Até lá morreu Judas…

Até lá morreu Judas…

Miríade de recursos possíveis permitirá ao PT e à defesa de Lula postergar até uma data próxima à eleição a decisão inexorável da Justiça de que candidatura é inviável. Até lá terá morrido Judas!

José Nêumanne

24 de agosto de 2018 | 11h28

Cícero Cardozo posa na réplica usada na filmagem de Lula, o Filho do Brasil da casa onde ele nasceu em Caetés, Pernambuco. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Pelo que se percebe após o anúncio do ministro Luís Barroso, relator do requerimento de registro da candidatura do inelegível, preso e condenado Lula à Justiça Eleitoral, os primeiros dias de campanha no rádio e na televisão ainda o encontrarão em pleno usufruto da dúvida, que não há, de que poderia se candidatar. Sua defesa e o PT recorrerão ao truque de aproveitar o recall que o põe em primeiro lugar nas pesquisas de preferência do eleitorado, para tornar discutível o inexorável: a possibilidade de ele vir a ser eleito, vetada pela Lei da Ficha Limpa, de iniciativa popular e peremptória quando à inelegibilidade. Só depois de instalada a confusão Lula e Haddad virará Lula é Haddad. É fato.

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Abaixo, os assuntos para comentário da sexta-feira 24 de agosto de 2018

 

1 – Haisem – O relator do requerimento para registro da candidatura de Lula, do PT, à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral, ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, deu prazo para a defesa de Lula contraditá-lo até o próximo dia 30. Isso tornará possível a realização do julgamento, de importância capital nesta eleição, o mais breve possível, para que esse impasse seja, enfim, resolvido?

 

2 – Carolina – O noticiário produzido ontem contém pelo menos duas afirmações feitas por ministros do Supremo, no caso o relator Marco Aurélio Mello e o decano Celso de Mello, a favor de uma decisão do colegiado daquela Corte a respeito da possibilidade de um réu poder candidatar-se à Presidência, para resolver o registro de outro candidato, o deputado Jair Bolsonaro, do PSL. Será que corremos o risco de ter um candidato impugnado por ser réu, enquanto a Justiça não decide se outro, Lula, condenado em segunda instância, continuar lutando p0or seu registro?

 

3 – Haisem – O que você tem a comentar sobre o flagrante obtido por um carrapato do Estadão, uma das inovações da cobertura eleitoral de nosso jornal, ao gravar o momento em que o candidato do PSL à Presidência da República, deputado Jair Bolsonaro, perguntou a uma criança no interior de São Paulo se ela sabe atirar?

 

4 – Carolina – Ainda a respeito do candidato que aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto nas quais é excluído o nome do inelegível Lula, por ter sido condenado em segunda instância por crime comum, o que viola a Lei da Ficha Lima, ou seja, o deputado Jair Bolsonaro, é o caso de lhe perguntar o que acha da decisão anunciada de que ele pode faltar aos debates, notícia que já foi negada, mas sem muita convicção?

 

5 – Haisem – Por que razões a Polícia Federal acaba de indiciar tanto tempo depois o empresário Joesley Batista, da JBS, os ex-ministros da Fazenda dos governos Lula e Dilma Antônio Palocci e Guido Mantega e o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Luciano Coutinho?

 

6 – Carolina – No dia em que a Operação Lava Jato foi prorrogada por mais um ano, sua principal estrela, o juiz federal paranaense Sérgio Moro, defendeu a ideia de que os candidatos à Presidência da República deveriam dar sua opinião sobre a autorização para a Justiça prender condenados em segunda instância para começar a cumprir pena?

 

7 – Haisem – Você concorda com a declaração da presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, de que as instituições estão funcionando normalmente no Brasil, apesar de suas deficiências, que são mais das pessoas que fazem parte delas do que propriamente dessas instituições?

 

8 – Carolina – O que você tem a dizer sobre a acusação feita pelo Ministério Público Federal de que o ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo Eduardo Bittencourt teria recebido propina de 2 milhões de reais da construtora Camargo Corrêa para atender a seus interesses num julgamento na instituição?

 

 

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