Bolsonaro e a Constituição
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Bolsonaro e a Constituição

Mesmo sendo Constituição madrasta do cidadão e mãe carinhosa da elite política, Bolsonaro fez muito bem em afirmar que ela é seu único norte para calar maledicentes que o insultam de autoritário

José Nêumanne

07 Novembro 2018 | 16h42

No dia seguinte a seu encontro na celebração da Constituição, Bolsonaro foi recebido por Temer em palácio. Foto: Joédson Alvess/EFE

Celebração do 30.º aniversário da Constituição foi um show de hipocrisia, cinismo e fantasia, pois a aniversariante não tem nada de “cidadã”, como a definia um de seus autores, Ulysses Guimarães, mas um manual de autodefesa de uma classe politica safada e corrupta, tendo sido a mãe de todas as crises do Brasil e uma madrasta para a democracia, que vive sob sua égide. De todos os oradores salvou-se o presidente eleito, Jair Bolsonaro, que faz muito bem em nos ensinar que há três nortes, mas o texto que rege o Estado de Direito é o único norte verdadeiro para ele. Se não o fizesse, sofreria uma saraivada de acusações caluniosas de que a golpeou com a ajuda de quase 58 milhões de cidadãos.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quarta-feira 7 de novembro de 2018, às 7h30m)

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Assuntos para o comentário da quarta-feira 7 de novembro de 2018

 

1 – Haisem – A Constituição da República merece todas as loas e salamaleques com que foi tratada ontem na solenidade para comemorar seus 30 anos de existência pelas mais altas autoridades dos três poderes ou foram só palavras, como o povo diz, da boca pra fora?

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2 – Carolina – Que motivos seis deputados e três senadores do PT têm para apresentar um pedido ao Conselho Nacional de Justiça tentando impedir que o juiz federal Sérgio Moro assuma o cargo de ministro da Justiça para o qual será nomeado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro?

 

3 –  Haisem – Na concorrida entrevista coletiva do futuro ministro da Justiça ontem na sede da Justiça Federal em Curitiba, Sérgio Moro anunciou a montagem um esquema de operações especiais para combater a corrupção e o crime organizado, seguindo o exemplo da Lava Jato. Será mesmo necessária essa anunciada perpetuação da ação por ter sido ela principalmente muito bem-sucedida ou apenas porque é popular?

 

4 – Carolina – O juiz Sérgio Moro foi, a seu ver, convincente ao justificar para os cerca de 60 jornalistas presentes a sua entrevista suas atitudes em relação ao julgamento e à condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou ficou algum detalhe mais para ser esclarecido?

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5 – Haisem – Você acha que o futuro ministro da Justiça terá razões e força para mandar para o Congresso Nacional renovado um projeto de lei que dirima de vez a questão, que divide o Supremo Tribunal Federal ao meio, da autorização para juízes decretarem cumprimento da pena após condenação em segunda instância?

 

6 – Carolina – Você acha que, na condição de ministro da Justiça, o juiz Sérgio Moro terá força e prestígio para conseguir fazer aprovar no Congresso as célebres dez medidas de combate à corrupção, já propostas no Congresso, mas desvirtuadas na votação a que foram submetidas?

 

7 – Haisem – Você acha que os parlamentares tiveram razões para se queixarem da ênfase dada pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, que ele fez questão de mostrar com a repetição da palavra “previdência”, e também que os congressistas precisam de uma “prensa” para aprovarem essa reforma, que é vital, urgente e mal amada?

 

8 – Carolina – Você acha que será uma boa ideia reconduzir o emedebista alagoano Renan Calheiros à Presidência do Senado, hipótese que recebeu, ao que tudo indica, sinalização positiva do senador eleito pelo PSL de São Paulo Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito?