Cadê Lula?
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cadê Lula?

Por que Joesley apresentou provas abundantes contra Temer e nenhuma contra Lula e Dilma?

José Nêumanne

05 de junho de 2017 | 11h06

Lula e Gleisi, acusados de receberem propina pela Lava Jato, na festa do PT Foto: Adriano Machado/Reuters

Até agora, há farta produção de provas sobre os delatados por Joesley e Wesley Batista, da J&F, do PMDB de Michel Temer e do PSDB de Aécio Neves, Aloysio Nunes e José Serra. Mas nenhuma prova documental de que as contas que, segundo Joesley Batista, foram abertas em seu próprio nome e eram manipulados por Guido Mantega para favorecer os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e que, segundo os delatores, seriam administradas por seus ex-ministros da Fazenda Antônio Palocci e o Guido Mantega. Hoje se vazam muitas informações de que estes dois estão dispostos a delatar e que essas delações mudarão essa situação, mas nenhum desses boatos chegou a ser confirmado.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – da segunda-feira 5 de junho de 2017, às 7h30m)

Para ouvir clique aqui e, em seguida, no play

Para ouvir Vá embora, com Flávio José, clique aqui

Abaixo íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 5 de junho de 2017 – Segunda-feira

Em 18 de maio, há 18 dias, você disse aqui neste microfone que o governo Temer tinha acabado. O que falhou em sua previsão?

Na quarta-feira 17, o colega Lauro Jardim publicou no site dojornal O Globo, no qual ele assina uma coluna semanal aos domingos que o presidente Michel Temer tinha recebido no porão do Palácio Jaburu, onde mora por delegação do povo brasileiro e em nome das instituições da democracia um bandidinho de quinta categoria, o marchante Joesley Batista. A conversa foi gravada pelo interlocutor numa ação controlada pela Política Federal e pelo Ministério Público Federal. A conversa gravada é indefensável. Como representante do PMDB na cúpula do governo Dilma Rousseff, que ele ajudou a eleger em 2010 e reeleger em 2014, ao longo de cinco anos, quatro meses e 12 dias, Temer fez parte de um esquema que assistiu, impávido colosso, a limpeza de todos os cofres da República no maior assalto da História. Mas as circunstâncias institucionais daquele momento lhe deram a chance histórica de passar dois anos, seis meses e 12 dias isento da cobrança de qualquer deslize ético de sua parte, graças ao dispositivo constitucional que só permite investigar qualquer crime que praticasse durante o exercício deste mandato máximo. No entanto, confiante na impunidade de que todos os altos membros do Poder Executivo gozaram ao longo da História da República, ele não apenas delinqüiu como também deixou pegadas indefensáveis ao receber o referido delinqüente confesso, ouvir seus relatos em silêncio às vezes interrompidos por breves e monossilábicas reações, sem nunca ter contrariado esse discurso delituoso e confessional nem exercido sua autoridade, reprovando-o e mandando prendê-lo durante dois meses e 12 dias. Poderia ter facilitado a solução renunciado, mas não o fez. Ao resistir, tem amealhado a cumplicidade de antigos adversários frouxos, hoje ferrenhos aliados, do que foi, durante a roubalheira, o maior partido da oposição. Na verdade, era tudo mentira, tudo fingimento, o PSDB é acusado com evidências bastante lógicas e sólidas de ser cúmplice no descalabro e companheiro na derrocada da imagem que os torna párias eleitorais inevitáveis. Segundo relatou a colega Isadora Peron, da Sucursal do Estadão em Brasília, ministros do PSDB estiveram ontem, de manhã, com o presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu, para garantir ao peemedebista que o partido, por ora, vai continuar na base aliada. A permanência do PSDB no governo dá uma sobrevida a Temer, que enfrenta nesta semana o início do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação do seu mandato. A decisão dos tucanos é vista como um referencial para os demais partidos da base, que poderiam acompanhar a debandada. Participaram do encontro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Bruno Araújo (Cidades), que chegou a ameaçar entregar o cargo no dia em que a delação dos empresários do grupo J&F veio a público. egundo um dos ministros, a reunião da Executiva do partido vai ser na quinta-feira, mas terá como objetivo fazer uma “análise de conjuntura” e não decidir se o PSDB vai deixar o governo. Na semana passada, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), havia anunciado que a cúpula da legenda iria se reunir na terça-feira para definir uma posição em relação ao governo. O encontro aconteceria no mesmo dia em que TSE daria início ao julgamento da chapa Dilma Rousseff-Temer. Desde a abertura do inquérito para investigar Temer, a ala mais jovem do PSDB vem pressionando o partido a deixar a base. Na Câmara, a bancada, com 46 deputados, está rachada. Uma eventual saída do partido da base, no entanto, depende do aval da Executiva. Ou seja, cumprindo seu papel histórico e jogando no lixo sua promessa eleitoral de representar parte da sociedade que esperava deles a resistência contra os ladravazes da República, os tucanos aderiram à resistência de Temer e mantendo seu governo zumbi, pois completamente sem moral nenhuma para exercer sua autoridade, num abraço cego, surdo e loquaz de afogados insensíveis e mentirosos que mantém a Nação vítima de sua desumana aliança apodrecida, mas também inquebrantável. Uma tragédia para todos, especialmente para o País. O Poder Legislativo está completamente dominado por suspeitos de cumplicidade na corrupção. E o Judiciário, também controlado por uma maioria de indicados, sócios e suspeitos que garantirão uma vitória dos réus no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por quatro a três. E, pelo menos, por seis a quatro, no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma pena, um desastre, que vai mantendo o Brasil na maior crise moral, econômica e política de todos os tempos, enquanto o resto do mundo civilizado, embora assaltado e martirizado pela covarde canalha terrorista, continua sob o signo da prosperidade e do crescimento. Um inferno!

Esta decisão tem algo a ver com a indignação da opinião pública quanto à premiação excessiva concedida pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal aos delatores da J&F?

Digamos que o PSDB se aproveitou dessa indignação para garantir sua permanência fisiológica no governo. Até agora o procurador-geral da República, que tem sido muito rigoroso com Temer, Aécio Neves e outros flagrados na ação controlada, não dá respostas a questões básicas para justificar a liberdade gozada no exterior pelos delatores premiados. Por exemplo: não identificaram, processaram nem prenderam os bandidos que, segundo foi informado, os ameaçaram de morte, o que justificou a leniência excessiva. Quem ameaçou? Por quê? Nestes últimos 18 dias, tenho cobrado aqui a punição dos responsáveis pelo enriquecimento vertiginoso e ilícito dos marchantes de Anápolis que se tornaram tranchãs da produção e comercialização de proteína animal no mundo. Segundo reportagem de Marcelo Godoy, do Estadão, a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista lhes valeram o perdão de crimes cujas penas somadas individualmente poderiam alcançar de 400 a até 2 mil anos de prisão. Os relatos dos irmãos e dos diretores do Grupo J&F Investimentos feitos à Procuradoria-Geral da República descrevem 240 condutas criminosas reunidas nos depoimentos dos delatores e em 42 anexos entregues pelo órgão ao Supremo Tribunal Federal (STF). Levantamento feito pelo repórter do Estado mostra que foram relacionados oito tipos de crimes, entre eles 124 casos de corrupção e 96 de lavagem praticados por mais de uma organização criminosa. Especialistas em Direito Penal indicam que, em tese, muitas das condutas delatadas, apesar de autônomas, foram praticadas de forma continuada, como se fossem desdobramentos de um mesmo crime. É o caso da lavagem de partes de uma mesma propina por meio de ações diferentes para dissimular o dinheiro, tais como o uso de notas frias para encenar relações comerciais, o superfaturamento da compra de imóveis ou o uso de contratos fictícios de honorários advocatícios. Assim, as penas pelos delitos poderiam cair para algo em torno de 230 anos no mínimo e 1,3 mil anos no máximo.  A análise desses dados reacende a polêmica em torno das vantagens concedidas aos Batista nos termos do acordo de delação assinado com o Ministério Público Federal (MPF) – eles não poderão ser processados por nenhuma dessas 240 condutas criminosas, recebendo ainda imunidade em outras investigações em andamento e o perdão judicial caso sejam denunciados em outros processos. Os empresários pagaram ainda multa de 110 milhões de reais, valor considerado insuficiente por juristas diante das condutas praticadas. Por fim, o grupo é suspeito de usar o acordo com o MPF para lucrar com operações de venda de dólares dias antes da divulgação das delações, suspeita que levou a Justiça federal a decretar o bloqueio de 800 milhões do Grupo J&F.

“São (os Batista) criminosos antigos, reiterados e sem nenhum escrúpulo. A delação premiada não pode ser transformada em um instrumento de impunidade”, disse o criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira, que defende um dos 1.829 políticos delatados pelos Batista: o presidente Michel Temer.

Além de corrupção e lavagem, os delatores da holding J&F Investimentos relataram financiamentos por meio de caixa 2 de campanhas eleitorais de partidos políticos – o PT e seus integrantes lideram o ranking dos destinatários da propina, concentrando 616 milhões de reais dos cerca de 1 bilhão e 400 milhões de reais que os Batista confessaram ter pago. Especialista em combate à lavagem de dinheiro ouvido por Marcelo Godoy, o promotor de Justiça Arthur Pinto de Lemos Junior, do Grupo de Atuação Especial Contra Delitos Econômicos (Gedec), afirma que tanto a extensão quanto a qualidade da delação fortalecem a decisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de conceder os benefícios dados aos Batista. “Os ilícitos revelados são todos inéditos, eram desconhecidos até então, e o Ministério Público Federal não ia descobri-los se não fosse a iniciativa dos colaboradores.” Até agora, há farta produção de provas sobre os delatados do PMDB de Temer e do PSDB de Aécio, Aloysio e Serra. Mas nenhuma prova documental de que as contas que, segundo Joesley Batista, foram abertas em seu próprio nome e eram manipulados por Guido Mantega para favorecer Lula e Silva, beneficiaram os ex-presidentes e seus ministros da Fazenda, Palocci e o próprio Mantega. Hoje se vazam muitas informações de que estes dois estão dispostos a delatar e que essas delações mudarão essa situação, mas nenhum fato foi confirmado. Além do mais, o descalabro com que o economista Luciano Coutinho deu de mão beijada dinheiro público para os bandidinhos goianos prosperarem continua escondido debaixo do tapete vermelho. Enquanto esses fatos não vierem à tona, haverá dúvidas e suspeitas. Já passou da hora de revelá-las com a mesma abundância de prova como as que surgiram com gravações e documentos que não incriminam os figurões petistas.

Durante a crise causada no governo pela delação de Joesley, foi noticiado que o governo desistiu de trocar concessão por autorização das teles. O que aconteceu?

De acordo com o que foi noticiado por Luís Osvaldo Grossmann na semana passada no site  Convergência Digital, A Anatel não vai mais esperar pelas mudanças na Lei Geral de Telecomunicações. Segundo o presidente da agência, Juarez Quadros, não haverá nova prorrogação da revisão dos contratos de concessão da telefonia fixa, que portanto serão assinados antes de 30/6, em um mês.  Quando o processo de revisão começou, as propostas discutidas no Conselho Diretor da agência já previam alterações significativas no STFC, ou seja, o sistema de telefonia fixa mas elas acabaram atropeladas pelo projeto de Lei 3453/15, que aprofundou as mudanças e abriu caminho para o fim das concessões. O Plano Geral de Outorgas, que foi debatido em audiência pública da Anatel nesta mesma terça, 30/5, voltará ao Conselho Diretor a espera de melhores dias. A mudança proposta insere no regulamento a possibilidade de transformação de concessões em autorizações – o que depende da nova Lei ser aprovada.

Foi uma tentativa de golpe em nosso bolso, que acabou não dando certo. O recuo é positivo, deve ser aplaudido, mas deve servir de alerta. É preciso dormir com um olho aberto e outro fechado, para não permitir que o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, que só saiu do governo Dilma no último dia, não venha novamente com essa lorota, que pode custar ao Erário mais de 100 bilhões de reais. E, por falar em Temer, peço ao almirante Nelson para tocar um sucesso junino de Flávio José.

SONORA Vá embora Flávio José

https://www.youtube.com/watch?v=nvojfJLG6ps

 

 

Mais conteúdo sobre:

José Nêumanne PintoDireto ao assuntoJornal EldoradoFM 107.3Haisem AbakiMichel TemerPresidente da RepúblicaJoesley BatistaJ&FLauro JardimO GloboPalácio do Jaburu17 de Maio de 2017PMDBDilma RousseffEx-Presidente da RepúblicaPSDBSenador Aécio Neves (PSDB-MG)Ex-Presidente Nacional do PSDBSenador Tasso Hereissati (PSDB-CE)Presidente Nacional do PSDBSenador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)Ministro das Relações ExterioresDeputado Antônioi Imbassay (PSDB-BA)Ministro-Chefe da Secretaria do GovernoDeputado Bruno Ara újo (PSDB-PE)Ministro das CidadesTribunal Superior Eleitoral (TSE)Cassação da Chapa Dilma-TemerImpeachment de DilmaComissão Executiva do PSDBPoder ExecutivoPoder LegislativoPoder JudiciárioSupremo Tribunal FederalEx-Deputado Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR)Luiz Inácio Lula da SilvaMinistério Público Federal (MPF)Isadora PerónSucursal de BrasíliaO Estado de S. PauloMarcelo GodoyCriminalista Antônio Cláudio Mariz de OliveiraPromotor de Justiça Arthur Pinto de Lemos JúniorGrupo de Atuação Especial Contra Delitos Econômicos (Gedec)Rodrigo JanotProcurador Geral da RepúblicaOperação Lava JatoMinistro Luiz Edson FachinRelator da Lava Jato no STFSenador José Serra (PSDB-SP)Ex-Ministro das Relações ExterioresPlano Geral das ComunicaçõesMinistério da CiênciaInovação e ComunicaçõesMinistro Gilberto Kassab (PSD-SP)Juarez QuadrosPresidente da AnatelVá EmboraFlávio JoséPlano Geral de OutorgasLuís Oswaldo GrossmannSite Convergência DigitalAantônio Palocci (Italiano)Ex-Chefe da Casa CivilGuido Mantega (Laticínio)Ex-Ministro da Fazenda