Desprezo à vida
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Desprezo à vida

Chacina na escola de Suzano é sintoma de doença grave de nossa condição humana atualmente: o desprezo à vida dos outros e à própria, elemento essencial para a sobrevivência da indústria da morte

José Nêumanne

14 de março de 2019 | 06h58

Carros de funerárias e da perícia transportam corpos das últimas vítimas da doença do desprezo pela vida humana. Foto: Werther Santanna/Estadão

O massacre da escola Raul Brasil em Suzano revela um profundo desapreço pela vida humana, seja a dos outros, seja a de si próprios, o que justifica a atitude dos dois jovens atiradores que mataram oito pessoas e depois se mataram. Este é um fenômeno dos nossos tempos no mundo todo, no Brasil e particularmente em cidades dormitórios de grandes centros urbanos, como é o caso de São Paulo. Esses assassinos parecem inspirados na frase profética do genial dramaturgo francês Jean-Paul Sartre em Hui Clos (Entre Quatro Paredes): l’enfer sont les autres (“o inferno são os outros”). E tal desprezo também ocorre em relação à própria vida, o que explica o ato final dessas chacinas desumanas: o suicídio. Este é  meu comentário no Estadão Notícias, no Portal do Estadão desde 6 horas da quinta-feira 19 de março de 2019.

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