em Oslo, Rei Harald paparica Temer e Noruega corta recursos Foto: Vidar Ruud / NTB scanpix via AP)

Em duas sessões plenárias esta semana mais pelo menos uma na semana que vem, o STF decidiu entre dois vexames a serem perpetrados pelo aparato policial e judiciário do País. Um seria revisar a delação premiada entre PF, MPF e Joesley Batista, da JBS e, com isso, o Brasil sair do concerto das nações civilizadas que, de fato, combatem a corrupção, lideradas pelos EUA desde o atentado contra as torres gêmeas. A opção seria manter a jabuticaba do maior prêmio de delação da História dados por Janot e Fachin aos bambas da carne fresca. Confirmado por 7 a 0, Fachin sentiu-se liberado para mandar pra Janot o processo contra Temer, que de Moscou e Oslo, mandou dizer que é osso duro de roer.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na sexta-feira 23 de junho de 2017, às 7h30m).

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Para ouvir Osso duro, com Bezerra da Silva, clique aqui

 

 

Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 23 de junho de 2017 – Sexta-feira

Fachin dá cinco dias para Janot apresentar denúncia contra Temer, diz a manchete do Estadão hoje. Quer dizer que, como reza o título do filme de Fellini, E La nave va, e só Michel Temer não viu?

Se Temer achou que saindo do Brasil para visitar Rússia e Noruega estava livre das más notícias, deu com os burros n’água

Fachin continua relator, Janot continua procurador-geral da República e vida segue.

A farsa do STF – 3 dias para decidir por qual dos dois vexames

Vexame de tirar o Brasil do concerto das nações que de fato combatem a corrupção – EUA – torres gêmeas – Modesto Carvalhosa – Estadão

Vexame de manter a jabuticaba do maior prêmio de delação da História.

Fux entre os votos vencedores repisou o pretexto de que o Estado não pode ser desleal e que a lei mostra que está tudo certo

SONORA_FUX

Ninguém explicou nada Temer não justificou sua conversa no porão joesçey como ficou rico nem Fachin os passeios com Saud no Senado nem os dois milhões que Dilma pagou pela assessoria no enfrentamento da sabatina. Corporativismo prevalece. Gilmar já disse que ninguém pode atirar a primeira pedra num colega que contou com apoios suspeitos para vestir aquela fantasia de morcegão. Reunião de ontem teve até ataque de Gilmar chiliquento. Mas voltou piano piano como cabe a um voto perdido e, pelo visto, isolado, guardado pro complemento da farsa na quarta que vem.

Esperança de Temer era contar com votos no plenário do STF para continuar apostando no duelo no Curral de Anápolis, o OK Corral goiano, para não ter de se defender e acusar Joesley. Maioria foi alcançada a zero, não tem mais como reverter, Fachin continua relator de seu inquérito.

Dos males o menor. A delação premiada dos Batista continua sendo uma excrescência, mas excrescência ainda menor é ele estar vivendo no reino de Poliana no exterior

Mas em Oslo o presidente Michel Temer reconheceu que o Brasil vive uma “crise política” e disse que irá recorrer da decisão do juiz de não aceitar sua queixa-crime contra o empresário Joesley Batista. Isso não basta?

De fato, Temer admitiu que o Brasil vive uma crise política. E acrescentou “E que eu estou tomando as providências mais variadas para defender os aspectos, primeiro institucionais da presidência, mas também morais”, afirmou.

SONORA_TEMER

A semana começou com a PF constatando a existência de “incólumes evidências” de que Temer cometeu os três crimes pelos quais tem sido acusado depois da conversa com Joesley: corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à investigação. Funaro tirou o protagonismo de Joesley contando que pagou 20 mi a Temer e mais 20 mil a Geddel, expondo a patota do Planalto que Joesley chama de Orcrim do PMDB da Câmara – Geddel, Moreira e Padilha e mostrando por que Temer não se livra deles. A PF descobriu que Rodrigo da Rocha Loures foi buscar propina pegando carona com Kassab num avião da FAB. Enquanto isso, ele ia ao espetáculo do Bolshoi e se orgulhava de Putin ter deixando seu assento para que ele visse melhor o espetáculo. Trocou os apostos e mesóclises por superlativos como finíssimo e elegantíssimo. E não reparou que pouquíssima gente foi à festa que a embaixada lhe deu em Moscou e que quando se aproximava das rodinhas, todos calavam e depois iam se espalhando. Feliz porque o rei em vez de só lhe dar uma hora o convidou para almoçar. E não percebeu que, como relatou Jamil Chade, só um foquinha de 23 anos compareceu à coletiva de Oslo na qual imaginou que podia fugir da crise brasileira recusando-se a falar dela. A síndrome do to nem aí tomou conta dele. No passeio pelo Kremlin provou que não era zumbi com o aparecimento do reflexo no espelho, mas não aproveitou para ver a própria imagem no espelho, a imagem de um presidente de um país que já foi potência e se recusa de encarar a realidade de uma vez.

Enquanto Poliana passeia em Oslo, a Noruega visitada cortou 196 milhões da verba para a Amazônia. De que serve o rei gentilíssimo anfitrião? E o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, anunciava a suspensão de todas as importações de carne bovina in natura do Brasil, por causa de “preocupações recorrentes” com a segurança do produto destinado ao mercado americano. A medida continuará em vigor até que o Ministério da Agricultura do Brasil adote ações “corretivas” para atender as exigências do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A decisão é um revés significativo para os exportadores de carne brasileiros, que haviam conseguido abrir o mercado americano para seus produtos em junho de 2015. O primeiro embarque, no entanto, ocorreu apenas em setembro do ano passado. Embora o volume de exportação ainda não seja relevante, o mercado americano, por ser um dos mais exigentes, serve de referência para que outros países decidam comprar a carne brasileira. Lembra-se da carne fraca? Quer dizer que a PF não estava sendo tão antipatriótica assim. E se Joesley é um bandido, por que não adotaria as mesmas práticas em seu comércio de proteína animal?

Segundo notícia do Valor econômico, num relatório divulgado pela Fundação Konrad Adenauer, ligada à União Democrata-Cristã (CDU), o partido da chanceler alemã Angela Merkel, é dado o diagnóstico de que não há solução à vista para a profunda crise política no Brasil, o presidente Michel Temer tem conseguido sobreviver com base em manobras questionáveis e o país perde importância no cenário internacional. A avaliação é feita — e com essas palavras. Em seis páginas, o “think tank” germânico narra os principais acontecimentos desde a delação do empresário Joesley Batista e descreve como “farsa” o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a chapa vitoriosa nas eleições presidenciais de 2014. A decisão mostra que “até mesmo a Justiça vem sendo mais e mais politizada”, escrevem Jan Woischnik e Alexandra Steinmeyer, que chefiam o escritório da Konrad Adenauer no Brasil. E Temer pensa que é como o malandro do samba Osso Duro de Roer, de Bezerra da Silva. Não basta ir para a Europa para jogar água na fervura da crise aqui, doutor.

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou ontem a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), a abertura do segundo inquérito contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). Será que desta vez a  coisa anda?

O pedido de Marco Aurélio tem base na investigação iniciada após a delação do Grupo J&F e ampliada na Operação Patmos. O novo caso aberto é para apurar supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Fora esta nova investigação, Aécio já foi denunciado pela PGR pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de justiça. Na Corte, há nove inquéritos contra o senador afastado. Quando pediu o novo inquérito, a PGR apontou necessidade de investigar três pontos: “o pagamento de propina da ordem de mais de 60 milhões de reais feito em 2014 ao parlamentar por meio da emissão de notas fiscais frias a diversas empresas indicadas por ele”, o pagamento a diversos partidos para apoiarem a candidatura à Presidência da República em 2014, e “o pagamento de dinheiro em espécie feito diretamente a Frederico Pacheco de Medeiros, primo do Senador e por este indicado para receber os valores”.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também diz que Aécio, depois de passada a campanha eleitoral de 2014, procurou Joesley Batista para pedir recursos financeiros, e o delator teria concordado em comprar um imóvel superfaturado por 17 milhões de reais por uma pessoa indicada por Aécio, a fim de que o dinheiro chegasse ao senador afastado. “Mister, assim, a continuidade das investigações, para desvelamento completo de tais fatos”, disse Janot.

O pau que bate em Michel também bate nos aliados tucanos dele. Mas, por enquanto, Aécio continua livre, leve e solto e a irmã, o primo e o assessor do cartola Perrela estão em casa guardados por Deus contando o vil metal, apenas de tornozeleira. E os tolinhos de plantão ainda ficam esperando do PSDB uma reação ética ao governo apodrecido do qual fazem parte e cuja fama também merecem. É difícil condenar um tucano. Veja o caso do Eduardo Azeredo, mensalão mineiro.

Mudando de pau pra cacete, anteontem, o Estadão publicou que a AGU pede bloqueio de R$ 850 milhões da JBS. Diz a AGU que a medida tem como objetivo garantir um futuro ressarcimento de prejuízos estimados em cerca de R$ 850 milhões causados aos cofres do BNDES. O pessoal da JBS fala em retaliação. Quem está falando a verdade?
O fato é que a AGU não bloqueou os bens das empreiteiras, que também pegaram muitos recursos com o BNDES. Só a Odebrecht tomou empréstimos do BNDES, US$ 32 bilhões, que segundo matéria da Veja, de 2016, 81,8% de todo o volume desembolsado pelo BNDES no exterior. A mesma matéria traz que dessa lista de tomadores de recursos do BNDES, também faz parte  construtora Andrade Gutierrez, com 3,7 bilhões de dólares (9,6% do total),  Queiroz Galvão, que usou 1,88 bilhão de dólares (5%); Camargo Corrêa, que obteve 632 milhões de dólares (1,6%), e OAS, com 393 milhões de dólares (1%).
A Odebrecht, que está no centro da Lava Jato, recebeu US$ 31,702 bilhões no período, 81,8% de todo o volume desembolsado pelo BNDES a projetos no exterior Ao contrário, matéria do Valor de março de 2007, traz que o BNDES retoma análise de crédito para obras da Odebrecht no exterior.
São dois pesos e duas medidas, é?
As empreiteiras também não estão sendo impedidas de venderem seus ativos.
A AGU está sendo parcial e atacando quem está atacando o governo. A delação da Odebrecht foi econômica com Temer.

SONORA Osso duro Bezerra da Silva

https://www.youtube.com/watch?v=fLJU9V9BlOc

 

 

 

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