Amor de jagunço
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Amor de jagunço

Os ladrões com as mãos emporcalhadas por dinheiro sujo querem nos convencer de que somos como eles

José Nêumanne

01 de junho de 2016 | 18h49

Lula: mãos literalmente sujas

Lula: mãos literalmente sujas

 

Quarta-feira, 1º de junho de 2016 19 horas

Amor de jagunços

Estamos a 60 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, a obra máxima de Joca de Cordisburgo sobre o amor de Riobaldo por Diadorim, celebração da prosa da mais alta qualidade poética, e ainda nos vimos aqui obrigados a lidar com a mais abjeta sordidez. Os ladrões, com as mãos emporcalhadas pelo dinheiro sujo das propinas da Petrobrás e de outras empresas públicas, inclusive os bancos estatais, querem nos convencer de que eles são assim porque todos somos, inclusive suas vítimas desempregadas, sem renda e sem casa pra morar, enquanto nosso Brasil da boa língua é assaltado pelo barbarismo generalizado dos sem moral no qual os honestos não têm sequer como clamar que não, que nada têm que ver com a safadeza sem dó nem limites dessa organização criminosa de tantos tentáculos. Ontem ouvi o destampatório irracional de Ciro Gomes em entrevista a Maria Lydia na TV Gazeta e só me ocorreu lhe perguntar se ele não tinha sequer piedade dos 14 milhões de patrícios que estarão sem emprego, renda nem honra ainda neste ano. É a única pergunta que tenho a fazer a um bando de canalhas no Senado que, numa situação como esta, ainda negociam seus votos no julgamento final da permanência de Temer contra a volta de Dilma. Guardarei a página do jornal que publicou uma lista deles para conferir no dia da votação e saber se não se tratou de mais uma prova de falta de caráter dos que nos roubaram e dos que os protegeram nos cargos máximos da República ou quem de fato caiu em tentação nessa hora de sacrifício de quase todos. Agora há pouco ouvi o economista João Luiz Mascolo, professor do Insper, na Rádio Estadão. Ele disse que a economia está ruim demais (e os dados publicados hoje a esse respeito são simplesmente assustadores) para se recuperar em menos de um ano, mas certamente afundará para algo que pode ser definido como um buraco traiçoeiro no fundo mais profundo do mar se Madame Satã voltar. Deus nos livre da ambição desmedida desses seres tenebrosos para ainda salvarmos alguns da pobreza em que todos naufragamos. Prometo lutar para ser sempre a voz dos miseráveis emudecidos por essa elite desonesta e cega de cobiça e pela dificuldade de sair desse atoleiro na lama podre numa condição de carência total, ignorância e desprezo. Deus me dê forças para continuar clamando no deserto, por mais difícil que seja manter a mente lúcida, a palavra lógica e a voz suficientemente limpa.

 

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