Brinde ao Brasil
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Brinde ao Brasil

Nas sessões do impeachment na Câmara e no Senado instituições mostraram que não são tão frágeis

José Nêumanne

12 de maio de 2016 | 17h10

 

Deputados comemoram a admissibilidade do impeachment contra a presidente Dilma Roussef depois de conseguirem o 342º voto na Câmara

Sessão em que a Câmara autorizou o Senado a processar Dilma

Quinta-feira 12 de maio de 2016 – 13 horas

Ao contrário de muitas pessoas, algumas das quais respeito muito, nada lamento do que vi e ouvi nos plenários cheios da Câmara e do Senado em 17 de abril e ontem, entrando pela manhã de hoje, de que devesse me envergonhar de nossos representantes. As dedicatórias à família na sessão em que os deputados federais autorizaram o Senado a processar Dilma por suspeita de ter cometido crimes de responsabilidade não me provocam nenhuma náusea. Talvez porque meu estômago de sertanejo não seja tão sensível quanto os de muitos outros brasileiros, cujo direito de divergir de minha opinião comemoro, em vez de lastimar. Não aprovo, como todos os democratas do País, a louvação ao torturador Ustra, que nunca nada teve de Brilhante. Mas da mesma forma sinto repulsa pelos votos que tentaram endeusar Marighela e outros ídolos da esquerda armada, que cometeram o mesmo desatino de empregar violência ilícita para tentar fazer valer no Brasil os mesmos crimes contra a humanidade cometidos por monstros como Ustra: Stalin, Mao, Pol Pot, Fidel, Hoxxa, Ceausescu e tantos outros. No entanto, o que os dois falaram não chega a me repugnar por saber que eles têm legitimidade para defender as próprias convicções, e não as minhas, nas Casas em que a sociedade se faz representar. Antes uma democracia em que se ouve um elogio a assassinos vocacionais do que regimes discricionários comandados por sicários. Aparentemente, a sessão do Senado foi menos folclórica, muito embora não deixe de ser bizarra a tentativa dos derrotados, particularmente da bancada do chororô, de fazerem enorme esforço para ver golpe onde não havia, como se nossa República fosse bananeira. Republiqueta de bananas uma ova! O tamanho do desvario foi retratado, talvez com algum exagero, no apoio que obtiveram de menos do terço regimental que evitaria o afastamento da tresloucada “presidenta”, cujas incompetência e gosto bizarro atingem até a pobre flor do Lácio, que ela quer tornar menos culta e mais murcha, assumindo para tanto uma cruzada e uma razão de luta. Saio deste processo feliz com as provas que as instituições republicanas deram nele de que não são tão frágeis e, por menos funcionais que sejam, ainda bastam para garantir a vigência da velha, boa e vilipendiada democracia burguesa. Viva o Brasil de hoje, por se estar mostrando capaz de retomar a caminhada em busca da esperança, da credibilidade e da honra perdidas. Podemos brindar a isso com silêncio e orgulho nesta hora do almoço. Tchim-tchim!