Bolsonaro entre saúde e economia

Disposto a vender imagem de campeão da luta contra recessão econômica a ser provocada pela covid-19, presidente opõe-se à quarentena de todos e insiste no isolamento apenas dos vulneráveis

José Nêumanne

28 de março de 2020 | 23h05

 

Apesar da tensão com governadores por conta da quarentena, Bolsonaro e Augusto Heleno, tido como infectado por coronavírus, parecem divertir-se no Planalto. Foto: Adriano Machado/Reuters

Ao contrário de mais da metade do mundo em que grupos políticos antes irreconciliáveis se unem para combater o terrível vírus chinês, no Brasil a pandemia também instalou um pandemônio, em que os líderes concentram seus esforços na batalha eleitoral prevista para 2022. Enquanto alguns governadores insistem no isolamento social como forma de reduzir a velocidade do contágio da doença o presidente da República, Jair Bolsonaro, lançou uma campanha sob o lema O Brasil não pode parar. Isso. um dia depois de o prefeito de Milão admitir publicamente que errou promovendo uma campanha de marketing intitulada Milão não para exatamente quando mais era necessário proibir contatos físicos para evitar a atual situação da Itália, com 62 mil casos e 9 mil mortes, mais do que a China. Mas ele acredita que não há semelhança nenhuma entre nosso Brasil e a Itália de seus ancestrais e que brasileiro não pega nada, como a História tem negado sistematicamente. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

Para ver vídeo no YouTube clique aqui

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.