Decência e tolerância
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Decência e tolerância

Bom convívio na Academia Paulista de Letras com Lygia Fagundes Telles, nora do médico que comandou caça a portadores de hanseníase como ele, faz de Marcos Rey exemplo a ser seguido nesta era da intolerância

José Nêumanne

01 de abril de 2019 | 06h58

Marcos Rey, um homem afável, um escritor de talento e sucesso, deu um exemplo a ser seguido neste tempo de insensatez e intolerância. Foto: Luludi/Estadão

Hoje a morte do grande escritor popular brasileiro Marcos Rey, que completa 20 anos, foi lembrada num texto de Ignácio de Loyola Brandão, ilustrado por fotos de Tiago Queiroz com imagens metafóricas no Estadão, de algumas obras do amigo com quem partilhei muitos sábados discutindo literatura na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Celebro sua memória citando-o como exemplo de decência e tolerância. Ele, de fato, se chamava Edmundo Donato, mas adotou o pseudônimo de Marcos Rey para escapar da caça aos portadores de hanseníase comandada pelo sanitarista Salles Gomes mudando-se para o Rio, onde encontrou na Lapa boêmia inspiração para seus maiores sucessos. Na Academia Paulista de Letras, conviveu lado a lado com Lygia Fagundes Telles, cujo segundo marido, o crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes, era filho do médico. Fica este exemplo de convívio entre pessoas civilizadas, mesmo que haja diferenças a superar, um exemplo para essa nossa era da intolerância. Este é meu comentário no Estadão Notícias, no Portal do Estadão desde 6 horas da segunda-feira 1.º de abril de 2019.

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