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Bolsonaro e Crivella: a vanguarda do atraso

Sob presidente da República contra a vacina e prefeito do Rio, usando "milicianos" para ameaçar cidadãos e bloquear trabalho de repórteres à frente de hospitais, vive-se ainda no século 19

José Nêumanne

03 de setembro de 2020 | 21h21

Polícia Civil do Estado do Rio apreendeu cerca de R$ 10 mil em cédulas na casa do assessor apontado como chefe do grupo ‘Guardiões do Crivella’, que ameaçava cidadãos e bloqueava repórteres à porta de hospitais Foto: Divulgação / PCERJ

Naqueles tradicionais encontros com seus admiradores incondicionais e apoiadores fanáticos, o presidente Jair Bolsonaro sacou de sua algibeira de prestidigitador de feiras livres medievais a frase fatal: “Ninguém pode ser obrigado a tomar vacina”. Senti-me em 1904, em plena revolta da vacina no Rio, ocasião em que o então presidente Rodrigues Alves prestigiou seu epidemiologista, Oswaldo Cruz, contra os feiticeiros tribais de ocasião, que convenciam o povo de que vacinados teriam filhos com cara de bezerro. O atual ocupante da cadeira presidencial enfrenta a lei, que ele próprio assinou, o Código Penal de 80 anos, a Constituição da República e todas as evidências científicas, tudo em nome de uma falsa pregação de liberdade individual, algo do tipo, “você é livre para matar”. E o prefeito do Rio, Marcelo Crivela, criou as milícias contra o direito da cura e a liberdade de informação garantida pela mesma Carta Magna, o que pode levá-lo ao impeachment. Lembrei-me do que meu amigo Fernando Lyra disse a respedito de inimigos da abertura de Geisel. Direto ao assunto. Inté. E só a verdade nos salvará.

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