Dez pílulas neste dia nada homeopático
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Dez pílulas neste dia nada homeopático

Quinta 5 de maio, dia de cão pra Cunha e de graça para Caiado e Ana Amélia. Dez pílulas dele.

José Nêumanne

05 de maio de 2016 | 17h48

5 de maio, dia de cão pra Cunha

5 de maio, dia de cão pra Cunha

What a difference a day makes, cantava a diva Dinah Washington. Que diferença um dia como hoje faz, gente! Vamos abordá-las em pílulas:

1 – Já tinha passado minha hora de 7 às 8 no Estadão no Ar da Rádio Estadão (FM 92,9) quando Isabel me avisou, como o chefe da polícia no samba de Donga, que Teori Zawascki havia interrompido o mandato de Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados. Na rádio só poderia comentar às 6 da noite, dez horas depois, no Direto da Redação. Tempo demais pra pensar no que falar, e não escorregar. Informação chegando pelo computador: o relator da Lava Jato ficou furioso com Lewandowski, porque o presidente pôs em pauta projeto da Rede, relatado por Marco Aurélio Mello, contra a preservação do mico Cunha na presidência daquela Casa, sem que ele tivesse decidido sobre o pedido do procurador Janot para atingir o mesmo objetivo. Nem um homem severo como aquele escapa da guerra de vaidades no Extremo Protelador Geral, que esperamos que um dia volte a ser Supremo Tribunal Federal. Em vez de comemorar, o Planalto viu conspiração para salvar Temer, cada vez mais candidato a substituir o correligionário no papel de vilão número 1 da turma da preservação da espécie petralha. Que coisa! Como uma transmissão ao vivo  pode reduzir a temperança de um varão! De fato, Cunha deixando de ser inimigo preferencial é uma grande perda – é o recado da Corte sob desconfiança.

2 – Antes disso, fiquei sabendo que um juiz federal de Brasília condenou nove acusados na Operação Zelotes. Todos lobistas. Nenhum dos réus pagou propina. E dos que receberam, só os sem foro privilegiado foram condenados. É, aliás, o que restou do mensalão. Os intermediários cumprindo longas penas e os receptadores, todos perdoados. Só faltam Zé Dirceu e Pedro Corrêa, ambos réus do petrolão. Continuam sub judice porque reincidiram no crime e desmoralizaram o sistema. Até agora faltava Valdemar Costa Neto, o Boy, que levou Lilian Ramos sem calcinha ao palanque do desprevenido carnavalesco Itamar. Ele foi perdoado, enquanto se mantém ocupado ocupando ministérios do futuro governo Temer. Nosso Brasil de sempre é como o rio de Heráclito de Éfeso: ninguém toma banho no mesmo rio, mas a água que banha é sempre a mesma. E, como dizia Jânio Quadros, mudam as moscas, mas as fezes são as de sempre.

3 – Que tal a Justiça autorizar a produção do filme Suzaninha Matou a Mãe e Foi ao Cemitério Levar Flores, hein? Que tragicomédia, sô!

4 – Será que Antônio Cláudio Mariz de Oliveira não está indo para o Ministério da Defesa para convocar as tropas para livrar os condenados da Lava Jato de cana, agora que eles vão assumir os mesmos ministérios do desgoverno Dilma na gestão Temer, esperança que se desmancha no ar? Vamos ter que convocar o velho Heráclito de novo, hein?

5 – Tive umas desavenças com Ronaldo Caiado no passado. Mas, ao ver e ouvir o descendente do oligarca goiano Caiado de Castro dar aulas de civilidade, coragem, brio e bons modos ao mal-educado coronelzinho mimado Lindinho de Tambaú e Nova Iguaçu no plenário da comissão de impeachment do Senado, deu-me vontade de estender a mão a Caiado e cumprimentá-lo pela paciência e pela ressurreição da velha lógica de Aristóteles e Santo Tomás, que aprendi com o padre holandês Bernardo no seminário redentorista de Bodocongó, em Campina Grande. Devia tê-lo feito. Qualquer dia o farei. Na sessão, aprendi ainda que minha colega e amiga Ana Amélia está anos-luz à frente das mulheres da bancada do chororô nos quesitos última flor do Lácio, civilidade e intimidade com a lei, desprezada por PT, PSOL e PCdoB. Será que as militantas falam albanês, hein?

6 – Considero Fernando Haddad o pior prefeito da história de São Paulo. Mas os taxistas não têm a menor razão de pô-lo sob suspeição só porque o sobrinho é gerente do Uber. Podiam ser menos corporativistas e cuidar mais das relações públicas com o cliente, ao invés de chutar a lógica desse jeito.

7 – Se Dilma poderá entrar para a História pela fraude fiscal e contabilidade destrutiva (apud Júlio Marcelo de Oliveira), o tucano Alckmin a acompanhará na condição de caloteiro e protetor de canalhas que não se envergonham de furtar merenda de criança na escola, certo?

8 – Recesso, pra que recesso, senhores senadores?

9 – Afinal, faltam seis ou oito dias para nos livrarmos de madama, Renan Calheiros? Vou ter de chamar o cabo Omena, assassinado em Alagoas pelos parentes dele, para assombrá-lo no escurinho da noite, visse?

10 – Sejam quantos dias forem, tá chegando a hora. Inté.

 

 

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