“Direitos humanitários”

“Direitos humanitários”

No julgamento do agravo regimental de Paulo Maluf pelo plenário do STF se decidiu que, ao contrário de antes, ricaços podem ser condenados, mas eles passam a ter especiais direitos humanitários, que outros não têm

José Nêumanne

19 de abril de 2018 | 17h39

 

Em teoria, Maluf está preso. Na prática, goza do conforto do lar. Nada a lamentar. Foto: André Dusek/Estadão

Duas notícias emanaram do julgamento feito ontem no STF do embargo regimental apresentado pela defesa do deputado federal e milionário Paulo Maluf contra a decisão tomada por 4 a 1 dos membros da turma do próprio Supremo de começar a cumprir sua pena de prisão. Uma é boa: foi mais uma derrota dos soldados da impunidade e da desigualdade que naquele ambiente lutam com vigor por suas teses e Maluf, ícone da corrupção da ditadura, não foi promovido a prova viva de que ainda vige no Brasil a tradição infame de que prisão é só para pretos, pobres e prostitutas. A outra, muito ruim, é de que, senão na Justiça como um todo, mas em sua cúpula, continua valendo o dito popular de quem tem padrinho não morre pagão. A prisão domiciliar só seria justa por princípio humanitário se o ricaço fosse mais humano do que o resto. Este foi um dos comentários que fiz no programa Estadão às 5, gerado no estúdio da TV Estadão no meio da redação do jornal, ancorado por Emanuel Bomfim e retransmitido pelas redes sociais Youtube, Periscope Estadão, Twitter e Facebook na quinta-feira 19 de abril de 2018, às 17 horas.

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