A serviço do “quadrilhão”
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A serviço do “quadrilhão”

Geddel saiu da secretaria, mas ficou no poder, agora dividido com o colega de penas Cunha

José Nêumanne

14 Dezembro 2017 | 11h44

Na Câmara e no governo do parceiro Temer Marun será olhos e mãos do condenado Cunha Foto: Dida Sampaio/Estadão

A substituição de Geddel, sua posterior prisão e o aparecimento dos R$ 51 milhões no apartamento na Graça, em Salvador, comprometendo-o, o irmão Lúcio, deputado da base de governo de Temer, e a mãe deles, Marluce, em nada tinham alterado o poder dos baianos na Secretaria de Governo, que Marun está prestes a assumir. Quando este foi convidado, com o tucano Imbassahy no cargo, avisei que Cunha mantinha os cordéis de suas marionetes na antessala do presidente. Assim, não restam dúvidas de que o “quadrilhão do PMDB” denunciado pelo ex-procurador Rodrigo Janot continua dando as cartas na República. O resto é lero. Vamos repetir: Cunha, Geddel e Henriquinho na cadeia, Rocha Loures em prisão domiciliar e Temer, Moreira e Padilha no palácio mandando no grande presídio Brasil.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quinta-feira 14 de dezembro de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 14 de dezembro de 2017 – Quinta-feira

Novo ministro da Secretaria de Governo, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) decidiu manter como seus assessores na pasta aliados do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do ex-deputado Eduardo Cunha, ambos do PMDB e atualmente presos no âmbito da Operação Lava Jato. O que significa isso?

Marun será empossado nesta quinta-feira, 14, em cerimônia no Palácio do Planalto marcada para 17 horas. “Vamos manter com certeza o Carlos Henrique e tudo indica também a Ivani, que é uma pessoa da nossa estrita confiança”, disse Marun ao Estadão/Broadcast. Ele se referia a Carlos Henrique Sobral e Ivani dos Santos, chefe de gabinete e secretária-executiva da pasta, respectivamente. Os dois estão nos cargos desde maio de 2016, quando Geddel assumiu a Secretaria de Governo. Por pressão do PMDB, eles continuaram nos postos mesmo na gestão de Antonio Imbassahy (PSDB-BA). Sobral e Ivani trabalham com Geddel desde quando o peemedebista era deputado federal. Os dois também assessoram Geddel quando ele foi nomeado ministro da Integração Nacional durante o segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois de deixar o governo, Ivani passou a trabalhar na liderança do PMDB na Câmara. Em 2015, quando Cunha assumiu à Presidência da Câmara, Sobral foi nomeado assessor especial da Casa.

Além de Ivani e Sobral, o presidente Michel Temer mantém outros aliados de Cunha no governo. Um deles é o advogado Gustavo do Vale Rocha, nomeado por Temer para o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República. Ele foi indicado pela Câmara dos Deputados para integrar o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) no biênio 2015-2017.

Nestes últimos dias, eu tenho dito e insistido aqui que a substituição de Geddel, sua posterior prisão e o aparecimento dos R$ 51 milhões no apartamento na Graça, em Salvador, compremetendo Geddel, o irmão Lúcio, deputado da base de governo de Temer, e a mãe deles, Marluce, em nada tinham alterado o poder do clã baiano no núcleo duro do poder no Planalto. Quando Marun foi convidado, com o tucano Imbassahy ainda no cargo, eu também avisei que Eduardo Cunha mantinha os cordéis de suas marionetes na antessala de Temer. A reportagem de Igor Gadelha, da Sucursal do Estadão em Brasília, confirma tudo o que lhe contei ao longo destes dias. Assim, não há dúvidas de que o chamado “quadrilhão do PMDB” denunciado pelo ex-procurador Rodrigo Janot continua dando as cartas na República. O resto é lero. Vamos repetir: Cunha, Geddel e Henriquinho na cadeia, Rocha Loures em prisão domiciliar e Temer, Moreira e Padilha no palácio mandando no grande presídio Brasil.

O que você diz da reclamação de figurões importantes dos partidos políticos estarem reclamando da quantia de “apenas” 1,7 bilhão de reais para o fundo partidário de campanha? É pouco mesmo?

Já que falávamos de “quadrilhão”, vamos aos fatos. Ontem, à noite, por acordo, o Congresso aprovou o Orçamento da União de 2018. A proposta foi elaborada pelo deputado Cacá Leão (PP-BA) e já incorporou a previsão de crescimento de 2,5% do PIB. Ela prevê ainda um salário mínimo de R$ 965 para 2018. O Orçamento total chega a R$ 3,5 trilhões entre receitas e despesas. A maior despesa é com a Previdência Social. Ao todo, ele aumentou as despesas do governo para o próximo ano em cerca de R$ 5 bilhões. O Orçamento de 2018 chega a R$ 3,5 trilhões, incluindo pagamento do serviço da dívida. Apesar das pressões, a proposta fixou o Fundo Eleitoral em R$ 1,7 bilhão, como os parlamentares haviam acertado durante a tal da reforma política, na moda desde que Eduardo Cunha, o Caranguejo da Odebrecht, mandava e desmandava na Câmara dos Deputados. Além de R$ 1,7 bilhão para o Fundo Eleitoral, Cacá manteve a destinação de R$ 888,7 milhões para o Fundo Partidário, que já existe e cujo valor foi enviado pelo Executivo e mantido em seu parecer e inovou ao destinar R$ 250 milhões para a implantação do voto impresso nas próximas eleições, outra exigência da reforma eleitoral aprovada este ano. O deputado apresentou seu parecer final anteontem.

Cacá Leão disse que definiu o valor do Fundo Eleitoral com base na lei aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Michel Temer. A reforma política _ transformada em lei _ cria o Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Já batizado de “fundão”, ele será abastecido por valor equivalente a 30% do valor total das emendas parlamentares de bancada previstas para 2018 e ainda dos recursos equivalentes à compensação fiscal que era dada até agora às emissoras de rádio e televisão pela veiculação de propaganda partidária em anos não eleitorais. Segundo os dados da Comissão Mista de Orçamento, do total de R$ 1,7 bilhão, R$ 1,3 bilhão é o valor equivalente a 30% das emendas de bancada e o restante de R$ 400 milhões será o que as emissoras deixarão de receber. Essa valor de R$ 400 milhões é uma estimativa feita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aceita pelo acatada pelo relator.

Mas os R$ 400 milhões são apenas uma estimativa, que o relator a rigor já colocou como conta própria, com base em valores de anos anteriores. Mas há pressões para que a verba aumente porque a redação da lei eleitoral 13.487/2017 fala em “valores equivalentes” tanto no caso das emendas como no caso da compensação fiscal. As emendas de bancada são aquelas emendas dentro do Orçamento da União que os parlamentares destinam para governos estaduais e municipais.

– Coloquei o valor que diz na legislação. Não recebi pressão nenhuma, pedido nenhum para aumentar o valor. Mas esse Fundo Eleitoral não está no teto de gastos e, se chegar um pedido, terei que analisar_ disse Cacá Leão. A seu lado, o deputado Claudio Cajado (DEM-BA) admitiu que há sim um movimento para aumentar o valor do fundo que vai financiar as campanhas dos políticos em 2018. O Fundo foi criado com apoio principalmente do PMDB e do PT, com a justificativa de que não há mais financiamento empresarial de campanha.

_ Acho pouco ter R$ 1,7 bilhão. Acho que poderia ser pelo menos R$ 2,2 bilhões, R$ 2,3 bilhões _ disse Cajado.

Nas reuniões fechadas da Comissão Mista de Orçamento, vários deputados cobraram o aumento da verba, alegando que a imprensa chegou a calcular em R$ 2 bilhões o valor do Fundo na época da aprovação da reforma política e que os parlamentares já estão “sendo criticados mesmo, então aprovar logo o aumento”.

Nos bastidores, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, o presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), especialista em Orçamentos, é apontado como o artífice da proposta, mas ele não confirma a ideia de apresentar um destaque neste sentido.

O fundo para a campanha é a prova de que continua tudo como dantes no cartel de Abrantes. Eu disse cartel, não quartel, pois graças a Deus é remota qualquer chance de intervenção militar. Mas os falsos representantes do povo agem como se fossem os membros de um cartel que age apenas em seus interesses próprios, vagando e rondando pelo País. Dane-se o País!

O pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, afirmou, na noite desta terça-feira, pelo Facebook, a cerca de dois mil internautas que “Justiça boa é a rápida”, sobre a definição do julgamento do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que está marcado pelo Tribunal Regional Federal 4a Região (TRF4) para o dia 24 de janeiro. Ciro está chamando Lula e o PT pra briga, é?

“Há queixa de que a denúncia foi muito rápida, mas acho que a gente não pode inverter as coisas. Justiça boa é a rápida. Ela falha é quando demora”, disse. A transmissão ao vivo de Ciro Gomes acabou bombardeada por seguidores do pré-candidato ao Planalto Jair Bolsonaro, que teceram comentários de todos os níveis ao adversário político. Os comentários também foram rebatidos por internautas contrários a Bolsonaro, apelidados de ‘Bolsomitos’. Durante 38 minutos, Ciro recebeu 4,9 mil comentários e teve seu vídeo compartilhado 1,7 mil vezes.

Ciro está coberto de razão, é claro. Não há dúvida quanto a isso. Só tenho a dizer que o ex-governador do Ceará encarnou o próprio Conselheiro Acácio, símbolo do óbvio ululante criado por Eça de Queiroz. Tem um momento na vida que até os políticos profissionais são obrigados a falar a verdade. Foi este momento de Ciro, pelo visto. É claro que o pessoal do PT não gostou. Mas e daí?

Este não parece ser o momento de Lula que resolveu vir a público dizer que, se for culpado, não quer ser candidato. Será que agora ele não sabe mais se é culpado, ou não? O que significa esse se?

Um dia após o Tribunal Federal Regional da 4.ª Região (TRF4) marcar para o dia 24 de janeiro o julgamento do ex-presidente Lula na Operação Lava Jato, o petista declarou que é inocente, que não abre mão de sua honra, que caráter não se vende em supermercado e que sua resistência não é feita em causa própria, mas pelo PT. “Já desmoralizaram a política, os partidos. Eu fico muito puto que a classe política não reaja. Eu faço minha resistência não é por mim, não. É pelo PT”, disse em reunião das bancadas do PT da Câmara e do Senado, nesta quarta-feira, 13, em Brasília.

Condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses por corrupção e lavagem de dinheiro em 1.ª instância, em 12 de julho, no caso triplex, Lula pediu para que os petistas ergam a cabeça para vencer a batalha diante das acusações contra ele e o partido. Em discurso, que durou aproximadamente 30 minutos, Lula afirmou que há uma tentativa de impedir que o PT volte ao poder. “Não quero ser candidato por ser candidato. E não quero ser candidato se for culpado. Eles (acusadores) que apresentem à sociedade uma única culpa. O máximo que conseguem dizer é que Lula sabia”, disse.

O presidente de honra do PT disse que não quer que os petistas tenham um candidato “escondido” na sua candidatura, ou seja, um candidato que participa do pleito para não ser preso. Lula ressaltou que tudo que não quer é ser condenado sendo inocente. “Se apresentarem provas contra mim de todas as acusações, terei a satisfação de vir aqui e dizer que não posso ser candidato.” O que continua sendo impressionante no Lula é sua capacidade de criar e modificar suas patranhas.  A cada instante ele vem com alguma novidade para vender para seus prosélitos que acreditam em qualquer lorota que ele conte. A polícia o investiga por vários crimes de muitas naturezas. O Ministério Público o denunciou. A primeira instância da Justiça o condenou. A um mês e meio da decisão da segunda, que pode determinar sua ficha limpa ou suja, ele continua tentando por dúvidas sobre as decisões dessas instituições importantes do Estado brasileiro, que nada têm que ver com política, mas com policia e Justiça. A verdade é que por mais que ele percorra o País e fale sem parar, sempre com repercussão nos meios de comunicação, cada vez menos se confirma a fantasia de que ele conta com apoio popular para confirmar seu lorotário. Sua visita ao Rio na semana passada foi mais um tremendo fiasco político, como já o fora no Nordeste. E, por falar em Nordeste, ontem foi 105 aniversário de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e vou pedir ao almirante Nelson que execute aqui o hino da diáspora nordestina, Pau-de-arara, dele  e Guio de Morais.

SONORA Pau-de-arara Luiz Gonzaga