Deputada do PDT apoia reforma da Previdência para combater desigualdade
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Deputada do PDT apoia reforma da Previdência para combater desigualdade

Tabata Amaral, deputada federal que expôs desconhecimento de ex-ministro da Educação em comissão da Câmara, está preocupada com substituto dele

José Nêumanne

02 de maio de 2019 | 19h54

Segredo do sucesso de Tabata é nunca ter perdido sua conexão com sua origem na Vila Missionária, periferia de São Paulo. Foto: Bruna de Alencar/Estadão

Embora seja filiada a um partido de esquerda, o PDT, e tenha apoiado Ciro Gomes para presidente e de ser entusiasta do processo de educação em Sobral, terra do ex-governador do Ceará, a deputada federal paulistana Tabata Amaral apoia a reforma da Previdência, com ressalvas ao projeto original do governo. Na edição desta semana da série Nêumanne entrevista no Blog, ela disse: “Quando sou confrontada com os dados da Previdência, quando vejo que ela é desigual, que ela gera desigualdade e que é uma coisa com a qual a gente tem de lidar, até porque como uma política jovem sou ainda mais responsável pelo futuro na minha visão, não posso simplesmente falar que sou contra, não posso me ausentar, não estou aqui no Congresso para ficar dando nota de zero a 10 para as coisas.” Segundo Tabata, “essa polarização (existente no Brasil) ameaça a democracia, na minha visão de cientista política e de pessoas muito estudiosas, mas também ela é muito ruim para as agendas sociais e econômicas do país. Não é por ser Previdência ou não: é uma questão séria que tem de ser enfrentada e meu posicionamento vai ser linha a linha e dizer o que funciona e lutar para mudar o que não funciona.”

Tabata foi medalhista de prata na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica em 2011 na China. Foto: Acervo pessoal

Tabata Amaral nasceu em 1993 e foi criada na Vila Missionária, bairro no extremo sul da capital paulista. Aos 12 anos começou a colecionar medalhas em concursos de várias áreas da ciência, como matemática, química e astrofísica. Sempre contou com o incentivo dos pais e professores, que, desde cedo, enxergaram seu potencial e a ajudaram. No ensino médio, Tabata ganhou uma bolsa de estudos numa escola particular de São Paulo. Foi quando se deu conta do tamanho da desigualdade e da falta de oportunidades que existe no Brasil. Até então, fazer uma faculdade não estava nos planos dela, que percebeu que até os sonhos dos jovens da escola particular no centro de São Paulo eram diferentes dos daqueles que estudaram com ela em seu bairro. Mais uma vez incentivada por professores, inscreveu-se para várias universidades nos Estados Unidos e, com uma bolsa integral da própria instituição durante os quatro anos de curso, foi para uma das mais prestigiadas universidades do mundo: Harvard. Começou cursando astrofísica, mas logo no primeiro ano percebeu que sua verdadeira vocação: contribuir com melhorias para a educação no Brasil. Tabata formou-se em Ciência Política e Astrofísica e, ainda em Harvard, passou a estudar a fundo os principais problemas que o Brasil enfrenta na área da educação. Fundou, ao lado de outros dois colegas, o Mapa da Educação, movimento que tem como missão que todos os brasileiros tenham acesso a educação de qualidade. Também foi uma das cofundadoras do Movimento Acredito, organização suprapartidária que busca a renovação e a diversidade na política. Nas eleições de 2018, Tabata candidatou-se a deputada federal pelo PDT de São Paulo – inspirada em líderes do partido que trabalharam pela melhoria da educação pública em Sobral (CE) – e foi a sexta deputada mais votada do Estado. Recebeu 264.450 votos para representar o Estado no Congresso Nacional. Como deputada federal, suas principais bandeiras são educação, mulheres, renovação política, ciência e tecnologia.

Para ver e ouvir Tabata pondo Vélez Rodríguez contra parede em comissão da Câmara clique aqui

Nêumanne entrevista Tabata Amaral

Nêumanne – Deputada, a senhora conquistou uma grande admiração da sociedade brasileira quando pôs o ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez contra a parede numa sessão da Câmara dos Deputados, onde está estreando aos 27 anos. Quanto a mim, não foi grande surpresa, pois considero um gesto ainda mais corajoso seu, o anterior, de entrar no covil de raposas da política enfrentando todas as desvantagens aparentes de sua origem, de sua condição minoritária feminina no plenário da Casa e, sobretudo, de suas convicções. O que a levou a enfrentar esta batalha do episódio bíblico da casta Suzana enfrentando os anciães que a assediavam?

Tabata  – Na minha opinião, a audiência com o ex-ministro da Educação Ricardo Vélez simbolizou muito do sentimento que as pessoas estavam compartilhando na sociedade de modo geral, e não só no Congresso. Foram 6 horas de audiência, mas a gente está falando de 100 dias de Governo em que a gente ouvia falar dos cortes, ouvia falar das grandes fumaças, mas não via nenhum projeto concreto. Acho que é um pouco esse o [nosso] papel, o de lutar, aqui no Congresso, quando a gente fala não da nova ou da velha política, mas da boa política. Será que a gente ainda vai conseguir ir além da polarização? Será que a gente consegue ir além dos grandes conflitos, do Fla x Flu que se vê todos os dias no Plenário e falar do que tem de mais concreto? Falar do que afeta mais a vida das pessoas? Então, para mim, foi simplesmente o resumo de um sentimento de muito tempo que eu via na sociedade, que vejo aqui, no Congresso, também, o de que, tudo bem, a gente pensa diferente em várias coisas – mas será que a gente consegue achar um consenso e fazer acontecer avaliações como o ENEM, uma formação nacional dos professores, uma política nacional de formação, a renovação do FUNDEB? Então, para mim, foi um pouco emblemático nesse sentido.

Tabata na Vila Missionária com ex-craque do Corinthians e comentarista na TV Casagrande. Foto: Bruna de Araújo/Estadão

N – A senhora considera a política uma vocação, uma escolha feita superando outras veleidades de ofício das carreiras corriqueiras de professora, médica, engenheira, enfermeira, dentista ou arquiteta? Ou é uma escolha de cidadania, resolvida por convicção, que considera não um ofício ou mesmo uma tarefa, mas uma missão?

T – Quando penso no que me levou à política, a primeira coisa que me vem à cabeça é a missão que eu tenho na Educação, e não tanto na política. Por quê? O que explica minha trajetória? Eu poder ter feito escolhas, ter terminado o ensino médio, feito faculdade, escolhido realmente o meu futuro enquanto quase todo mundo ao meu redor não teve nenhuma dessas opções, nenhuma dessas oportunidades e muitos morreram muito jovens; o que explica essa diferença, essa contradição, foram as oportunidades que eu tive na Educação. Então, acho que a maneira de eu conciliar minha história, de eu entender o que aconteceu comigo e o que aconteceu com quem estava ao meu redor é trabalhar pela Educação, é entender que esse é o caminho que a gente tem. Quando você trabalha com a Educação de forma profunda – e eu já trabalhei, já dei aula, já trabalhei na Secretaria da Educação, trabalhei em movimentos sociais, nos três setores –, o que fica de resumo é que o problema da Educação é político no Brasil; a Educação não muda porque precisamos de mudanças urgentes na política e nos políticos. Para mim, a questão era se a minha missão é na Educação, e eu acredito que é, se eu me considero uma ativista pela vida na Educação, para mim é muito importante que eu tenha coragem de fazer essa mudança na política, que eu tenha coragem de dar esse passo e dizer que, “então, tá bom, vou agora para essa próxima trincheira, para essa próxima barreira, que é a da transformação política, acreditando que é nesse lado apenas, hoje, que vou conseguir fazer a transformação que quero na Educação”.

Para ver Tabata fazendo primeiro discurso na Câmara clique aqui

N – A senhora se preparou previamente para enfrentar a autoridade colhendo informações, estudando o perfil e a obra do filósofo jejuno em educação que o presidente Jair Bolsonaro escolheu para enfrentar a tarefa de gerir a pasta, não em busca de competência de gestão, mas numa guerra ideológica contra o que se convencionou chamar de marxismo cultural?

T – Venho acompanhando o Ministério da Educação desde o início dessa gestão e, através de requerimentos e de outras audiências de que participei, inclusive no Senado com o ex-Ministro, de leituras, estava muito evidente para mim que a gente estava falando de muitas cortinas de fumaça, mas não estava falando de nada que de fato interessasse às pessoas ou que de fato fosse urgente na Educação. A preparação que fiz para a audiência foi no sentido de tentar encontrar planos de trabalho, tentar encontrar planejamentos para me aprofundar sobre eles, não consegui [encontrar]. Quando cheguei à audiência, a gente recebeu um power-point com o que seria o planejamento estratégico dele [do ex-Ministro]. Então, a decisão de questionar aquilo só veio na hora que eu recebi o papel. O que houve de preparação antes foi um esforço genuíno, e não só da minha parte, mas de toda a Comissão de Educação, de toda a bancada da Educação aqui no Congresso de entender o que estava acontecendo, e ali ficou muito claro para a gente que não havia essa informação, que ela simplesmente não existia.

No terceiro ano do ensino médio, Tabata foi medalhista de ouro na Olimpíada Iberoamericana de Química, em Teresina (PI). Foto: Acervo pessoal

N – A senhora se preparou previamente para enfrentar a autoridade colhendo informações, estudando o perfil e a obra do filósofo jejuno em educação que o presidente Jair Bolsonaro escolheu para enfrentar a tarefa de gerir a pasta, não em busca de competência de gestão, mas numa guerra ideológica contra o que se convencionou chamar de marxismo cultural?

T – Para quem estava na audiência, foram horas bem longas porque, pelo menos da minha parte, havia uma certa esperança de que a gente fosse entender alguma ali, de que a gente fosse aprender, de que houvesse algo, que [o problema era que] simplesmente estava demorando mais do que deveria. Quando a gente viu que não havia uma preparação mínima no sentido de saber números básicos da Educação, de financiamento, de matrícula, que não havia uma preparação mínima no sentido de apresentar algo, acho que fica forte a arrogância porque, de fato, foi um desrespeito muito grande com a sociedade naquela audiência. Fica uma situação muito grande também de ignorância porque não havia conhecimento básico sobre a Educação, mas também de descaso e acho que uma pergunta que ficou foi “será que o Ministro tem consciência do que representa esse cargo, será que ele tem consciência de quantas vidas foram impactadas por ele?”. Acho que a resposta é “não’, e foi por isso que ele acabou não continuando.

Para ver Tabata no vídeo A Conquista de um sonho no YouTube clique aqui

N – A senhora está recebendo com naturalidade, estranheza ou euforia a admiração que conquistou com sua atitude serena, mas implacável, original, mas também comum, pelos meios de comunicação e pelo público em geral?

T – Tenho uma trajetória muito diferente, tanto no que estudei, no que eu fiz, nas bolsas que eu ganhei, [como] nos trabalhos que escolhi. Essa não é a primeira, e eu sei que não vai ser a última vez, que alguém se espanta com a decisão ou com a forma como faço alguma coisa. Acredito que sou muito coerente, tenho meus valores muito claros, mas tento não me prender ao que se espera de quem vem da periferia, de quem estuda em Harvard ou de quem é eleito, etc., etc. Então não foi a primeira vez que fiz algo que as pessoas tiveram dificuldade de rotular, que espantou. Foi a primeira vez que teve um volume desse tamanho (sic), mas, no sentido de causar espanto e de trazer reações positivas e negativas, estou bastante acostumada e acho que é não deixar que nem as reações superpositivas nem as supernegativas influenciem o meu trabalho, não acho que essa deva ser a métrica, e continuar trabalhando enquanto eu for coerente, enquanto eu tiver bem claros os meus valores, e entender que as pessoas têm o direito de gostar ou não gostar das minhas falas e tudo bem, vida que segue.

Tabata nos EUA com amigos acompanhando um jogo de futebol americano entre Harvard e Yale. Foto: Acervo pessoal

N – Como a senhora está enfrentando o glamour da fama, especialmente por ter sido conquistada numa batalha pelo bem contra mal, mas sem perder a naturalidade de uma pessoa comum, de origem humilde e com um cabedal de conhecimentos absolutamente incomum na média normalmente inculta da população do Brasil?

T – Recentemente li um relato na página do Quebrando o Tabu, se não me engano, de um jovem da periferia que está estudando na USP e ele falava que as pessoas não têm a menor noção do que significa você viver em mundos tão diferentes todos os dias. E é nos detalhes: é você estar num lugar onde as pessoas falam de forma diferente, têm sonhos diferentes, assumem coisas diferentes e você simplesmente não consegue explicar para aquelas pessoas o lugar de onde você vem e o que significa não ter garantida a refeição seguinte, mas também não consegue mais explicar para as pessoas de onde você vem que agora você está sonhando com faculdade e que isso virou uma prioridade para você. Então, quando ganhei a bolsa na escola privada, quando ganhei a bolsa para fazer faculdade em Harvard, quando apareci numa primeira entrevista, com 12 ou 13 anos de idade, no Jornal Nacional, tudo isso causava muito espanto. Mas o que ficava muito forte para mim é que eu não era nenhuma destas duas coisas apenas: eu não sou só a pessoa que veio da periferia porque eu tive oportunidades que ninguém ao meu redor teve, mas eu não sou só a pessoa que foi para Harvard, aparece na televisão e o não sei o que lá. Para mim, é um pouco de quem eu sou há muitos anos, de quem sou há pelo menos uns 13 ou 14 anos, que é uma pessoa que vive em extremos muito diferentes, que conhece os dois extremos muito profundamente e que, por isso, tem uma visão de mundo um pouco diferente de quem vive em cada um desses dois extremos. Cada vez que eu vou para casa no final de semana e, na mesma casa de ocupação de uma viela, estou com a minha família, lembro que aquele é meu mundo; e, quando estou aqui, no Congresso, e as pessoas estão dizendo que não posso entrar, que duvidam que sou deputada e perguntam como cheguei aqui, eu tenho de me lembrar que também pertenço a esse mundo agora. Então, acho que os últimos 12 anos vêm me treinando bem nesse sentido e vai levar um tempo e acho que só quem vive em mundos tão diferentes entende o que significa pertencer a extremos tão diferentes ao mesmo tempo.

Para ver trajetória de vida de Tabata em vídeo do YouTube clique aqui

N – Por que a senhora optou por se filiar ao PDT neste universo paradoxal da política partidária brasileira, no qual o excesso de opções não oferece grandes oportunidades para uma cidadã jovem e combativa como a senhora?

T – Como cientista política e alguém que seguiu a linha de política comparativa, acredito muito nos partidos. Sou muito crítica ao sistema partidário brasileiro, tenho várias ideias de reformas políticas que na minha visão são urgentes, mas acho que os partidos políticos têm de ser constantemente renovados. Falando da minha escolha, minha bandeira principal é a Educação e eu tinha certeza de que se me candidatasse seria para lutar pela bandeira da Educação e eu precisaria representar o partido na minha visão de Educação. Tendo conhecido o modelo de Sobral, no Ceará, tendo estudado práticas de Educação Brasil afora, para mim, o PDT apresentava e apresenta a melhor proposta de Educação para o Brasil, então minha escolha foi simples nesse sentido. Acho que agora é entender que sou parte de um partido e corresponsável por suas ações. Então, especialmente em São Paulo, trabalhar para que a gente tenha mais mulheres, para que seja um partido mais democrático e mais aberto à população.

Estreia de Tabata no exercício de seu mandato de deputada federal no plenário da Câmara. Foto: Alexandre Amarante

N – Não lhe cria problemas assumir uma posição pública de aprovação crítica à reforma da Previdência, enquanto a “resistência” (que nem sequer se define como oposição por achar que estamos numa ditadura, e não sob a égide de um Estado de Direito) apela para todas as baixarias, inclusive um punk machista, sexista e desrespeitoso com a mulher, como foi o caso de seu colega petista Zeca Dirceu, para evitar a aprovação, por considerar que seria uma vitória do adversário de direita, que chefia o Executivo?

T- Quando a gente fala de boa política, e ainda acredito nela, acho que meu papel aqui, por mais impopular e mais difícil que seja, é o de buscar consenso, é o de pensar nas melhores soluções, é o de entender que o mundo que fica entre 8 e 80 é especialmente ruim para os mais pobres. Então, quando sou confrontada com os dados da Previdência, quando vejo que ela é desigual, que ela gera desigualdade e que é uma coisa com a qual a gente tem de lidar, até porque como uma política jovem sou ainda mais responsável pelo futuro na minha visão, não posso simplesmente falar que sou contra, não posso me ausentar, não estou aqui no Congresso para ficar dando nota de zero a 10 para as coisas. Então acho que minha postura vai ser sempre esta, independentemente da questão, é falar tudo – essa é a proposta; concordo com isso, discordo disso e estou trabalhando com os meus melhores esforços para mudar aquilo de que discordo. Agora, se as pessoas, de novo, são críticas porque não optei pelo 8 ou 80, não optei pelo “sim” ou pelo “não”, acho que simplesmente elas estão buscando uma política um pouco diferente que, na minha visão, não vem sendo boa para o Brasil. Essa polarização ameaça a democracia, na minha visão de cientista política e de pessoas muito estudiosas, mas também ela é muito ruim para as agendas sociais e econômicas do país. Não é por ser Previdência ou não: é uma questão séria que tem de ser enfrentada e meu posicionamento vai ser linha a linha e dizer o que funciona e lutar para mudar o que não funciona.

Para ver Tabata no Ranking Entrevista da TV Câmara de São Paulo clique aqui

N -Sua estréia promissora na atividade pública indica, a seu ver, uma carreira longa, embora a senhora deva ter a convicção de que novos e mais íngremes obstáculos estão à sua espera numa matança diária de leões, hienas e, sobretudo, raposas?

T – Olho para minha trajetória – e quem está vivendo a sua trajetória consegue ter essa visão e cada um consegue falar da sua apenas – como uma coisa contínua e o que me fez chegar até aqui foi meu ativismo na Educação, o que levou ao meu ativismo na Educação foi a minha trajetória; o que me levou à minha trajetória foram as oportunidades, foi a periferia. Então, é muito mais fácil olhar para trás e entender o que me trouxe até aqui do que olhar para a frente e adivinhar o que vai me guiar, mas uma constante nesses últimos anos vem sendo o meu ativismo pela Educação. Acredito demais nisso. Não me vejo fazendo outra coisa na vida. Saber quais são os leões que eu terei de enfrentar, quais serão as frentes de batalha nos próximos anos, acho que vai depender de onde eu enxergar que tenho mais impacto na Educação; hoje acredito que é aqui no Congresso. Quanto aos próximos anos, a gente vai ter de esperar para ver.

Tabata entrou na política inspirada no belo trabalho do PDT em Sobral (CE) Foto: Zeca Ribeiro

N – A senhora já está se preparando para enfrentar o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que já demonstrou a disposição de seguir a mesma trilha de desconstrução ideológica de seu antecessor, como ele deixando de lado a necessidade de uma gestão séria e competente que tire a educação brasileira da indigência em que sempre esteve e que cada vez, parece-me, piora a cada dia que passa?

T – Sobre o novo Ministro da Educação, sinceramente estou muito preocupada. É claro que a gente tem de esperar um pouco, tem de acompanhar o que está acontecendo, mas dado que já gastamos 3 meses e meio, que o Ministro parece favorecer uma visão simplista do Ministério da Educação, que tem muito dinheiro na Educação, sem levar em conta a desigualdade do Brasil, dadas as batalhas ideológicas que continuam sendo travadas, para mim não dá simplesmente para esperar mais 3 meses e meio e, só aí, dizer se foi bom ou ruim. Acho que já teve uma experiência muito negativa e é preciso acompanhar mais de perto, mais próximo. A gente aprovou aqui na Câmara uma comissão externa para acompanhar o trabalho do Ministério da Educação, os trabalhos começam nos próximos dias. A ideia não é atrapalhar, a ideia não é provocar, mas entender que o novo Ministro está com 3 meses e meio de atraso, políticas públicas educacionais muito importantes estão ameaçadas. Não vou esperar mais 3 meses e meio para, lá para julho, dizer se vai dar certo não. A gente tem de acompanhar agora diariamente e ir compartilhando com a população, fazendo pressão, porque o cenário para a Educação esse ano realmente é muito ruim.

Tabata em reunião da Comissão da Mulher. Na Câmara, atua prioritariamente em educação, mulheres, renovação política, ciência e tecnologia. Foto: Zeca Ribeiro

 

 

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