Brasil passa vexame na ONU

Nas Nações Unidas, Bolsonaro queixa-se de conspiração de concorrentes para prejudicar agronegócio e mente ao elogiar sua gestão na pandemia e defender-se das acusações à política ambiental de seu governo

José Nêumanne

23 de setembro de 2020 | 22h19

Bolsonaro queixou-se de desinformação mundial com intenção de derrubá-lo, mas não dá um único dado real em defesa de seu governo. Foto: Marcos Corrêa/PF

Cumprindo tarefa histórica de abrir assembleias-gerais da ONU, Brasil passou vexame no discurso do presidente Jair Bolsonaro. Em vez de se dirigir ao mundo, como se espera de um estadista, o chefe do Executivo repetiu a seus fanáticos as mentiras que fazem do País pária do mundo. Todos sabem que o desempenho do governo brasileiro no combate à pandemia foi o pior de todos, não o melhor, de que ele se gabou. Cometeu erro grosseiro de aritmética ao atribuir à ajuda emergencial aos pobres de cento e pouco dólares em mil, dez vezes, um zero à direita por mês e inculpou caboclos e índios por focos de fogo na Amazônia. Para completar, deu um show de sabujice ao fazer campanha eleitoral indireta de seu ídolo, Donald Trump, em campanha pela reeleição. Foi o discurso mais cínico do encontro. O mais cretino foi o do citado Trump. E o mais hipócrita do líder chinês, Xi Jipingng, que prometeu combater a poluição com metas a serem atingidas em 2060. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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