Antes de tomar quentão
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Antes de tomar quentão

Propinas ainda hoje dão ao PT poder financeiro para pagar voos de Dilma pelo Brasil

José Nêumanne

09 de junho de 2016 | 15h25

Swi Skornik: dinheiro sujo pra Dilma

Swi Skornik: dinheiro sujo pra Dilma

Quinta-feira 9 de junho de 2016

Bom dia. Aqui em São São Paulo Meu Amor está um frio da gota serena. Mas sou um sertanejo atípico neste particular: gosto mais do frio do que do calor. Embora seja mais típico no ponto de vista pluviométrico: adoro mesmo é chuva. Desde que não alague, é claro.

Sou obrigado a reconhecer que, embora me repugnem os evidentes movimentos de proteção à impunidade de Eduardo Cara de Cunha feitos pelo governo Temer, particularmente no assédio à deputada Tio Eron no Conselho de Ética da Câmara, sou obrigado a reconhecer que o Parlamentério tem dado resultados positivos para o governo interino no Congresso. O repique da aprovação da DRU na mesma Câmara atesta que os deputados federais dublês de ministros, caso do presidente do PRB, Marcos Pereira, não têm falhado na aprovação de medidas essenciais para mostrarem que a maior vantagem do vice em relação à titular neste período de provisoriedade para ambos – ela afastada da Presidência, que ainda é sua e ele no exercício da Presidência que devotos da Constituição como eu esperamos que seja dele depois de agosto, data fatal marcada para a votação do impeachment no Senado – é que, pelo menos, agora há o que deixou de haver há muito tempo: algum tipo de governo, por mais débil que possa parecer. A reação da Bovespa e do preço do dólar à aprovação de Ilan Goldfajn também aponta para uma direção menos pessimista. Não levo muito a sério a movimentação de senadores como Cristovam Buarque, que visitou Dilma quatro vezes sem explicar ao distinto público o que tanto faz no Alvorada, Romário, Acir Gurgacz e outros. Essa peregrinação sem devoção não me impressiona muito, embora não me agrade. O que preocupa mesmo é o arsenal de que dona Tchau Querida ainda dispõe. A prova de que Gilmar Mendes, agora na presidência do TSE, tinha razão quando calculou que, com as propinas da Petrobrás, o PT tem dinheiro para bancar campanhas caríssimas até 2038 é o partido se propor a alugar jatinhos para tornar viáveis as viagens de madama Pandilma depois que Temer proibiu que ela limitasse voos gratuitos em aviões da FAB apenas para Porto Alegre, onde moram sua prole, marido e ex-marido, e não tendo ela a coragem que garante ter para enfrentar aeroportos e aviões de carreira. É claro que a revelação aparentemente inesgotável de novos delatores premiados termina por desvendar a origem remota desses recursos. Assim como as evidências de que empresas públicas como o Correio e a Caixa Econômica Federal só não quebrarão porque são garantidas pelo Tesouro Nacional. Um dia depois da brilhante participação do procurador Júlio Marcelo de Oliveira e do auditor Antônio Carlos Costa d’Ávila Carvalho, ambos do TCU, na comissão processante do impeachment no Senado, demonstrando com calma e lógica que sem pedaladas e créditos ilícitos de Dilma em bancos públicos a crise não teria atingido as dimensões atuais (maiores do que as da recessão de 1930, segundo a abalizadíssima opinião de Henrique Meirelles), é revelada também a fonte do dinheiro sujo lavado pela Justiça Eleitoral, segundo depoimento de Zwi Skornicki: US$ 4,5 milhões (R$ 15,2 milhões) na campanha da Dilma da Odebrecht via João Patinhas Santana. No meio desse tsunami de porcaria e de truques da defesa de Dilma – o último dos quais configurado no pedido do fiel Janot para o STF mandar prender Renan Calheiros – há pouco em que se agarrar para evitar o naufrágio, a não ser na oração pra evitar o trupicão (corruptela sertaneja de tropeção) pro fundo do abismo do pré-sal Dilma voltar mesmo. Ontem comecei meu comentário no Direto da Redação 3 com o introito da Ave Maria, de Gounod, sobre tema de Bach. Hoje, em homenagem aos cristãos batistas, o técnico da Rádio Estadão Alexandre Celles introduzirá meu comentário no horário apresentado por César Sacheto e Camila Tuchlinski com In the Upper Room, na voz da maior cantora gospel do planeta em todos os tempos, Mahalia Jackson.

É o que temos para aquecer este fim de outono gelado, à espera do quentão a ser tomado no maior São João do Mundo em Campina Grande.

Jornalista, poeta e escritor

 

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