A perpetuação do erro

A perpetuação do erro

A inadmissível rasura no artigo 52 da Constituição, feita por Renan e Lewandowski na votação do impeachment de Dilma, permite que, 2 anos e meio depois de deposta, ela possa ser eleita para uma vaga no Senado

José Nêumanne

07 de agosto de 2018 | 07h12

Golpe de caneta de Renan e Lewandoswki permite que, 2 anos e meio após impeachment, Dilma dispute o Senado. Foto: Wilton Jr./Estadão

A possibilidade de a ex-presidente Dilma Rousseff ganhar na urna uma vaga no Senado pelo PT de Minas Gerais ameaça perpetuar um dos erros mais graves da História institucional brasileira: a rasura negociada pelo então presidente do Senado, Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, e autorizada pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, do artigo 52 da Constituição. Este proibia a um presidente deposto em processo de impeachment ocupar qualquer cargo público por oito anos e, ao ser eliminado na votação, sob a alegação de que seria injusto ela não poder ser “merendeira de escola”, permitiu uma ruptura institucional intolerável na democracia. Este é meu comentário no Estadão Notícias, no ar desde as 6 horas da terça-feira 7 de agosto de 2018.

Para ouvir clique aqui

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.