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Bolsonaro exalta liberdade e golpe

Em pronunciamento em que não liga lé com cré, presidente da República exalta liberdade do Estado de Direito, mas faz indevido elogio à ditadura militar, que violou princípios elementares da democracia

José Nêumanne

10 de setembro de 2020 | 07h58

Sem máscara, ao contrário dos outros ocupantes do palanque do dia 7, Bolsonaro sequestra a Pátria em seu dia num festival bolsonarista, que malogrou. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Na manhã do dia 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro sequestrou a Pátria comemorando o 198.º aniversário da proclamação da independência pelo príncipe português Pedro de Alcântara num típico festejo bolsonarista com os frequentadores habituais da frente do Alvorada, prédio público onde mora. O óbvio fiasco, refletido no baixo comparecimento, pode ser atribuído aos riscos da pandemia, mas ele e seus adoradores a desprezam. A ponto de não citá-la no pronunciamento em rede de rádio e televisão, em que, simultaneamente, se disse defensor da lilberdade e da democracia e elogiou o golpe militar de 1964, que promoveu uma interrupção de dois decênios na vigência da mais democrática Constituição da História da República, a de 1946. Autoproclamado defensor perpétuo da Constituição, também democrática, de 1988, não se referiu na fala aos arreganhos autoritários recentes dos grupos organizados que propuseram fechar o Congresso e o Supremo, o que omitiu. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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