Corrupção e incompetência foi binômio do governo Lula, diz Di Franco
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Corrupção e incompetência foi binômio do governo Lula, diz Di Franco

Para jornalista, tentativas de politizar condenação do petista são ridículas e insustentáveis e ela mostra que o Brasil mudou de patamar e justifica seu otimismo

José Nêumanne

15 de junho de 2019 | 23h08

Para Di Franco, papel fundamental da imprensa para democracia depende de coragem e humildade para fazer autocrítica. Foto: Hélvio Romero/AE

O professor da Universidade de Navarra, na Espanha, Carlos Alberto Di Franco acha que “Lula foi o responsável direto pela montagem da maior pilhagem da nossa História. O projeto de perpetuação de poder foi estrategicamente montado sob o guarda-chuva da corrupção. É um case único no mundo. Lula se corrompeu e foi corruptor.” Articulista do Estado, o protagonista da série Nêumanne entrevista no Blog prevê que “Brasil vai demorar muitos anos para superar o tsunami petista. Corrupção e incompetência. Trata-se do binômio que marcou o governo Lula. As tentativas de politização da sua condenação são ridículas e insustentáveis. Sua condenação e de seus aliados mostra que o Brasil mudou de patamar e justifica o meu otimismo.” Sobre a atuação dos meios de comunicação no atual momento político Di Franco tem opinião severa e serena: Não podemos viver de costas para a sociedade real. Isso não significa ficar refém do pensamento da maioria. Mas o jornalismo, observador atento do cotidiano, não pode desconhecer e, mais que isso, confrontar permanentemente o sentir das suas audiências. A verdade, limpa e pura, é que, frequentemente, a população tem valores diferentes dos nossos.”

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O paulistano Carlos Alberto Di Franco é bacharel em Direito. Especialista em Jornalismo Brasileiro e Comparado. Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, na Espanha. Diretor do programa Estratégias Digitais para Empresas de Mídia (ISE). Professor convidado da Facultà di Comunicazione Sociale Istituzionale (Roma). Professor do Curso de Jornalismo Aplicado do Grupo Estado. Diretor da Di Franco, Consultoria em Estratégia de Mídia. Consultor de Empresas Informativas. Consultor do Grupo O Estado de S. Paulo. Presidente do Conselho Diretor do CEU- ISE Business School. Membro do Conselho Consultivo do Grupo Rede Amazônica de Televisão. Membro do Conselho do Grupo AJ Vierci (jornal Ultima Hora, Telefuturo), do Paraguai. Membro do Conselho da Fundação São Paulo. Articulista de O Estado de S. PauloO Globo (Rio de Janeiro), Gazeta do Povo (Curitiba), Estado de Minas (Belo Horizonte), Grupo Gazeta (Vitória), Diário do Nordeste (Fortaleza), O Liberal (Belém) e de diversos jornais brasileiros. Membro do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Membro do Comitê Editorial da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Membro do Conselho Editorial da Revista Comunicación y Sociedad (Pamplona, Espanha). Membro da Academia Cristã de Letras. Autor de Jornalismo, Ética e Qualidade (Editora Vozes, São Paulo), La Noticia Sembrada (Editora Istmo, do México), Jornalismo como Poligrafia (Porto, Portugal), O Futuro da Informação na América Latina (Buenos Aires). Coautor de Papel da Polícia na Sociedade Democrática (Ed. Mageart. São Paulo). Coordenador do livro Agenda Brasil – Perspectivas para a Próxima Década (Ed. Manole, São Paulo). Coautor do Tratado de Direito Constitucional (ED. Saraiva, São Paulo).

Di Franco participa do lançamento do Segundo Prêmio Jovem Jornalista no auditório do Banco Real. Foto digital: Sérgio Castro/AE

Nêumanne entrevista Carlos Alberto Difranco

Nêumanne – Em 26 de abril de 1984, numa reunião do Conselho da Sudene, que reunia governadores do Nordeste e de Minas Gerais, este, à época Tancredo Neves, foi lançado como candidato de consenso nacional como primeiro civil a assumir o que se convencionou chamar de Nova República. Na ocasião, agradecendo a honra, ele disse em discurso: “A hora política é extremamente grave, não há lugar para contemporizações nem habilidades e o contexto é inquietante”. E, depois, pediu uma soma de esforços para “a retomada do desenvolvimento” do Brasil. Tancredo foi eleito, mas não foi empossado, porque morreu. Quantas vezes nestes últimos 35 anos o senhor já ouviu esse apelo? Trata-se de uma sina ou de uma maldição nossa?

Carlos Alberto Di Franco – Sou um otimista com os pés bem plantados na terra. Se olhamos o Brasil com um filtro negativo, de farol baixo, a coisa não é animadora. Mas se olhamos o Brasil real, o País que teima em avançar apesar dos governos, minha percepção é positiva. Passamos pelo trauma da morte de Tancredo, uma bela figura humana e um admirável animal político, talvez exageradamente anabolizado pelo marketing. Mas a vida seguiu. O governo Tancredo, tão badalado por todos nós, creio, acabaria em frustração. Era um saco de gatos. Todas as tendências ideológicas cabiam no pacto político de Tancredo. O problema é o day after. Acaba a festa e é preciso governar. Como? Seu governo seria tragado pela voracidade dos apetites típicos dos governos de coalização. E apesar de tudo fomos adiante, entre sustos e solavancos. Assim como a atual reforma da Previdência é inescapável (teremos uma reforma parruda), a reforma política também se imporá. E só ela será capaz de trazer oxigênio ao rarefeito ambiente político brasileiro. A negativa de Bolsonaro de lotear o governo, feita talvez de modo amador e polêmico, está esticando a corda. A reforma virá na 25.ª hora. Mas virá. O Brasil só funciona sob tensão. Sou otimista porque a corda está esticada e a sociedade está cansada. Num país em que ministros do STF não podem viajar em avião de carreira e políticos são expulsos de restaurantes, fatos obviamente condenáveis, algo de bom vai acontecer. Os moradores da Ilha da Fantasia estão sentindo o frio do andar de baixo.

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Nêumanne – José Sarney, que era presidente do partido que apoiava o regime militar, que deixava a cena, ficou no lugar de Tancredo, que havia constituído uma comissão de notáveis para redigir a tarefa prioritária de sua empreitada, uma nova Constituição. Sob a égide de Sarney, o comando de Ulysses Guimarães e o predomínio de José Serra, Mário Covas e Fernando Henrique, de um lado, e Bernardo Cabral de outro, foi promulgada a Carta Magna, sem incorporar nada do que aqueles notáveis haviam imaginado. Hoje, há 31 anos sob o império desse texto, nós deveríamos bendizê-lo ou maldizê-lo por haver regulamentado a nossa vida, professor?

DF – A Constituição foi fundamentalmente um documento emocional. O Brasil clamava pelo retorno à normalidade democrática. Mais uma vez prevaleceu um sentimento salvacionista. A Constituição foi vendida como uma carta de alforria da cidadania e um resgate de direitos supostamente sonegados. Reconheço méritos na Constituição. Mas seus defeitos foram infinitamente maiores. Os notáveis foram postos de lado. E os políticos desenharam uma Carta sob medida para eles, para a turma do andar de cima. O Estado transformou-se no tutor da sociedade. Nossa vida foi regulamentada. A liberdade e a agilidade próprias de uma sociedade sadia e empreendedora sucumbiram às garras do Estado “protetor”. A Constituição gerou a cultura do intervencionismo. Basta ver o comportamento do STF: invade o espaço do Legislativo e entra em todas as searas da vida nacional. Impõe-se, creio, uma revisão de um texto constitucional que se transformou numa algema do desenvolvimento.

Di Franco reúne-se com conselheiros e executivos da Rede Amazônia de Televisão. Foto: Acervo pessoal

N – O primeiro presidente escolhido em eleição direta a jurar essa Constituição, que Ulysses chamava de “cidadã”, mas pode ser talvez mais bem definida como “madrasta”, no pior sentido do termo, foi Fernando Collor de Mello, que, sem cumprir o mandato, foi também pioneiro numa deposição legal pelo Congresso. Qual foi a marca que ele deixou, além da abertura do mercado para automóveis estrangeiros e o confisco da poupança dos brasileiros?

DF – Fernando Collor foi eleito num forte movimento anti-Lula. O marketing político – sempre ele – vendeu a imagem de um governante moderno, arejado, intrépido lutador contra a chaga da corrupção. O caçador de marajás. Logo ele. Nós, jornalistas, não fizemos bem o nosso trabalho. A grande mentira que foi Fernando Collor já tinha deixado impressões digitais que não fomos capazes de captar e denunciar. O mérito da triste história do governo Collor foi desencadear um forte, talvez o primeiro, grande movimento nacional de combate à corrupção. Getúlio Vargas, no seu ocaso, foi fustigado. Mas Vargas era pessoalmente honesto. Collor, não. Sua impunidade, e sua atual presença no Senado, pode ser creditada à crônica lentidão do STF.

Di Franco no lançamento do 10.º Prêmio Líberfo Badaró Nacional, no auditório do IICS. Foto: Hélvio Romero/Estadão

 N – Qual a sua opinião a respeito do mais surpreendente presidente de nossa História, Itamar Franco, um vice desajeitado e inesperado que terminou implantando a mais bem-sucedida revolução social da História do Brasil, o Plano Real, que até hoje, apesar de todas as vicissitudes econômicas que temos atravessado, mantém pelo menos a higidez da moeda como bom efeito?

DF – A vida reserva muitas surpresas. Itamar Franco, temperamental, desajeitado e imprevisível, foi um bom presidente. As glórias ficaram com Fernando Henrique Cardoso. Mas foi Itamar Franco que teve a coragem de dar o passo e ser o fiador da grande reforma brasileira. Sem o precedente do Plano Real não teríamos a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ele criou, talvez sem mesmo perceber, uma mudança cultural profunda.

Para ver Di Franco no vídeo Jornalismo Substantivo no YouToube clique aqui

N – A seu ver, o que levou o professor Fernando Henrique Cardoso a jogar fora todo o legado da estabilidade da moeda que havia reservado para seu sucessor ao, forçando a barra na própria reeleição, levar sua biografia e a economia nacional ao desmanche?

DF – Vou ser muito direto: a vaidade. O ser humano, todos nós, estamos acossados pelas consequências da fragilidade humana. A vaidade, embora não pareça, é responsável pelos grandes equívocos da História. Fernando Henrique Cardoso fez um bom governo e merece nosso respeito. Mas foi a vaidade que o levou a fazer tudo para arrancar um segundo mandato. Foi a mesma vaidade que o levou, de algum modo, a promover a figura do Lula. É a vaidade de construir uma imagem liberal, aberta, com pitadas de esquerda. Estarei sendo injusto? Não sei. É o que eu penso, embora reconheça seus muitos méritos.

Bico de pena de Di Franco por Baptistão, publicado como ilustração de seus artigos na página 2 do Estado. Reprodução

N – O que mais influiu na demolição da bonança econômica provocada pelo sucesso do Plano Real nos três mandatos e meio do PT de Lula, o profeta, e Dilma, a tatibitate: o assalto desregrado a todos os cofres públicos, a submissão dos destinos do País à ambição de poder absoluto ou o abandono da responsabilidade fiscal, ensaiada no primeiro mandato de Lula e deixada à matroca com a saída de Antônio Palocci do Ministério, e, depois, a entrada do poste Dilma na Presidência da República, que causou o impeachment da chefa do governo?

DF – Lula foi o responsável direto pela montagem da maior pilhagem da nossa História. O projeto de perpetuação de poder foi estrategicamente montado sob o guarda-chuva da corrupção. É um case único no mundo. Lula se corrompeu e foi corruptor. O Brasil vai demorar muitos anos para superar o tsunami petista. Corrupção e incompetência. Trata-se do binômio que marcou o governo Lula. As tentativas de politização da sua condenação são ridículas e insustentáveis. Sua condenação e de seus aliados mostra que o Brasil mudou de patamar e justifica o meu otimismo.

Di Franco, na foto na confluência dos rios Amazonas e Solimões, vaticina: “A crise é grave. Mas a oportunidade pode ser imensa. Sou otimista.” Foto: Acervo pessoal

 N – O senhor acha que Michel Temer deixou escapar a oportunidade de estancar o desemprego e, assim, salvar a economia da “recessão depois da depressão”, diagnosticada pela assessoria AC Pastore, do ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, que ora vivemos, para exercitar sua condição de “pato manco” depois do encontro fatídico com o marchante Joesley Batista? Teria sido o hábito do cachimbo que entorta a boca ou a sensação de impunidade, permitida pelas regras lenientes das responsabilidades constitucionais do exercício da Presidência?

 DF –Michel Temer, no seu curto mandato, fez um trabalho razoável. Só a reforma trabalhista foi um grande ativo, um legado importante para a História. Infelizmente, Temer ficou refém de seu passado, do modo como fez política ao longo de toda a sua vida.  Fez coisas boas. Tentou redigir um bom capítulo final de sua biografia. Não conseguiu. Agora, terá seu encontro com a Justiça.

Para ver Di Franco no programa Gente em Destaque no YouTube clique aqui

 N – Em sua opinião, o capitão reformado e deputado federal do baixo clero Jair Bolsonaro candidato a presidente com muito pouco tempo no horário da televisão, sem participar de debates, afastado por causa do atentado em Juiz de Fora na campanha de rua, e sofrendo ataque cerrado dos meios tradicionais de comunicação ganhou a eleição  graças ao recurso às redes sociais sob a égide de seu filho 02, Carlos, à militância da direita nostálgica dos tempos do regime militar, ao antipetismo ou à vitimização pela facada do ex-militante do PSOL Adélio Bispo de Oliveira, no comício de 6 de setembro de 2018? Se acha que foi a soma disso tudo, poderia, por favor, esclarecer, estabelecendo um calendário desses eventos?

DF – Vários fatores determinaram a eleição de Bolsonaro: o forte sentimento antipetista, o cansaço da sociedade com a hegemonia ideológica de esquerda, o aparecimento de um movimento conservador e liberal que não estava explicitado e o fenômeno da disrupção digital. A mídia tradicional, à semelhança do que aconteceu na eleição de Donald Trump, não foi capaz de captar o sentimento do Brasil profundo. Acho que a eleição de Bolsonaro deve levar-nos a um sério exercício de autocrítica. Precisamos olhar para a realidade. Não para as nossas percepções da realidade. Em resumo: o jornalismo precisa sair às ruas, sentir o cheiro do asfalto.

Di Franco com uma turma de alunos, que são diretores e executivos do programa Estratégias Digitais para Empresas. Foto: Acervo pessoal

 N – Até quando a antipatia recíproca entre o núcleo duro do governo Bolsonaro e o que as tropas bolsonaristas, sob o comando de Carlos e inspiração de Olavo de Carvalho, chamam de mídia lixo ou extrema imprensa vai envenenar, a seu ver, as relações entre as duas partes, prejudicando, sobretudo, a cidadania, praticamente desprovida de informação limpa entre o combate ideológico e as fake news?

DF – Escrevi recentemente sobre isso. Precisamos conversar. Bolsonaro tem enviado recados pacificadores. O café da manhã do presidente com jornalistas é uma boa sinalização. Estive em um deles. Eu mesmo questionei o distanciamento do presidente da mídia e sua obsessão pelas redes sociais. Ele reconheceu o equívoco de algumas “caneladas” e manifestou o desejo de conversar. Acredito, sinceramente, que há um empenho de abertura. Alguém se lembra de quantas coletivas de imprensa foram dadas durante o longo reinado de Lula e Dilma? As relações entre governo e mídia devem ser de independência, respeito e certa tensão. Mas é preciso conversar. E, creio, cobrir não apenas o pitoresco, mas as ações concretas do governo. Estamos muito focados na espuma provocada pelas trapalhadas dos filhos de Bolsonaro. Está na hora de cobrir as políticas públicas. Com profundidade e senso crítico. Criticar o que está errado e apoiar o que está certo. Fazer jornalismo. Nós, da imprensa, talvez ressentidos pelo estilo polêmico do presidente, sobretudo pela agressividade dos seus filhos, não estamos captando os sinais do governo. Por isso temos sido excessivamente críticos com uma administração que está nos começos e carregando uma herança para lá de incompetente, corrupta e irresponsável. Um governo só pode ser avaliado depois que se constate se as coisas melhoraram ou pioraram em consequência das decisões que pôs em prática. Tem gente séria trabalhando: Paulo Guedes, Sergio Moro, Tarcísio Gomes de Freitas e general Heleno, entre outros. O porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros, entende o nosso trabalho e colabora com as nossas demandas. Não dá para comparar com Ministérios de recente e triste memória. É necessário superar o clima de Fla-Flu e encontrar o ponto de equilíbrio: respeito e independência.

Di Franco em conferência sobre Educação e mídia: desafios, no Colégio Bosque e Mananciais, em Curitiba. Foto: Acervo pessoal

N – Quais efeitos o senhor acha que poderão ter as manifestações de rua, apoiando o presidente em seu diálogo de surdos com o Congresso e, sobretudo, as reformas com as quais ele se comprometeu em atendimento às demandas do eleitorado, na aprovação dessas reformas no Legislativo, no Judiciário e até mesmo na permanência do chefe do governo em sua ponte de comando?

DF – Acho que o governo aprovará uma boa reforma da Previdência, fará uma bela privatização e seguirá em frente. Imaginar que um governo eleito com 57 milhões de votos e com apenas seis meses sentado na cadeira corre risco de ir para o brejo é uma bobagem. Bolsonaro irá moderando o tom e aprendendo com as derrotas.

Os leitores, com razão, manifestam cansaço com o tom sombrio das coberturas da imprensa. É possível denunciar mazelas com um olhar propositivo. Pensemos, por exemplo, na ignominiosa situação do saneamento básico. É preciso reverter um quadro que agride a dignidade humana, envergonha o Brasil e inviabiliza o futuro de gerações. Não seria uma bela bandeira, uma excelente causa a ser abraçada pela imprensa? Em vez de ficarmos reféns do diz-que-diz, das intrigas e da espuma que brota nos corredores de Brasília, e que não são rigorosamente notícia, mergulhemos de cabeça em pautas que, de fato, ajudem a construir um País que não pode continuar olhando pelo retrovisor.

Não podemos viver de costas para a sociedade real. Isso não significa ficar refém do pensamento da maioria. Mas o jornalismo, observador atento do cotidiano, não pode desconhecer e, mais que isso, confrontar permanentemente o sentir das suas audiências. A verdade, limpa e pura, é que, frequentemente, a população tem valores diferentes dos nossos.

O jornalismo precisa fazer a leitura correta e isenta dos acontecimentos. É preciso informar com objetividade. Esclarecer os fatos sem a distorção das preferencias e dos filtros ideológicos.

A internet, o Facebook, o Twitter e todas as ferramentas que as tecnologias digitais despejam a cada momento sobre o universo das comunicações transformaram a política e mudaram o jornalismo. Queiramos ou não.

A imprensa de qualidade, séria e independente, é essencial para o futuro da democracia. E tudo isso, tudo mesmo, depende da nossa coragem e humildade para fazer a urgente e necessária autocrítica. Não bastam medidas paliativas. É hora de dinamitar antigos processos e modelos mentais. A crise é grave. Mas a oportunidade pode ser imensa. Sou otimista.

Di Franco, que pratica montanhismo, enfrenta relações difíceis entre público e imprensa: “A verdade, limpa e pura, é que, frequentemente, a população tem valores diferentes dos nossos.” Foto: Acervo pessoal

 

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