Crise militar, truque sujo de autogolpista

Bolsonaro usou seu vassalo Braga Neto para demitir comandantes militares, livrando-o de empecilhos de quatro-estrelas e tirando da prioridade da notícia as pilhas de mortos por seu desgoverno

José Nêumanne

31 de março de 2021 | 12h00

No meio da pandemia, da recessão e do caos mortuário nos cemitérios, Pujol, e não o novo coronavírus, passou a ser o imiigo preferencial para desviar atenção do público da pilha de mortos. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Braga Netto chegou ao encontro com a ordem de dispensar os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica na primeira reunião como ministro de defesa. Abriu a conversa com esse comunicado.  Disse que as mudanças eram para o “realinhamento” das Forças Armadas com Bolsonaro e a manutenção do apoio ao governo. Os comandantes  planejavam entregar os cargos em solidariedade à demissão do general Fernando Azevedo e Silva do posto.. O novo titular entrou no gabinete com a demissão dos três comandantes pronta. É óbvio que não há mais moderados, mas sócios cúmplices do sangue derramado dos inocentes entre os pais da Pátria que mantêm no poder um capetão sem noção que criou essa crise entre seus pares militares, ponto sensível, para ocultar a incompetência dele e de sua execrável equipe.

Assuntos para comentário na quarta-feira 31 de março de 2021

1 – Haisem – Comando das Forças Armadas é demitido por ordem de Bolsonaro – Esta é a manchete da edição impressa do Estadão de hoje. Como se explica o presidente da República, em pleno colapso da saúde pública pela pandemia, na recessão econômica e na tragédia mortuária ainda investir numa crise militar

2 – Carolina – Em dia de recorde de mortes, governadores repudiam projeto de Vitor Hugo – Este é o título de uma chamada da capa do Portal do Estadão desta quarta-feira. Que senso de oportunidade manifestou a tentativa do líder do PSL na Câmara dos Deputados para aumentar o poder de Jair Bolsonaro

3 – Haisem – Para Braga Neto, golpe de 1964 deve ser “celebrado” – Este é o título de uma notícia publicada na página A 4 da Editoria de Política do jornal de hoje. Há alguma coisa de sensata e racional a dizer sobre essa atitude de um comando militar que perdeu as estribeiras

4 – Carolina – “Exploração política do ato tresloucado do PM baiano qier criar instabilidade institucional” – Este é o título de uma chamada de capa do Portal do Estadão para o editorial Instabilidade Institucional, publicado em Notas e Informações na página A 3 do jornal. Que conseqüências práticas produziu essa iniciativa

5 – Haisem – Uma “justiça”de mentira nesta república de trapaça – Este é o título de seu artigo publicado na página A 2, de Opinião, do Estadão de hoje. O que justifica esse seu diagnóstico tão amargo sobre o desmanche institucional que anuncia

6 – Carolina – Brasil tem 3.368 mortes, novo recorde – Este é o título de outra chamada de primeira página do jornal de hoje. O que ainda há a dizer sobre essa tragédia mais do que anunciada sob o comando de um governo que só sabe criar crises

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