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Bloqueio judicial de R$ 9 milhões em aposentadoria privada desmascara falsa santidade de Lula

José Nêumanne

21 Julho 2017 | 11h45

Lula precisou de seis zeros nove zeros para depositar em sua aposentadoria privada Foto/Andre Penner/SP

O BrasilPrev, do Banco do Brasil, comunicou ao juiz federal Sérgio Moro que bloqueou R$ 9 milhões em contas do ex-presidente Lula. Que efeitos funestos esta notícia pode produzir sobre sua imagem de herói popular perseguido pela burguesia? O bloqueio foi determinado em 14 de julho, dois dias após condenar o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex. Agora entendo por que Lula disse que não me conhece: na certa, não quer que eu conte que o conheci numa casa de vila operária em São Bernardo. Não dá para juntar os 600 mil que o Banco Central, muito menos esses 9 milhões. Fico me perguntando como seus devotos conseguirão explicar.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – da sexta-feira 21 de julho de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 21 de julho de 2017 Sexta-feira

O BrasilPrev, do Banco do Brasil, comunicou ao juiz federal Sérgio Moro que bloqueou 9 milhões de reais do ex-presidente Lula. Que efeitos esta notícia pode produzir sobre sua imagem de herói popular perseguido pela burguesia?

Não são nove, novecentos, noventa mil nem novecentos mil. São NOVE MILHÕES. Parte do valor retido, R$ 7.190.963,75, é relativo a um plano empresarial da LILS (empresa de palestras do petista) e o outro, R$ 1.848.331,34, se refere a um plano individual. O bloqueio foi determinado por Moro em 14 de julho, dois dias após condenar o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex.

Lula diz que não me conhece. Agora entendo que ele não quer que eu conte que o conheci numa casa de vila operária em São Bernardo. Não dá para juntar os 600 mil que o Banco Central, muito menos esses 9 milhões. Fico me perguntando como seus devotos conseguirão explicar.

Mesmo assim, manifestantes tomaram as duas pistas da Av. Paulista, na altura do Masp, para o ato em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo “fora, Temer”, “Diretas Já” e contra as reformas trabalhista e da Previdência ontem, à noite. Isso responde a sua pergunta?

Eu vi ali manifestações muito maiores, inclusive em defesa do PT e dele. Os manifestantes chegaram a ocupam três quarteirões, até as proximidades do prédio da Fiesp. O ato, que começou às 17h, começou a dispersar às 21h, após o discurso de Lula.

O ato conta com dois carros de som e a presença de representantes da CUT, Sindicato dos Bancários, da UGT, PT, PCdoB e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Foi exposta também uma enorme faixa com a inscrição: “Eleição sem Lula é fraude”. A Polícia Militar informou que não irá divulgar a estimativa de público.

Homenageado na manifestação, Lula chegou por volta das 19h. O ex-presidente saiu em defesa de eleições diretas: “Eu nem sei se estarei vivo para ser candidato, mas eles querem impedir até que eu seja indicado pelos partidos de esquerda”. Apesar de o juiz federal Sérgio Moro ter determinado a inegibilidade de Lula, ele e o PT já o lançam como candidato em 2018.

Em discurso, antes de o ex-presidente tomar a fala, o líder do MTST Guilherme Boulos disse que a condenação de Lula “quer resolver a eleição no tapetão” e que está pronto para gritar “fora, Maia” também, em referência ao presidente da Câmara dos Deputados e primeiro da linha sucessória, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Do carro de som, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-RS) entoou discurso também em defesa da candidatura de Lula no ano que vem:”Se querem ganhar do Lula, ganhem nas urnas, ganhem nos votos”. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) também defendeu que se as elites quiserem ter estabilidade no País, terão que disputar nas urnas. “Eles não estão nem aí se o Brasil está voltando para o mapa da fome”, prosseguiu o senador.

Não acredito que a grande maioria caia nessa lorota. Nada a ver entre processo penal e eleição. Lula está respondendo à Justiça por crimes de que é acusado. Isso interfere no processo eleitoral se ele virar ficha suja, mas a democracia é o império da lei e esta não é uma frase vazia e pomposa, mas a verdade. Os governantes são eleitos pelo povo, não são dispensados de cumprir a lei. O desemprego de 14 milhões de brasileiros foi provocado pelas políticas públicas dos três mandatos e meio dos petistas que reduziram as contas públicas a pó. Parte do povo sente saudade dos tempos de bonança do Lula, mas quem pagou esse pato, que é mais visível e mais doloroso que o da Fiesp, sabe quanto esses brasileiros sofrem suas conseqüências. O PT tem um discurso e a realidade é outra. Até onde e quando é convincente as ruas estão mostrando, embora tudo seja encenado. Eu vi os ônibus que levaram os manifestantes para a paulista.

Ontem também a Venezuela ficou parcialmente paralisada pela greve geral convocada pela oposição para exigir que o presidente Nicolás Maduro cancele a eleição de uma Assembleia Constituinte, marcada para o dia 30, com a qual, segundo os opositores, ele busca se manter no cargo. Não se ouviu uma palavra dos petistas nos palanques a respeito de nossos vizinhos que são compadres deles, não foi?

Os acontecimentos na Venezuela são mais graves e mais dolorosos do que a crise que sofremos aqui. Ontem duas pessoas morreram e outras três ficaram feridas durante protesto hoje em Los Teques, periferia de Caracas, e mais de 80 pessoas foram detidas em todo o país.

Lojas permaneceram fechadas em várias cidades. Barricadas bloqueavam ruas vazias. Apenas o metrô de Caracas funcionou, com um número reduzido de passageiros. Maduro disse ter vencido a oposição ao destacar que setores-chave da economia se encontravam operacionais.

Pra você ter uma idéia da decadência da esquerda latino-americana, quero lembrar que os participantes do XXIII Encontro do Foro de São Paulo,  realizado na Nicarágua, aprovaram na terça-feira 18 o envio de uma missão de acompanhamento eleitoral para a Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para mudar a constituição do país. A senadora Gleisi Hoffmann, que esteve na Paulista, participou do encontro n um hotel de Manágua, como um dos representantes de 18 partidos políticos de esquerda de 26 países da América Latina divulgaram também novas resoluções em um documento chamado “Consenso da Nossa América”.

No encerramento, ela afirmou que convocar o povo a votar é a melhor maneira de decidir o destino de um país. As eleições para decidir os integrantes da Constituinte estão marcadas para o dia 30 de julho.

Esse povo não aprende e acha que o povo pode ser enganado com a mesma facilidade com que foi enganado ontem.

E, agora voltando pro nosso Brasil, o governo aumentou muito o imposto de gasolina, mas Temer foi embora pra reunião do Mercosul na Argentina sem falar nisso, tendo anunciado apenas um corte adicional de R$ 5,9 bilhões no Orçamento deste ano. Isso não nega o discurso de retomada do crescimento que ele tem repetido para ver se escapa da autorização da Câmara para o Supremo decidir se manda ou não investigá-lo por suspeita de crimes?

De fato, no Brasil Temer não falou no aumento de impostos, mas na Argentina disse que “o povo vai entender”. Vai entender, uma ova! A decisão é mais uma ameaça à prestação de serviços públicos essenciais, que já estava estrangulada com o corte de R$ 39 bilhões anunciado no início do ano. Dessa vez, o novo bloqueio veio acompanhado do aumento do PIS e Cofins para a gasolina, diesel e etanol. No caso da gasolina, a alíquota quase dobrou.

Com a decisão, o litro da gasolina vai ficar até R$ 0,41 mais caro nas bombas a partir desta sexta-feira, 21, caso haja repasse integral ao consumidor. Só de PIS/Cofins, o desembolso será de R$ 0,7925 por litro após a alta. No caso do diesel, a alíquota subirá de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 o litro nas refinaria.

O melhor resumo é o olho da coluna de Eliane Cantanhêde publicada na página 6 do Estadão: Temer aumenta impostos, PT e Gleisi Hoffmann apoiam regime Maduro. Incrível! Vou ler os dois primeiros parágrafos do texto:

Nós, os leigos, que não presidimos o País, não presidimos nenhum partido e nem sequer temos mandato parlamentar, não estamos entendendo nada. Michel Temer aumenta impostos enquanto abre os cofres para a base aliada? E Gleisi Hoffmann faz juras de amor ao regime Maduro, que está matando pessoas e destruindo a Venezuela?

Aumentar impostos é coisa para governos fortes, com apoio popular e votos garantidos no Congresso Nacional. Não é exatamente o caso de Temer, que amarga em torno de 7% de popularidade, índice ainda pior do que o de Collor e o de Dilma Rousseff às vésperas do impeachment.

Você tem denunciado aqui que Temer vai ressuscitar a contribuição sindical, que Câmara e Senado tornaram opcional. E vai mesmo?

Segundo reportagem de Fernando Nakagawa e Tânia Monteiro, Temer indicou a sindicalistas que apoia a adoção de uma nova “contribuição por negociação coletiva” a ser paga pelos empregados no lugar do atual imposto sindical derrubado pela reforma trabalhista. A nova forma de financiamento dos sindicatos não será imposta aos trabalhadores, mas a tendência é que seja paga por todos que se beneficiem dos acordos coletivos. Sindicatos debaterão detalhes do novo modelo nas próximas semanas.

Após reunião com o presidente, o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, demonstrou satisfação com o sinal de apoio do governo à adoção de uma nova contribuição não obrigatória para os trabalhadores. “Já que a ideia é fortalecer a negociação coletiva, tratamos de uma contribuição por negociação coletiva. Ela não será obrigatória e terá as condições decididas em assembleia entre os sindicalizados e não sindicalizados”, disse o representante da Força.

No novo modelo, trabalhadores sindicalizados ou não serão convocados para as assembleias que decidem, por exemplo, o reajuste anual de salários. Nessa reunião, também será debatida a própria forma de contribuição ao sindicato que lidera essa negociação. Um dos modelos citados pelos sindicalistas é a antiga contribuição assistencial – derrubada pelo Supremo Tribunal Federal para não sindicalizados – que poderia retirar entre 6% e 8% de um salário mensal em troca do suporte dado pelo sindicato ao trabalhador.

Isso tem cheiro de embromação.

Por falar em embromação, e a Oi, hein?

 

Na semana, que acabará amanhã, o Conselho da Oi aprovou aumento de capital de 8 bilhões de reais e a empresa admitiu não saber ainda qual será a origem dos recursos que pretende aplicar nos próximos três anos

Está no Valor Econômico (…)Apesar de aprovada a injeção de recursos, nenhum detalhe ou condição foi especificado. Não há portanto nenhuma definição que garanta a sua realização. (…)

O Congresso tem que convocar Kassab e Juarez Quadros para pedir esclarecimentos. Desconfio que nós é que vamos bancar essa conta.

SONORA Dinheiro não é tudo, mas é cem por cento Falcão

https://www.youtube.com/watch?v=xT88LiuLkl8

 

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