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Disparates de um bolsorroto

Presidente repete fantasias de discursos de parlamentar de extrema direita sem levar em conta responsabilidades adquiridas há seis meses quando assumiu responsabilidade de tirar Brasil da miséria e não de lavar sangue derramado

José Nêumanne

30 de julho de 2019 | 10h15

Há meio ano na Presidência, capitão reformado Bolsonaro repete fantasias de militância de extrema direita no baixo clero da Câmara, esquece deveres do cargo e favorece inimigos. Foto: Reprodução

Ao provocar o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, dizendo que sabe como morreu Fernando Augusto, pai do presidente da entidade, Felipe Santa Cruz, o presidente da República, Jair Bolsonaro, perdeu mais uma, talvez a melhor, oportunidade de sua vida de calar a metralhadora giratória que o transforma num boquirroto, um verdadeiro Bolsorroto. A OAB hoje não passa de um sindicato de advogados abonados e seu presidente, de um militante do PT que não ganhou eleição nem para vereador no Rio. Mas o chefe do Executivo federal abriu uma polêmica que o transformou em mais um herói da liberdade e da resistência à ditadura, ao afirmar, de forma equivocada, que o pai dele tinha sido “justiçado” pelos companheiros da Ação Popular (AP), e não morto pela repressão, como reconhece atestado de óbito, fornecido à família por órgão ligado ao governo federal na semana passada. No meio de polêmicas absurdas, tais como a nomeação do filho caçula para a embaixada em Washington e o tour de helicóptero de parentes no casamento deste, ele dificulta aqueles que, como Janaína Paschoal, torcem para seu governo dar certo, no mínimo por uma questão de lógica.
Assuntos para o comentário de terça-feira 30 de julho de 2019

1 – A Ordem dos Advogados do Brasil perdeu a autoridade por causa de sua interferência para evitar investigações sobre pagamento de advogados de Adélio Bispo, seu agressor, para interpelar no Supremo Tribunal Federal declarações infelizes do presidente da República sobre a morte do pai de seu presidente, Felipe Santa Cruz, durante a ditadura militar

2 – As conclusões da Comissão Especial para Mortos e Desaparecidos na ditadura, instalada pelo governo federal, merecem seu crédito

3 – Em que pontos a crítica feita pela parlamentar mais votada da História do Brasil, a deputada estadual paulista Janaína Paschoal, do PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro se elegeu, tem razão nas críticas que ela fez às declarações deste sobre o pai do presidente da OAB

SONORA_DORIA OAB 3007

4 – Você acha que há alguma razão objetiva para os governadores do Nordeste baixarem o tom nas críticas ao presidente da República depois da saia justa ocorrida na inauguração do aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista, com a recusa do governador da Bahia, Rui Costa, do PT, de comparecer ao evento e não ceder a Policia Militar para ajudar na segurança da comitiva presidencial

5 – Será que vai prosperar a ideia da Polícia Federal de incriminar Walter Delgatti Neto, o Vermelho, acusado de ter invadido o aplicativo Telegram dos celulares de quase mil autoridades dos três Poderes, policiais e jornalistas, por cada invasão para incentivar uma delação premiada dele e, assim, facilitar a investigação sobre os mandantes desse crime abjeto

6 – A decisão da Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel – de bloquear telefonema para o próprio número é correta ou você acha que é uma providência óbvia, que devia ser tomada antes da facilidade encontrada pelos hackers para invadir os telefones que clonou

7 – O que teria provocado o massacre de 57 presos em Altamira, no Pará, o segundo maior em prisões da História do Brasil, desde a invasão de Carandiru, que passou a ser um símbolo desse tipo de violência

8 – A seu ver, o presidente do Banco do Brasil pode estar se metendo em assunto que não é de sua alçada ao criticar os gastos do Conselho Nacional da Justiça com sua nova sede

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