Doar testes de covid a pobres para não queimar

Para evitar desgaste político da incapacidade de gestão do ministro da Saúde o governo tenta encontrar quem aceite a doação de 5 milhões de testes da covid com validade a vencer em abril

José Nêumanne

08 de fevereiro de 2021 | 20h24

Sem saírem do estoque, os testes ganhou mais 4 meses de validade e 2,1 milhões de exames foram entregues até agora, mas ainda há dificuldade em encontrar destinação Foto: Felipe Rau/Estadão

O Ministério da Saúde está tentando doar 1 milhão dos cerca de 5 milhões de testes para detecção da covid encalhados num armazém federal e que vencem a partir de abril. Tentando reduzir o estoque e evitar mais desgaste à imagem do ministro, general Eduardo Pazuello, o governo pretende entregar parte ao Haiti. Outro lote foi oferecido a hospitais filantrópicos e Santas Casas, que devem recusar. A mistura durante a pandemia de cinismo com burrice e falta de empatia é de fazer chorar de vergonha qualquer cidadão  O tratamento dispensado pelas autoridades de nossa república das bananas podres ao povo do país mais pobre do mundo é o melhor exemplo da arrogância estúpida e da canalhice de tentar ocultar o inocultável desleixo de queimar ou jogar no lixo testes na pandemia para evitar o merecido desgaste político.

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Assuntos para comentário na segunda-feira 8 de fevereiro de 2021

1 – Haisem – Brasil quer doar um milhão de testes quase vencidos de covid ao Haiti – Esta é a manchete da primeira página da edição impressa do Estadão de hoje. Que reação você teve ao tomar conhecimento desta notícia

2 – Carolina – África do Sul suspende vacina da AstraZeneca – Este é o título de uma chamada publicada no alto da primeira página de nosso jornal hoje. Que conseqüências ela pode trazer para o combate à pandemia, já tão precário, no Brasil

3 – Haisem – Deputados aumentam gastos com transportes – Este é título de outra chamada de primeira página no Estadão hoje. O que é possível deduzir de uma notícia ruim, mas previsível, como esta em plena pandemia

4 – Carolina – Centrão mira espaço ocupado por militares – Este é o título de mais uma chamada de primeira página do jornal hoje. Quais são as causas e serão as conseqüências, a seu ver, desta movimentação fisiológica na cúpula dos Poderes da República

5 – Haisem – No Brasil “tá tudo dominado”, diz Lasier – Este é o título do vídeo da semana da série Nêumanne Entrevista no canal José Nêumanne Pinto no YouTube. Que motivos o senador Lasier Martins encontrou para usar uma expressão identificada com o crime organilzxado e as milícias para definir o jogo dos três Poderes da República

6 – Carolina – “No ano passado eu morri, mas este ano eu não morro” – Este é o título de seu post de estréia na série Dois Dedos de Prosa no Blog do Nêumanne no Portal do Estadão. O que causou o uso do verso do poeta do absurdo Zé Limeira, que serve de refrão a uma canção de Belchior, incluída em sampler e, Amarelo, de Emicida, no auge de uma pandemia, o que o torna profético

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