Quem é o dono do dinheiro?
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Quem é o dono do dinheiro?

Receita anuncia restrição à lavagem de dinheiro, mas donos de fortunas no apartamento usado por Geddel e na mala de Loures não deram caras

José Nêumanne

02 Janeiro 2018 | 11h10

PF levou mais de um dia para contar dinheiro até hoje sem dono nem origem, apreendido no apartamento usado por Geddel. Foto: PF

Nenhuma autoridade policial deu uma informação plausível sobre o dono e a origem dos R$ 51 milhões encontrados no apartamento usado por Geddel em Salvador nem também dos R$ 500 mil contidos na mala de Rodrigo Rocha Loures, que bateu o recorde de 100 metros livres com mala de dinheiro na frente de pizzaria. E ninguém faz a conexão que tem de ser feita: Geddel era homem de confiança de Temer e até hoje manda na Secretaria de Governo no Planalto. E Rodrigo teve seu nome gritado por Joesley Batista para entrar no Palácio do Jaburu sem passar pela guarda nem ser revistado. Para explicar a origem dessa dinheirama toda Temer teria que ser investigado, mas a Câmara não deixou. O resto é mera lorota.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM107,3 – na terça-feira 2 de janeiro de 2018, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 2 de janeiro de 2018 – Terça-feira

Desde ontem as transações em espécie em valor igual ou superior a R$ 30 mil terão que ser informadas à Receita Federal. Com isso o governo quer combater a lavagem de dinheiro. Será que vai conseguir?

Conforme a notícia, são obrigadas a declarar empresas e pessoas físicas que receberem o dinheiro. A norma entra em vigor após a maior apreensão de dinheiro vivo da história do País – a descoberta de R$ 51 milhões em um apartamento em Salvador usado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima.

As movimentações terão que declaradas por meio de formulário eletrônico disponível na página da Receita, a Declaração de Operações Liquidadas com Moeda em Espécie (DME). O formulário precisa ser obrigatoriamente entregue até o último dia útil do mês seguinte ao recebimento do dinheiro em espécie. Quem não declarar à Receita ou prestar a informação incorreta ficará sujeita a multa de 1,5% a 3,0% do valor da operação.

O secretário da Receita, Jorge Rachid, afirmou que a medida vai ajudar na fiscalização e combate à lavagem de dinheiro. Segundo ele, é grande a quantidade de dinheiro em espécie que tem circulando no País. “Estamos fechando a porta. Ninguém anda com tanto dinheiro. Não pode andar com mala de dinheiro”, disse. Rachid afirmou que a medida não é uma “jabuticaba” e que outros países têm normas semelhantes. Nos Estados Unidos, a declaração tem que ser enviada para valores iguais ou superiores a US$ 10 mil. No Reino Unido, o valor é de € 10 mil. Nos últimos anos, operações especiais da Receita mostraram que transações com dinheiro em espécie têm sido utilizadas para esconder operações de sonegação, de corrupção e de lavagem de dinheiro, em especial quando os beneficiários de recursos ilícitos utilizam esses recursos na aquisição de bens ou de serviços para não serem identificados pelo Fisco. Autoridades monetárias estão com isso descobrindo o Brasil de bicicleta.

SONORA GARGALHADA RABUGENTO

É mera conversa de botar boi pra dormir. Com isso não conseguem justificar como é que até hoje nenhuma autoridade policial deu uma explicação simples sobre quem é o dono e qual é a origem dos 51 milhões encontrados no apartamento usado por Geddel em Salvador nem também dos 500 mil reais contidos na mala de Rodrigo Rocha Loures, que bateu o recorde de 100 metros livres com mala de dinheiro na frente de pizzaria. E ninguém faz a conexão que tem de ser feita: Geddel era homem de confiança de Temer e até hoje manda na Secretaria de Governo no Planalto. E Rodrigo teve seu nome gritado por Joesley Batista para entrar no Palácio do Jaburu sem passar pela guarda nem ser revistado. Para explicar a origem dessa dinheirama toda Temer teria que ser investigado, mas a Câmara não deixou. O resto é mera lorota.

O modelo das Forças Armadas ocupando uma área, como o Complexo do Alemão ou da Maré, está enterrado. Ao menos na atual gestão. Pelo menos é o que garante o ministro da Defesa, Raul Jungmann. E daí?

Segundo Jungman, os militares continuarão a atuar “sob demanda”, usando seu grande contingente para o cerco de áreas em apoio às polícias e na área de inteligência. O modelo anterior, segundo ele, tinha como único resultado “dar férias para os bandidos”. A verdade verdadeira.

SONORA 0201 JUNGMAN

A verdade é que o sistema de dar férias para bandidos continua em plena vigência no País. Veja o caso de Natal. As estatísticas da violência melhoraram no Rio Grande do Norte com a ida de tropas para lá. Quando elas tiverem de sair, o que vai acontecer? Já se esqueceram do rebelião no presídio de Nísia Floresta no começo do ano passado? Se o governador do Estado não resolveu o problema do pagamento das políciias militar e civil e para isso só apela para empréstimos, como é que vai controlar a situação sem o empréstimo abusivo de tropas federais?

O Estadão informou na virada do ano que o uso das Forças Armadas no combate ao crime organizado cresceu pelo menos três vezes nesta década comparado aos anos 1990.  Até quando o método será usado?

Pois sim, a presença dos militares nas ruas do País também cresceu e somou em média 293 dias por ano fora dos quartéis, cerca de três vezes mais do que nas décadas anteriores. Dados colhidos pelo Estado sobre 181 ações do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e do Ministério da Defesa nos últimos 25 anos – a maioria de Garantia de Lei e da Ordem (GLO) – mostram um retrato inédito sobre essas operações no Brasil. Ao todo, cada uma mobilizou em média 3.717 homens e mulheres.

A percepção de que o emprego dos militares no combate à criminalidade está cada vez mais comum é sustentada pelos números. É o que disse na semana passadao comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, no Twitter. “Preocupa-me o constante emprego do Exército em ‘intervenções’ (GLO) nos Estados. Só no Rio Grande do Norte, as Forças Armadas já foram usadas 3 vezes, em 18 meses. A segurança pública precisa ser tratada pelos Estados com prioridade ‘zero’.”

De fato, a média anual de ações desse tipo saiu de 0,55 nos anos 1990 para 1,8 nesta década, na contagem mais conservadora. Isso porque esse número pode dobrar, caso se considere em separado cada fase da atual Operação Furacão, no Rio. Como foram feitas sob a autorização de um mesmo decreto presidencial, o Ministério da Defesa conta as 14 fases ocorridas em favelas, com tropas e datas diferentes, como sendo apenas uma única ação.

O emprego periódico de tropas armadas não supre duas deficiências que atualmente aumentam a insegurança no Brasil: a crise financeira dos Estados provocada pela penúria das contas públicas causada pela irresponsabilidade dos desgovernos petistas de Lula e Dilma, sendo que Temer e sua patota do MDB participaram ativamente dos dela, está longe de ser resolvida e, contra isso os policiais se rebelam, como aconteceu no Rio e agora acontece no Rio Grande do Norte. A outra causa é a falta de uma política nacional de segurança nacional que deveria ser coordenada pelo governo federal e implementada pelos Estados. Mas ninguém tem tempo para isso, pois os políticos todos, inclusive o presidente da República e os governadores dos Estados só cuidam de ficar soltos. Em que a mudança de tática do ministro da Defesa alterou a realidade do tiroteio nas favelas de Jacarezinho na zona norte e da Rocinha na zona sul do Rio.

Ora, vai catar coquinho, dr. Jungman?

Você se refere ao exemplo do réveillon passado em celas do ex-governador e cinco ex-secretários do Estado do Amazonas?

Pois então. Após passarem o réveillon presos na Superintendência da Polícia Federal de Manaus, o ex-governador do Amazonas José Melo (abril de 2014 a maio de 2017) e mais três ex-secretários deverão ser transferidos a um dos presídios do Estado na terça-feira, 2. Eles são acusados de participar de esquema que desviou cerca de R$ 110 milhões da saúde no Amazonas, conforme desdobramento da Operação Maus Caminhos.

Os ex-secretários são o irmão de José Melo, Evandro de Oliveira Melo, que era da Administração, Afonso Lobo, da Fazenda, e Wilson Alecrim, da Saúde. O ex-secretário Pedro Elias, também da Saúde, se apresentou à PF nesta segunda, 1, e também será transferido.

A pedido do Ministério Público, a Justiça Federal determinou as prisões no dia 31 de dezembro para reverter decisão do juiz de plantão Ricardo Salles, que no dia 26 concedeu prisão domiciliar ao ex-governador e aos ex-secretários. Melo cumpre prisão temporária, com prazo de cinco dias.

Aí eu lhe pergunto: esse tipo de gestor tem algum interesse em combater a corrupção? E lhe pergunto mais: isso só acontece no Amazonas? Claro que não. Ou se combate o mal pela raiz ou, então, a autoridade fica desfiando rosário de lorotas como o secretário da receita e o ministro da Defesa tentando aplicar a tática da ensalivação para tapar os buracos das gestões improvisadas e, sobretudo, comprometidas pela roubalheira generalizada.

E, a exemplo do que aconteceu na Grande Natal no ano passado, detentos do regime semiaberto de um presídio na Região Metropolitana de Goiás iniciaram uma rebelião na tarde de ontem e que deixou nove mortos. Ou seja, o problema não é isolado, mas generalizado, não é isso?

Exatamente. No primeiro dia do ano, os presos de uma ala da Colônia Agroindustrial, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, invadiram alas de detentos rivais. De acordo com a Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap) de Goiás, além dos nove mortos, 14 internos ficaram feridos. Eles receberam atendimento médico e já retornaram para suas celas.

Durante a violência, 106 presos que cumpriam pena no regime fechado fugiram. Desses, até as 19h30 desta segunda-feira, 29 haviam sido recapturados pelas forças de segurança pública, mas ainda havia 77 foragidos. Outros 127 apenados também saíram da unidade durante a confusão, mas retornaram quando a situação foi controlada.

Na invasão, os detentos incendiaram colchões da unidade prisional, deixando corpos carbonizados. Acionado, o Corpo de Bombeiros conteve o fogo. O presídio foi retomado pelo Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope), com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar, por volta das 16h. De acordo com a Seap, o Grupo de Radiopatrulha Aérea (GRAer) da PM também está no local desde o início da rebelião para dar apoio na contenção de fugas e na recaptura de foragidos.

A operação conta ainda com um helicóptero, que monitora os arredores da unidade para procurar eventuais fugitivos. Ao saber da rebelião, familiares dos presos foram para a porta do presídio na busca por informações sobre seus parentes.

Ou seja, enquanto o dr. Jungman cobria a cabeça do santo em Natal o pé ficava descoberto em Goiânia, ali bem pertinho de Brasília, onde ele mora.

Enquanto isso, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou projeto de lei de 2016, do deputado Feliciano Filho (PSC) que proíbe a venda e o fornecimento de carne às segundas-feiras em restaurantes, bares, lanchonetes e refeitórios localizados dentro de órgãos públicos do Estado. O que você acha dessa iniciativa?

O texto prevê multa de R$ 7,5 mil, dobrada em caso de reincidência, para os estabelecimentos que descumprirem a regra. Diz ainda que os estabelecimentos devem deixar expostos em locais visíveis placas com as alternativas ao consumo de carne.

Na justificativa do projeto de lei, Feliciano Filho afirmou que a ideia era chamar a atenção para o “as consequências do consumo de carne e de seus derivados, relacionando tal questão diretamente aos direitos dos animais, à crise ambiental, ao aquecimento global, à perda de biodiversidade, às mudanças climáticas e às diversas doenças que afligem a população humana, incluindo doenças cardiovasculares, doenças crônicas degenerativas, colesterol elevado, diversos tipos de câncer e diabetes”.

Nosso ouvinte bem que pode pensar que inauguramos aqui uma seção de comédia do absurdo, mas a notícia é verdadeira. Eu, como diabético, e, portanto, possível, beneficiário da caridade do deputado Feliciano, apelo ao governador Geraldo Alckmin para vetar esse absurdo e mandar sua base trabalhar mais e tresvariar menos. Sabe o que é tresvariar, Haisen?

SONORA Dias melhores Jota Quest